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Menos acidentes e mais de 30 mil multas por excesso de velocidade marcam primeiros meses dos radares

Os dados divulgados pela Secretaria Municipal de Ordem Pública mostram ainda que não houve registro de mortes em vias urbanas municipais no primeiro semestre de 2026. Ao mesmo tempo, milhares de infrações por excesso de velo

Menos acidentes e mais de 30 mil multas por excesso de velocidade marcam primeiros meses dos radares

De um lado está a redução na média mensal de acidentes e no número de pessoas feridas e de outro ainda são milhares de infrações emitidas pelos radares implementados em Campo Largo, principalmente por excesso de velocidade. Essa pode ser a síntese dos dados repassados pela Secretaria Municipal de Ordem Pública para a Folha de Campo Largo, ao completar seis meses do início da fiscalização eletrônica, que começou efetivamente em 26 de janeiro, após uma fase de testes, até julho deste ano.

Segundo informações repassadas à Redação, o sistema instalado pela Prefeitura passou a operar em 15 pontos, abrangendo 28 faixas de rodagem. A média mensal de acidentes caiu de 90,5 em 2025 para 80,6 em 2026, considerando o período informado pela administração, uma redução de 10,94%. No mesmo recorte, a média mensal de pessoas feridas passou de 17,83 para 15,4, queda de 13,63%. Já o número de vítimas fatais em ruas urbanas municipais passou de quatro no primeiro semestre de 2025 para zero no período correspondente de 2026, segundo a Prefeitura.

“Estes indicadores refletem o objetivo primário dos equipamentos de fiscalização, que é reduzir acidentes e proteger vidas. A pasta também considera indicadores secundários, tais como a redução de acidentes em horários e dias críticos (segunda, quinta e sexta-feira; das 18h às 19h); redução de tipos específicos de ocorrências (abalroamento lateral, colisão traseira e colisão frontal); variação da velocidade média em trechos monitorados (quando disponível); e satisfação e percepção de segurança da população, aferidas por meio de pesquisas de opinião”, explica o secretário da SMOP, João Freita.

Para essa análise, a pasta considerou também os dados fornecidos pela Polícia Militar por meio do sistema BATEU. De acordo com a administração, a escolha da base se deve ao fato de a PM atender ocorrências de trânsito com e sem vítimas.

Um dos destaques apontados está na comparação entre maio de 2025 e maio de 2026, em que o número de acidentes caiu de 98 para 72 ocorrências, uma redução de 26,53%. Porém, ressalta-se uma delimitação importante, de que os números apresentados pela administração não representam todas as mortes no trânsito ocorridas no município.

Segundo a própria Secretaria, o levantamento considera ruas urbanas municipais e não inclui atropelamentos nem acidentes ocorridos em rodovias estaduais e federais, como a BR-277 e suas marginais, cuja fiscalização não é de competência municipal. Também foi informado que, no recorte utilizado para a comparação de mortes, são considerados acidentes do tipo automóvel contra automóvel.

Quando e como são os acidentes

Os dados do BATEU apresentados pela Prefeitura também permitem identificar períodos de maior concentração das ocorrências. Entre os dias da semana, segunda-feira aparece com 81 acidentes, quinta-feira com 90 e sexta-feira com 82. Nos horários, o intervalo entre 18h e 19h concentra 127 acidentes. Outros períodos destacados são das 7h às 8h, com 61 ocorrências, e das 13h às 14h, com 67. Em relação ao tipo de acidente, os registros apontam predominância de abalroamentos laterais, responsáveis por 32,5% das ocorrências, e na sequência aparecem colisões traseiras, com 19,6%, e colisões frontais, com 13,1%. “A redução observada no mês de maio (26,53%) sugere que os radares exercem um efeito dissuasivo sobre comportamentos de risco, em especial o excesso de velocidade, que permanece como a infração mais registrada pelo sistema”, pontua.

Mais de 30 mil autuações por excesso de velocidade

Por meio da plataforma Estatísticas de Infração, disponibilizada pelo Detran-PR, a Folha conseguiu verificar que de janeiro a julho deste ano foram emitidas mais de 63.400 infrações em Campo Largo, onde 30.834 foram por “Transitar em velocidade superior máxima permitida em até 20%”.

Questionado pela Folha sobre o fato, o secretário explicou que isso reflete um padrão comportamental complexo que requer análise multifatorial. Entre eles, o secretário cita que o excesso de velocidade é reconhecido internacionalmente como um dos principais fatores de risco em acidentes de trânsito. Comenta também que o volume de autuações demonstra que o sistema funciona adequadamente e detecta infrações que anteriormente passavam despercebidas e que poderiam resultar em acidentes graves ou fatais. “Antes da instalação dos equipamentos, muitas violações de velocidade não eram registradas devido às limitações de recursos humanos e à impossibilidade de fiscalização manual simultânea em múltiplos pontos”, pontua.

Ele completa dizendo que os dados, quando analisados mensalmente, indicam que o comportamento dos condutores está em processo de adaptação. “O mês de maio apresentou uma redução de 18,18% nas infrações em relação a abril, sugerindo que o efeito dissuasivo dos equipamentos está se consolidando. A administração municipal projeta uma redução gradual no número de infrações por excesso de velocidade devido a alguns fatores como a internalização da presença permanente dos radares faz com que comportamento se adeque aos limites estabelecidos”, exemplifica.

