Nas eleições de 2026, os paranaenses escolherão dois candidatos para ocupar duas das três cadeiras do Paraná no Senado Federal. Para aproximar o debate eleitoral das demandas enfrentadas pela população, a Folha de Campo Largo ouviu os candidatos que aparecem com mais de 5% das intenções de voto na mais recente pesquisa acompanhada pelo jornal.
Nesta primeira parte da série de entrevistas, o foco está em um dos temas que mais impactam diretamente Campo Largo, que são infraestrutura e logística. Inserido em um importante corredor de ligação entre Curitiba, o interior do Paraná e outras regiões do país, o município convive diariamente com os efeitos do movimento de cargas, do crescimento industrial e da necessidade de melhorias nas rodovias e acessos.
A Folha questionou os candidatos sobre como pretendem atuar no Senado para garantir investimentos federais em infraestrutura e logística que beneficiem diretamente Campo Largo e a região. Alexandre Curi (Republicanos), Gleisi Hoffmann (PT), Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) responderam à questão.
Alexandre Curi
“Hoje quase toda a malha federal do Paraná está concedida. Isso muda o trabalho de quem representa o Estado no Senado. Cobrar que a obra já contratada seja entregue no prazo passou a valer ainda mais. Dou um exemplo que Campo Largo conhece. A PR-423, entre Araucária e Campo Largo, está sendo duplicada em 26 quilômetros, com entrega prevista para fevereiro de 2027. Está no Lote 1, fiscalizado pela ANTT. Quer dizer: é assunto que se decide em Brasília, e é lá que eu quero estar cobrando. Tem ainda a parte que nenhum contrato de concessão cobre, e é justamente a que aperta o município. São os acessos, as ruas que ligam as fábricas à rodovia, o trevo que a comunidade usa todo dia, a marginal. A concessionária não é obrigada a fazer isso. Aí entra emenda parlamentar e articulação da bancada paranaense para garantir investimentos. E tem a mudança de financiamento, que muda o jogo de verdade. A PEC 231 cria fundos constitucionais para o Sul e para o Sudeste e aumenta o repasse da União aos municípios. Já passou por unanimidade na comissão especial da Câmara. Quando chegar ao Senado, terá o meu voto. Norte, Nordeste e Centro-Oeste têm fundo constitucional desde 1988. O Sul nunca teve. Corrigir isso é questão de justiça, e é dinheiro novo para Campo Largo e para os nossos municípios.”
Gleisi Hoffmann
“A BR-277 e a PR-423 são estratégicas para Campo Largo e para o Paraná. Vamos articular para garantir infraestrutura adequada para o transporte de cargas, o deslocamento das pessoas e o desenvolvimento econômico do município. Como senadora, vou atuar para priorizar, no orçamento, obras estruturantes, duplicações e melhoria dos acessos viários. Também vou acompanhar e fiscalizar as concessões que envolvem esses corredores, cobrando o cumprimento dos investimentos e das obras previstas. Em julho, a Itaipu Binacional assinou com a Prefeitura um compromisso para investimentos de R$ 8 milhões para a pavimentação da Estrada Santa Mariana, uma antiga reivindicação dos moradores da região. Outro ponto importante é a pavimentação de estradas secundárias, que ligam municípios em diversas regiões do estado. Vou trabalhar para que a pavimentação de estradas secundárias faça parte do PAC, assim melhoramos o fluxo entre cidades e as regiões, o que vai otimizar o tempo de deslocamento das pessoas e também melhorar o escoamento da nossa produção. No Senado, vou ampliar a capacidade de articulação em defesa de Campo Largo”.
Deltan Dallagnol
“Na Lava Jato, eu coordenei a equipe que fechou acordos com concessionárias investigadas e ajudou a devolver mais de R$ 1 bilhão aos paranaenses. Desse total, R$ 570 milhões foram usados para baixar o pedágio em 30%, e outros R$ 535 milhões foram destinados a obras. Na BR-277, esse dinheiro ajudou a financiar o novo Trevo Cataratas e terceiras faixas entre Cascavel e Guarapuava. A região de Campo Largo também recebeu obras previstas no acordo com a Rodonorte. Esse resultado mostra como eu entendo o combate à corrupção. O dinheiro recuperado precisa voltar para quem pagou a conta. Precisa virar pedágio mais barato, estrada segura e obra que melhora a vida das pessoas. Eu já fiz isso quando enfrentei empresas e políticos poderosos. Por isso, não chego ao Senado apenas com uma promessa. Chego com experiência e resultado comprovado. Quero levar ao Senado o mesmo método: seguir o dinheiro, fiscalizar os contratos, cobrar os responsáveis e mostrar à população o que foi entregue. Vou usar requerimentos, audiências, convocações e investigações para enfrentar atrasos, cobranças abusivas e obras que ficam só no papel. Promessa qualquer político faz. Eu apresento recibo. E meu compromisso é fazer Brasília respeitar o Paraná e devolver ao cidadão, em estrada e desenvolvimento, o dinheiro que sai do seu bolso”.
Filipe Barros
“Com exceção do trabalho do Sergio Moro, o Paraná não teve protagonismo de seus outros dois senadores nos últimos anos. É necessário termos em Brasília três senadores que de fato defendam nosso estado, ajudando a resolver problemas históricos como os gargalos logísticos que Campo Largo e toda a Região Metropolitana de Curitiba ainda sofrem. Ao mesmo tempo, é preciso mais recursos, por isso é urgente revermos o pacto federativo. O Paraná continua arrecadando muito e recebendo pouco. Só conseguindo a fatia justa dessa divisão é que obras estruturantes saem do papel”.