Quinta-feira às 26 de Fevereiro de 2026 às 03:23:10
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Funcionários terceirizados relatam atrasos de salários e benefícios no Hospital Waldemar Monastier

Funcionários terceirizados relatam atrasos de salários e benefícios no Hospital Waldemar Monastier

Trabalhadores dos serviços gerais que atuam no Hospital Infantil Waldemar Monastier procuraram a Folha de Campo Largo para denunciar à reportagem atrasos recorrentes no pagamento de salários, vale-alimentação, vale-transporte e depósitos de FGTS. Os serviços são prestados por meio de empresa terceirizada, que, segundo os relatos, encerrará o contrato nesta sexta-feira (14).

A Funeas fazia o pagamento à empresa contratada dentro do prazo, porém, a empresa responsável pelos colaboradores terceirizados não teria efetuado o repasse dos valores na data estipulada para pagamento dos salários, ocasionando atrasos.

De acordo com os funcionários, os atrasos ocorrem desde o início do contrato, firmado em fevereiro do ano passado. Um dos trabalhadores afirma que a situação se repete mês a mês. “Quase todos os pagamentos foram feitos depois do dia 10 ou 14. Teve mês em que funcionários ficaram sem receber e a empresa não respondia as mensagens.”

Segundo o relato, houve necessidade de intervenção da direção do hospital para viabilizar um dos pagamentos recentes. “A diretora geral precisou intervir para que o salário fosse pago. Até então, nada tinha sido resolvido”, disse.

Os trabalhadores também afirmam que benefícios vêm sendo pagos fora do prazo. “O vale-alimentação e o vale-transporte atrasam sempre. Tem gente que depende disso para conseguir ir trabalhar. Sem contar que há descontos indevidos. Por exemplo, descontaram vale-transporte até de quem não utilizava e não houve devolução.”

Outra queixa dos trabalhadores para a Redação envolve o FGTS. Conforme os relatos, os depósitos não estariam sendo realizados de forma regular. Há ainda registros de problemas com empréstimos consignados vinculados à Carteira de Trabalho Digital. Segundo os trabalhadores, as parcelas são descontadas em folha, mas não estariam sendo repassadas às instituições financeiras. “O valor é descontado no holerite, mas não chega ao banco. Aí começam as cobranças”, disse uma funcionária.

As dificuldades operacionais para recebimento dos valores também foram motivos de reclamação por parte dos trabalhadores. Eles afirmam que foram orientados a abrir conta em banco específico, mas os depósitos não ocorreram nessa modalidade, e pedidos de troca de conta teriam sido negados pelo Recursos Humanos da empresa terceirizada.

 

Demissões e medo

Parte dos empregados que deixaram a empresa afirma não ter recebido corretamente as verbas rescisórias. “Pedi demissão depois de vários atrasos e ameaças. Assinei a rescisão, mas até hoje não recebi o acerto”, disse uma ex-funcionária à Folha.

Os relatos incluem ainda alegações de coação, com a informação de que, no grupo de mensagens, responsáveis falavam em “advertência se alguém denunciasse ou chamasse a imprensa”.

 

Posicionamento da SESA/FUNEAS

A reportagem solicitou posicionamento da Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná (FUNEAS), responsável pela gestão, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, sobre as denúncias e sobre eventuais medidas adotadas em relação ao contrato, que respondeu por meio de nota, disponível na íntegra: “A Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná (Funeas) informa que foram constatadas irregularidades, por meio da fiscalização contratual, referentes ao pagamento dos funcionários terceirizados da empresa. A empresa foi devidamente notificada para a regularização das pendências. O contrato de prestação de serviços da empresa junto ao Hospital Infantil Waldemar Monastier, em Campo Largo, se encerra em 14 de fevereiro de 2026.

Com a finalização do contrato e em razão da natureza da contratação, bem como das irregularidades constatadas, não ocorrerá a renovação com esta empresa. Uma nova empresa assumirá o contrato.

A Funeas reitera que todos os repasses financeiros devidos à empresa foram efetuados regularmente e dentro dos prazos contratuais. Ainda, conforme verificado junto aos colaboradores da empresa, os salários referentes à competência de janeiro foram pagos na data de 10 de fevereiro de 2026.

Os funcionários que não concordarem com os valores pagos pela empresa devem buscar solução com o empregador ou outros meios legais”.

A Folha também buscou contato com a empresa responsável pelos serviços prestados no hospital e contratação da equipe, porém não obteve resposta. O espaço fica aberto para eventuais esclarecimentos a cerca do caso.