O Governo do Paraná concluiu o novo Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana de Curitiba, o PDUI-RMC, documento que vai orientar o crescimento dos 29 municípios pelos próximos 10 anos. A proposta será encaminhada à Assembleia Legislativa.
Elaborado com a participação de mais de 220 técnicos, instituições e consultas públicas, o plano atualiza diretrizes que estavam defasadas há duas décadas e passa a integrar áreas como mobilidade, meio ambiente, habitação, desenvolvimento econômico e uso do solo.
Segundo informações oficiais divulgadas nesta segunda-feira (16), o objetivo é garantir crescimento equilibrado, reduzir desigualdades e melhorar a infraestrutura regional. A Região Metropolitana de Curitiba concentra cerca de um terço da população do Paraná e responde por mais de um terço da economia estadual.
Campo Largo no PDUI
A reportagem analisou o Caderno Síntese/P9 Volume 1, da Fase 06, disponível no site oficial do PDUI/RMC. A partir do documento, reunimos os principais trechos que citam Campo Largo. Dentro do novo planejamento, Campo Largo faz parte do chamado Núcleo Urbano Central e segue classificada no primeiro nível de integração com Curitiba. Esse grupo reúne os municípios mais conectados em termos econômicos e urbanos, com forte influência no funcionamento da região como um todo. Campo Largo integra a RMC desde sua criação, em 1973, e participou das discussões recentes sobre o recorte metropolitano, incluindo oficinas realizadas em 2025.
Sobre o crescimento populacional e expansão urbana, o plano aponta que Campo Largo está entre os municípios que mais cresceram dentro do núcleo urbano central nos últimos anos. Entre 2010 e 2022, a população aumentou 21,5%, passando de pouco mais de 112 mil para 136 mil habitantes. Em 2000, eram cerca de 92 mil moradores.
Esse avanço acompanha a expansão da mancha urbana da região, que já ultrapassa os limites definidos nos planos anteriores. O crescimento em direção ao eixo sul da metrópole inclui Campo Largo e municípios vizinhos, indicando um processo contínuo de conurbação. Ao mesmo tempo, o diagnóstico aponta a necessidade de conter a ocupação dispersa no entorno do núcleo urbano, para evitar expansão desordenada.
Na área de mobilidade, o PDUI aponta Campo Largo como ponto relevante para a circulação de cargas e integração regional. Entre as obras consideradas prioritárias está a duplicação da PR-423, no trecho entre Araucária e Campo Largo, além de melhorias em rodovias como a BR-277.
O plano também indica que novas concessões rodoviárias devem separar o tráfego de cargas dos deslocamentos urbanos, o que tende a melhorar a fluidez e a segurança. Apesar das perspectivas, o diagnóstico traz um alerta importante. Campo Largo registra índices elevados de mortes no trânsito, acima de 30 por 100 mil habitantes, um dos maiores da região.
O crescimento urbano também pressiona a área habitacional. Campo Largo aparece entre os municípios com predominância de assentamentos informais dentro da região. O levantamento aponta aumento expressivo desse tipo de ocupação nos últimos anos em toda a RMC, com crescimento tanto no número de áreas quanto de moradias.
Por outro lado, o município é citado como um dos poucos que possuem legislação específica para Zonas Especiais de Interesse Social, instrumento importante para regularização fundiária.
Campo Largo mantém papel relevante na economia regional, especialmente no setor mineral e industrial. O município é um dos principais polos de minerais não metálicos da região, com destaque para a produção de cerâmica e porcelana. Além da indústria, o plano também reconhece o valor histórico da cidade, que abriga o Museu do Mate, instalado no antigo Engenho da Rondinha, tombado pelo IPHAN.
Na área ambiental, o PDUI propõe ajustes nas áreas de mananciais, incluindo a redução de áreas de manancial no município. A proposta busca equilibrar proteção ambiental com desenvolvimento urbano e econômico. Mesmo com possíveis reduções, o Aquífero Karst permanece como elemento estratégico e sujeito a controle.
Também foram identificados conflitos de uso do solo nas divisas com municípios vizinhos, como Araucária e Balsa Nova, o que exige maior integração no planejamento territorial.
Plano propõe integração, mas abre
debate sobre novo desenho da região
Além das diretrizes técnicas, o PDUI traz a possibilidade de revisão do próprio formato da Região Metropolitana. O documento apresenta cenários em que alguns municípios podem deixar de integrar formalmente a região metropolitana, com o argumento de ampliar a autonomia local sem impedir o acesso a recursos estaduais.
Mesmo nesses cenários, os municípios continuam aptos a receber recursos estaduais e podem manter articulações por meio de consórcios intermunicipais, associações regionais e fóruns de integração econômica.
Outro ponto importante é a atualização do Núcleo Urbano Central proposta no PDUI. O perímetro foi definido em 2000 e revisado nos planos seguintes, mas acabou defasado diante da expansão urbana dos últimos 20 anos.
A nova delimitação, proposta pela Amep em 2025, inclui novas urbanizações em municípios como Fazenda Rio Grande, Mandirituba e São José dos Pinhais, além de áreas urbanizadas e novos loteamentos em outras cidades da região. Em contrapartida, áreas rurais de Campo Largo e Araucária foram retiradas da demarcação.
O NUC é composto atualmente por Curitiba e outros municípios do entorno, incluindo Campo Largo, que seguem concentrando a maior parte da população e das atividades econômicas da região.
Entenda o que é o PDUI e o que muda na prática
O Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado é o principal instrumento de planejamento das regiões metropolitanas brasileiras, previsto no Estatuto da Metrópole. O plano define diretrizes para áreas consideradas de interesse comum, como transporte, habitação, meio ambiente e desenvolvimento econômico.
No caso da Região Metropolitana de Curitiba, o novo plano organiza mais de 100 ações estratégicas com foco em integração do transporte coletivo, regularização de áreas urbanas, ampliação de infraestrutura, preservação ambiental e geração de emprego e renda.
O documento também reforça a necessidade de planejamento conjunto entre os municípios. “O crescimento das cidades exige integração. Nenhum município se desenvolve de forma isolada”, afirmou o governador em exercício Darci Piana.