Campo Largo aparece entre os municípios paranaenses com maior área de vegetação nativa suprimida em 2025, segundo dados do Relatório Anual do Desmatamento (RAD), divulgado pelo MapBiomas. O município registrou 29,59 hectares de área com alertas de desmatamento ao longo do ano.
Os dados revelam um crescimento expressivo em relação aos últimos anos. Em 2024, Campo Largo havia registrado apenas 1,6 hectare de área suprimida. Já em 2025, o número saltou para 29,59 hectares, um aumento de aproximadamente 1.749%.
A série histórica recente do município mostra oscilações ao longo do período analisado pelo MapBiomas. Em 2019, foram registrados 6,56 hectares de supressão de vegetação nativa; em 2020, 26,27 hectares; em 2021, 10,82 hectares; em 2022, 4,03 hectares; em 2023, 8,43 hectares; e em 2024, 1,6 hectare. O índice de 2025 é o maior já registrado no município desde o início da série histórica recente monitorada pela plataforma. Somados, os alertas de supressão de vegetação nativa em Campo Largo totalizam 87,30 hectares entre 2019 e 2025, área equivalente a aproximadamente 122 campos de futebol.
Outro dado que chama atenção é a concentração dos alertas em dezembro de 2025. Somente no último mês do ano foram detectados 16,4 hectares de supressão vegetal no município, o equivalente a mais da metade de toda a área registrada ao longo do ano.
A Folha de Campo Largo entrou em contato com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que respondeu algumas questões levantadas em decorrência dos dados apresentados pelo MapBiomas e ressaltou, por meio de nota, que acompanha, de forma permanente, os dados e os alertas disponibilizados por plataformas de monitoramento ambiental, como o MapBiomas Alerta, reconhecendo a importância dessas ferramentas para subsidiar ações de planejamento, fiscalização e preservação ambiental.
“Cumpre esclarecer que os alertas emitidos por plataformas como o MapBiomas, o Programa Brasil Mais, da Polícia Federal, e o PRODES se referem, prioritariamente, a indícios de desmatamento ilegal, uma vez que os sistemas realizam correlação de dados com o Sinaflor – Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais. Dessa forma, autorizações florestais regularmente emitidas pelos órgãos ambientais competentes não integram os alertas disponibilizados por essas plataformas”, esclarece.
A SMMA acrescenta ainda que as intervenções relacionadas ao corte de vegetação exótica, como plantios de pinus e eucalipto, também não são objeto dos alertas emitidos pelo MapBiomas, considerando que o monitoramento possui foco prioritário na supressão irregular de vegetação nativa.
Nos casos de supressão de vegetação nativa, especialmente em áreas de maior relevância ambiental, a pasta esclarece que a competência para licenciamento e fiscalização é, em grande parte, atribuída ao Instituto Água e Terra (IAT), órgão ambiental estadual responsável pela emissão das autorizações ambientais dessa natureza, bem como pelo acompanhamento das plataformas de monitoramento ambiental. Assim, o Município não possui, neste momento, acesso consolidado a todos os processos estaduais eventualmente vinculados aos alertas apontados.
“O município de Campo Largo possui extensa área territorial, circunstância que torna desafiadora a fiscalização integral de todas as áreas suscetíveis a intervenções ambientais, tornando os sistemas de alerta importantes ferramentas de apoio às ações fiscalizatórias dos órgãos competentes”, pontua.
Por fim, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente reforçou também que vem atuando de forma contínua na fiscalização ambiental, no acompanhamento de denúncias e na promoção de políticas públicas voltadas à preservação e à recuperação ambiental, incluindo ações de arborização urbana, recuperação de áreas degradadas, educação ambiental, fortalecimento da coleta seletiva, proteção de nascentes e incentivo à regularização ambiental.
“Em relação aos alertas específicos registrados no ano de 2025, a Secretaria irá aprofundar a análise técnica junto às equipes responsáveis, bem como solicitar informações complementares às plataformas e aos órgãos competentes, incluindo MapBiomas, PRODES e Programa Brasil Mais, a fim de verificar a situação individualizada de cada ocorrência apontada”, finaliza a nota.
Situação do Paraná
O levantamento apontou ainda que o Paraná voltou a apresentar crescimento na área desmatada em 2025, na contramão da tendência nacional. Enquanto o Brasil reduziu a devastação em 20,6% no período, o estado registrou aumento de 59% em relação a 2024.
Segundo o relatório, o Paraná passou de 430 hectares desmatados em 2024 para 684 hectares em 2025, área equivalente a aproximadamente 958 campos de futebol. Apesar do aumento registrado no Paraná, o estado ainda representa apenas 0,1% da área total desmatada no país. Na Mata Atlântica, bioma predominante no território paranaense, a redução nacional foi de 4,7% em 2025.
Grande parte desse aumento está relacionada à implantação do reservatório do Miringuava, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Apenas o empreendimento respondeu por 188 hectares de supressão de vegetação nativa, o equivalente a cerca de 269 campos de futebol. A Sanepar divulgou nesta semana que desde o início da construção do reservatório Miringuava, a companhia atua com estratégias de recuperação ambiental na área. Além do resgate da flora e da fauna, é feito o plantio de mudas para restaurar as áreas. Até o momento, 250 mil mudas de 35 espécies diferentes já foram plantados em 112 hectares.
Conforme divulgado pela Prefeitura de São José dos Pinhais, o reservatório será a quinta área de reserva de água potável destinada ao abastecimento de aproximadamente 650 mil pessoas de Curitiba e Região Metropolitana.
Além de São José dos Pinhais, aparecem entre os municípios com maiores áreas detectadas Cerro Azul (32,23 hectares), Campo Largo (29,59 hectares), Prudentópolis (29,09 hectares) e Colorado (21,38 hectares).
O MapBiomas Alerta é uma plataforma que valida e refina alertas de supressão de vegetação nativa em todos os biomas brasileiros por meio de imagens de satélite de alta resolução. O sistema ressalta, porém, que os alertas não representam automaticamente irregularidade ambiental ou desmatamento ilegal. A análise sobre legalidade, responsabilidade e eventuais autorizações ambientais cabe aos órgãos competentes. De acordo com o próprio MapBiomas, os dados divulgados para o ano corrente ainda podem sofrer alterações futuras, conforme novos alertas sejam processados e consolidados.