Opinião

Direitos trabalhistas não podem ser palanque eleitoral

Direitos trabalhistas não podem ser palanque eleitoral

A aprovação da PEC que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e abre caminho para o fim da escala 6x1 foi recebida por muitos brasileiros como uma conquista histórica. O trabalhador brasileiro enfrenta jornadas cansativas, longos deslocamentos, pressão crescente e cada vez menos tempo para a família, descanso e qualidade de vida, então defender melhores condições de trabalho não é partidário, mas é legítimo, necessário e humano.
O problema começa quando uma discussão tão complexa passa a ser tratada apenas como slogan político ou ferramenta eleitoral. A sensação que fica é que parte da classe política decidiu vender uma solução simples para um problema extremamente delicado, sem apresentar de forma clara quem pagará a conta dessa mudança, onde no discurso, todos defendem o trabalhador, mas, na prática, as decisões econômicas mal planejadas costumam atingir justamente quem mais depende do emprego para sobreviver.
É preciso reconhecer que reduzir jornada sem aumento proporcional de produtividade gera impacto direto sobre os custos das empresas. Pequenos mercados, restaurantes, farmácias, hotéis, academias e tantos outros setores que dependem de operação contínua terão dificuldade para absorver um aumento repentino na folha salarial, pois uma empresa não funciona apenas com boa intenção ou discurso ideológico, mas precisa fechar as contas no fim do mês para continuar empregando. O alerta feito pelo sociólogo José Pastore merece ser levado a sério, pois quando o custo da operação sobe abruptamente, existem poucos caminhos possíveis, visto o aumento de preços, redução de quadro, automação ou informalidade, onde nenhum deles beneficia plenamente o trabalhador. 
Isso não significa defender jornadas exaustivas ou ignorar a necessidade de modernizar as relações de trabalho, pois o próprio debate mostra que existem empresas conseguindo implementar modelos mais equilibrados com planejamento, reorganização operacional e ganho de eficiência. O ponto central é que mudanças estruturais precisam vir acompanhadas de produtividade, redução da carga tributária, segurança jurídica e liberdade de negociação entre empresas e trabalhadores. Sem isso, a conta inevitavelmente retorna para a sociedade.
O trabalhador brasileiro merece mais descanso, dignidade e qualidade de vida, mas também precisa de estabilidade econômica, inflação controlada e empregos sustentáveis. Não existe justiça social verdadeira quando empresas fecham as portas, deixam de contratar ou migram para a informalidade. Proteger o emprego é tão importante quanto proteger o trabalhador, porque uma coisa depende diretamente da outra. O debate sobre a escala 6x1 não deveria ser conduzido como disputa ideológica entre “quem gosta” ou “quem não gosta” do trabalhador. O verdadeiro desafio está em encontrar equilíbrio. Um país cresce quando consegue conciliar desenvolvimento econômico com valorização humana, sem populismo, sem improviso e sem transformar temas complexos em instrumentos eleitorais.

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