Ele segue dizendo que há uma intensificação de ações de educação para o trânsito e reafirma que a expectativa da administração é de que o número de infrações diminua gradualmente conforme os motoristas se adaptem à presença permanente dos equipamentos Vale lembrar que mesmo antes de multar, os equipamentos já haviam registrado 113 mil infrações durante a fase de testes, entre 1º e 22 de janeiro e a maior parte dos registros estava relacionada à velocidade. À época foram 69.590 registros de veículos transitando até 20% acima do limite permitido; 31.755 entre mais de 20% e até 50% acima da velocidade máxima; e 7.728 acima de 50%. Também foram registrados 3.215 avanços de sinal vermelho e 885 conversões à esquerda em locais proibidos.

Infrações do EstaR são um fenômeno diferente

A segunda infração mais registrada está relacionada ao estacionamento irregular no sistema EstaR Digital, com 12.927 infrações, também sendo apontada como uma combinação de fatores, sendo a ampliação da fiscalização a causa mais influente.

“Realizamos a implementação de 72 câmeras de fiscalização eletrônica no sistema de estacionamento rotativo, o que expandiu drasticamente a capacidade de detecção em relação a 2025, ano em que o monitoramento era realizado por apenas um veículo. O sistema EstaR Digital permite o acompanhamento contínuo de infrações em zonas específicas, superando a fiscalização manual, que é intermitente e limitada pelo efetivo de agentes”, explica o secretário.

Além disso, fatores como crescimento da frota de veículos no município, hábito anterior de tolerância com a fiscalização defasada, falta de familiaridade com as novas regras do EstaR Digital e aumento do volume diário de tráfego com veículos procedentes de outros municípios também podem ter impactado diretamente.

Limites de 40, 50 e 60 km/h não foram alterados com os radares

Outro ponto que costuma gerar questionamentos entre motoristas é a definição dos limites de velocidade. Segundo a SMOP, os limites existentes nas vias de Campo Largo já estavam estabelecidos antes da implantação dos radares e não foram alterados por causa dos equipamentos e que a definição segue a classificação das vias prevista no Código de Trânsito Brasileiro.

O CTB estabelece diferentes classificações para as vias urbanas, entre elas vias de trânsito rápido, arteriais, coletoras e locais. Na ausência de sinalização regulamentadora, os limites previstos no artigo 61 são de 80 km/h para vias de trânsito rápido, 60 km/h para vias arteriais, 40 km/h para vias coletoras e 30 km/h para vias locais, ressaltando que Campo Largo não possui vias classificadas como de trânsito rápido.

“As equipes técnicas da administração acompanham diariamente os dados coletados pelos equipamentos de fiscalização, realizando análises mensais do comportamento no trânsito. Uma alteração já implementada consiste na readequação do semáforo localizado no cruzamento da Avenida Marcelo Puppi com a Rua Engenheiro Tourinho, onde foi viabilizada a operação intermitente das 0h às 06h, fundamentada na queda de acidentes na região. Outras modificações exigem volumes maiores de dados e critérios aprofundados, visto que a implantação dos equipamentos é recente e demanda um período de observação prolongado.

Contudo, a hipótese de readequações futuras não está descartada, pois a dinâmica urbana e o crescimento contínuo da cidade exigem constante flexibilidade e monitoramento”, acrescenta o secretário.

Quanto foi arrecadado com as multas?

Outro ponto de interesse público é o dinheiro gerado pelas autuações. Dr. João Freita informa que a Prefeitura de Campo Largo disponibiliza a arrecadação com multas de trânsito e as respectivas despesas no Portal da Transparência, mas que o valor estimado de arrecadação é superior a R$ 4 milhões no primeiro semestre de 2026, montante integralmente revertido em prol da mobilidade urbana.

“A destinação dos recursos segue um modelo normativo bem definido que prioriza investimentos em infraestrutura. Destaca-se que o volume de autos de infração emitidos não representa arrecadação imediata, havendo prazos processuais e recursos administrativos pendentes. Os recursos arrecadados com multas de trânsito em Campo Largo são aplicados diretamente em segurança viária e na manutenção da malha viária, abrangendo pintura viária e sinalização horizontal; instalação e manutenção de placas de sinalização; gestão e manutenção de semáforos; custeio de contratos da Secretaria de Ordem Pública voltados à fiscalização e segurança viária; manutenção e aquisição de equipamentos tecnológicos; operacionalização do sistema EstaR Digital; projetos de mobilidade urbana e transporte coletivo (destino de 50% dos recursos arrecadados).”

Acrescenta por fim que a arrecadação vem sendo aplicada na própria infraestrutura viária, na educação, expansão do sistema de fiscalização eletrônica, 50% são utilizados para o transporte coletivo e garantia de sustentabilidade do sistema de monitoramento integrado com o Ciosp. Os dados detalhados de arrecadação e despesas, segundo a Secretaria, estão disponíveis no Portal da Transparência.

 

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