O reconhecimento de Campo Largo como Capital Nacional da Louça agora é oficial com a sanção assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (02) a Lei nº 15.453/2026. A medida consolida, em âmbito federal, uma identidade construída ao longo de mais de um século de tradição cerâmica e reconhece a importância econômica, histórica e cultural da produção de louças para o Brasil.
A nova lei entrou em vigor na própria data de publicação e encerra a tramitação do Projeto de Lei nº 2.896/2024, apresentado pelo deputado federal Paulo Litro a pedido do Sindicato das Indústrias de Vidros, Cristais, Espelhos, Cerâmica de Louça, Porcelana, Pisos e Revestimentos Cerâmicos no Estado do Paraná (Sindilouça/PR). A proposta percorreu todas as etapas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, onde recebeu aprovação sem emendas ou manifestações contrárias.
"Com a sanção presidencial, essa conquista passa a fazer parte oficialmente da história de Campo Largo. É o encerramento de um trabalho que começou há mais de dois anos e que mobilizou muitas pessoas e instituições em torno de um objetivo comum. Por isso, além de celebrarmos esse reconhecimento, fazemos questão de agradecer a todos que contribuíram para que esse projeto se tornasse realidade, como o ex-presidente da Câmara Municipal, João D'Água; o atual presidente da Câmara, Alexandre Guimarães, que seguiu com esse trabalho; o prefeito Mauricio Rivabem; o secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Pedro Parolin Teixeira; o responsável pelas Relações Governamentais da Fiep, Sandro Parente, que teve papel importante na articulação em Brasília; os deputados federais Paulo Litro, autor do projeto; Beto Richa, relator da proposta; e Luiz Nishimori que auxiliou na defesa do mesmo; além do senador Sérgio Moro, que contribuiu para o avanço da matéria no Senado Federal, senador Flávio Arns e a senadora Teresa Leitão, presidente da Comissão de Educação e Cultura (CE) do Senado Federal", declara o presidente do Sindilouça, Fábio Germano.
O título reconhece uma vocação que faz de Campo Largo a principal referência nacional na produção de louças profissionais. Atualmente, o município responde por cerca de 75% da produção brasileira destinada aos setores de hotelaria, gastronomia e alimentação, concentrando indústrias reconhecidas internacionalmente, gerando milhares de empregos diretos e indiretos.
"Agora inicia-se uma nova etapa, pois esse reconhecimento fortalece nossa identidade, amplia a visibilidade do setor e cria novas oportunidades para promover a indústria, incentivar o turismo e valorizar ainda mais a Feira da Louça e toda a cadeia produtiva. É uma conquista coletiva que pertence a cada trabalhador, empresário e cidadão campo-larguense que ajudou a construir essa história", ressalta o presidente.
Das olarias ao reconhecimento nacional
A trajetória que consolida Campo Largo sob o título oficial celebrado hoje remonta à década de 1920, quando os primeiros registros na Associação Comercial do Paraná oficializaram a União Manufactora de Louças, da empresa Santos, Rocha & Cia, que já distribuía sua produção para todo o território nacional. Essa vocação industrial foi impulsionada pela chegada de famílias de imigrantes italianos originárias de Nove, na região do Vêneto - localidade conhecida tradicionalmente como a Capital da Louça na Itália. A bagagem técnica e a experiência trazidas por esses pioneiros estabeleceram as bases para a fundação de empresas emblemáticas, como a Fábrica de Louças dos Munari & Cia e as cerâmicas Campo Largo, Iracema e Iguassú, estruturando um parque fabril robusto que cedo despertou a atenção e o reconhecimento de pesquisadores de grandes centros acadêmicos, como a Universidade de São Paulo.
Com o passar das décadas, o município vivenciou a transição e o amadurecimento de dois grandes ciclos produtivos: o da cerâmica e, a partir dos anos 1950, o da porcelana. Marcas de prestígio global, como Germer e Schmidt, fincaram raízes na região, expandindo as fronteiras comerciais da cidade. Já em 1957, as páginas da imprensa paranaense consagravam o slogan de “Terra da Louça” para designar a localidade, identidade que ganhou projeção internacional em 1960 com o início das exportações para os Estados Unidos. Um dos marcos desse período, registrado pela própria Folha de Campo Largo, foi o transporte de 1.200 jogos de jantar produzidos pela Steatita até o Porto de Paranaguá, consolidando o embarque definitivo do nome do município para outros continentes e oceanos.
Mais do que um resgate histórico, o título atual reflete um impacto socioeconômico contínuo, pautado por um setor que gera milhares de empregos diretos e equilibra de forma única a alta tecnologia industrial e o cuidado do trabalho artesanal. Essa força ganhou sua maior vitrine nacional em dezembro de 1991, com a realização da primeira Feira Nacional da Louça e da Cerâmica, montado sob lona nos terrenos da antiga Cerâmica Parolin. O evento demonstrou o pioneirismo local e selou o reconhecimento de Campo Largo como um dos principais polos produtores do país, justificando plenamente a oficialização que hoje coroa essa história.
33ª Feira da Louça de Campo Largo
A primeira grande celebração da conquista acontecerá durante a 33ª Feira da Louça de Campo Largo, programada para ocorrer entre os dias 03 e 13 de setembro, no City Center Outlet Premium. A edição deste ano será a primeira realizada após a oficialização do título e deverá contar com uma programação especial voltada para a gastronomia, stands maiores, reunindo indústrias, lojistas, artesãos e visitantes de diversas regiões do país.