Sexta-feira às 06 de Fevereiro de 2026 às 06:17:38
Saúde

Alerta sanitário reforça prevenção contra morcegos e acidentes com cobras

N Madeiras busca por áreas com plantação de pinus e eucalipto para compra e extração
N Madeiras busca por áreas com plantação de pinus e eucalipto para compra e extração
Alerta sanitário reforça prevenção contra morcegos e acidentes com cobras

Há algumas semanas, um leitor da Folha de Campo Largo relatou a presença frequente de morcegos em sua chácara, no bairro Botiatuva. Segundo ele, um dos gatos da propriedade chegou a caçar um dos animais durante a noite, o que aumentou a preocupação com a situação.
A Folha de Campo Largo entrou em contato com a Prefeitura, que, por meio da Divisão de Vigilância em Saúde Ambiental, esclareceu que o aparecimento de morcegos em áreas urbanas é comum em função do processo de urbanização e do avanço sobre áreas rurais. Sem habitats adequados, os animais têm utilizado forros de casas e outras estruturas como abrigo.
“Os morcegos são fundamentais para o equilíbrio ambiental, realizando o controle de insetos como o Aedes aegypti, além de atuarem na polinização e dispersão de sementes. Por serem animais silvestres, são protegidos por lei ambiental. A caça, perseguição e destruição são consideradas crime”, informou o órgão, por meio de nota.
A Divisão destaca ainda que a simples presença de morcegos não significa que o vírus da raiva esteja circulando no local. A preocupação aumenta apenas quando há mudança de comportamento, como animais ativos durante o dia ou desorientados.
Entre as orientações à população, em caso de morcego morto ou caído, está a recomendação de nunca tocar diretamente com as mãos, utilizando pá ou outra ferramenta para o recolhimento. Também não se deve provocar o animal caso ele entre na residência. A orientação é manter os animais domésticos afastados e comunicar imediatamente a Vigilância em Saúde Ambiental. Em caso de contato direto, é necessário procurar imediatamente a Unidade de Pronto Atendimento e, se possível, providenciar o recolhimento do animal para análise.
A Divisão ressalta que é necessário manter cães e gatos vacinados e não permitir que circulem sem supervisão na rua. Essas medidas ajudam a prevenir raiva, leptospirose e outras doenças.
Em caso de dúvidas, a população pode entrar em contato com a Divisão de Vigilância em Saúde Ambiental, localizada na Avenida Padre Natal Pigatto, 925, bloco 08, ou pelo telefone (41) 3291-5246.
O Governo do Paraná também emitiu alerta recente sobre a presença de morcegos e ocorrências de acidentes envolvendo esses animais nesta época do ano, marcada pelo período reprodutivo. O órgão reforça que, embora o último caso autóctone de raiva humana no Paraná tenha sido registrado em 1987, é essencial manter as medidas de prevenção para evitar a reintrodução da doença.
Nos casos de agressão por cães e gatos, quando possível, o animal deve ser observado por 10 dias. Se adoecer, desaparecer ou morrer, o serviço de saúde deve ser comunicado imediatamente. A vacinação anual de cães e gatos é eficaz na prevenção da raiva nesses animais e, consequentemente, também protege a população. Quando se trata de animais de rua ou desconhecidos, a recomendação é evitar aproximação e não tocá-los quando estiverem se alimentando, com filhotes ou dormindo.

Paraná registra mais de 800 acidentes com serpentes
Outro alerta emitido pelo Governo do Paraná é sobre acidentes com cobras. Segundo dados divulgados pelo Estado, foram registrados 863 acidentes com serpentes em 2025. Há tendência de aumento das ocorrências no verão, principalmente em trilhas, jardins e áreas agrícolas, período em que calor e umidade favorecem a atividade desses animais. A maior parte dos casos ocorreu na zona rural, que concentrou quase 80% dos registros no último ano.
Levantamento da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), com base no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), aponta 910 casos em 2023 e 918 em 2024. Em 2025, os dados preliminares indicam 863 acidentes, sendo 680 na zona rural, 171 na zona urbana e 12 na área periurbana. Em Campo Largo, durante 2025, foram 11 acidentes registrados. 
Cerca de 85% dos casos notificados são atribuídos a serpentes do gênero Bothrops (jararaca, urutu, jararacuçu, cotiara e caiçara); 12% ao gênero Crotalus (cascavel); e 3% a Micrurus (coral verdadeira). Aproximadamente 70% dos pacientes são do sexo masculino. Em cerca de 53% das notificações, os casos ocorrem na faixa etária de 15 a 49 anos, grupo que concentra a maior parte da população economicamente ativa.
Segundo a Divisão de Vigilância de Zoonoses e Intoxicações (DVVZI) da Sesa, o uso de botas de cano alto ou perneiras de couro, além de botinas e sapatos fechados, pode evitar cerca de 80% dos acidentes, sendo recomendado para atividades em matas, trilhas, jardins e na agricultura. Como cerca de 15% das picadas atingem mãos e antebraços, o uso de luvas de raspa de couro é indicado para manipular folhas secas, montes de lixo, lenha e palhas.
Outra medida preventiva é manter limpos os arredores das residências, evitando acúmulo de lixo, entulho, materiais de construção e mato alto, que podem atrair roedores, principais presas das serpentes, e servir de abrigo para esses animais.
Como as cobras procuram locais quentes, escuros e úmidos, a recomendação é redobrar a atenção ao manusear lenha, palhas e ao mexer em paióis e cupinzeiros.
Em caso de acidente, a orientação é lavar o local da picada com água e sabão, manter a vítima deitada e hidratada e procurar o serviço de saúde mais próximo o mais rápido possível. Se houver segurança, uma foto do animal pode auxiliar na identificação para aplicação do soro correto.
Não se deve fazer torniquete ou garrote, nem cortar, perfurar ou espremer o local da picada. A aplicação de substâncias como pó de café, folhas, álcool ou urina é contraindicada e pode causar infecções. A vítima também não deve ingerir bebidas alcoólicas.