Opinião

Abrir novos caminhos é uma medida urgente

Caminhões, ônibus, veículos de transporte de pacientes e automóveis dividem diariamente os mesmos espaços, em trajetos que muitas vezes atravessam trechos sinuosos, congestionados ou com limitações de cap

Abrir novos caminhos é uma medida urgente

A tragédia registrada nesta semana na BR-373, em Ipiranga, que deixou 23 mortos e cinco feridos, em grande parte passageiros de um micro-ônibus da Secretaria de Saúde de Imbituva, volta a colocar diante dos paranaenses uma questão que não pode ser tratada apenas quando acontece uma nova fatalidade, mas o diálogo frequente sobre a segurança e a capacidade da infraestrutura viária do Estado. Se trata de reconhecer que estradas cada vez mais movimentadas exigem investimentos proporcionais à sua importância.

O Paraná possui uma das economias mais dinâmicas do país e ocupa posição estratégica no transporte de cargas entre o interior, outras regiões brasileiras e o Porto de Paranaguá e esse desenvolvimento trouxe uma pressão crescente sobre as rodovias. Caminhões, ônibus, veículos de transporte de pacientes e automóveis dividem diariamente os mesmos espaços, em trajetos que muitas vezes atravessam trechos sinuosos, congestionados ou com limitações de capacidade. Quando a infraestrutura não acompanha esse crescimento, aumenta-se a exposição de todos os usuários a situações de risco.

Os números do trecho da BR-277 entre Curitiba e São Luiz do Purunã ajudam a dimensionar o problema. Foram 104 acidentes registrados entre janeiro e 30 de julho deste ano, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal. No mesmo período, o número de feridos passou de 88, em 2025, para 101 em 2026. Nove pessoas morreram nos primeiros sete meses deste ano, contra 13 durante todo o ano passado.

Por isso, a duplicação de rodovias estratégicas do Paraná não pode ser tratada como uma obra meramente de desenvolvimento econômico, mas uma questão de mobilidade e, sobretudo, de segurança. A BR-277, principal eixo de ligação entre o Oeste e o Porto de Paranaguá, concentra uma parcela expressiva do transporte de cargas do Estado. Ampliar sua capacidade, corrigir gargalos e melhorar os dispositivos de segurança significa reduzir conflitos entre diferentes tipos de veículos e tornar o deslocamento mais previsível.

O Estado possui uma extensa rede de rodovias federais e estaduais que atende municípios do interior e sustenta o deslocamento de pessoas e mercadorias. Há regiões em que a população percorre centenas de quilômetros para acessar serviços especializados, inclusive de saúde. Este acidente com os pacientes de Imbituva aponta que a infraestrutura de transporte também está relacionada ao acesso aos serviços públicos. Quanto mais necessário for deslocar pessoas entre municípios, maior deve ser a preocupação com as condições desses deslocamentos.

A proposta de avançar na integração ferroviária entre diferentes trechos da malha paranaense, inclusive aproximando a Ferroeste da Malha Sul e buscando novos caminhos, deve ser analisada com seriedade dentro do planejamento de longo prazo do Estado, por meio de uma visão ampla de futuro, mas que começa a ser discutida agora. Duplicar onde for necessário, modernizar o que já existe e construir uma rede ferroviária capaz de retirar parte da pressão das estradas não são luxos, mas investimentos que dizem respeito à segurança, à mobilidade e à capacidade de o Estado continuar crescendo sem transformar suas principais vias de circulação em riscos de morte.

 

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