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Tristeza e grande comoção marcam o velório coletivo de quatro vítimas do grave acidente na BR-116

Tristeza e grande comoção marcam o velório coletivo  de quatro vítimas do grave acidente na BR-116

A Folha de Campo Largo acompanhou, na manhã desta terça-feira (06), o velório coletivo de quatro das seis vítimas, moradoras de Campo Largo, do grave acidente ocorrido na madrugada de segunda-feira (05), na BR-116, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba.

O velório dos passageiros Airton de Mattos, de 92 anos, Idezio Simão da Silva, de 62 anos, Cleide Salvador Machado da Silva, de 61 anos, e Andreia Fagundes da Silva de Souza, de 48 anos, acontece na Vila Olímpica ao longo desta terça-feira, com sepultamentos marcados para acontecer no período da tarde. Já o velório do motorista da van, Ivanir Antônio Maziero, de 66 anos, está sendo realizado na Capela Mortuária Municipal de Campo Largo, e da passageira Adriana da Silva Machado, de 42 anos, acontece na sua cidade natal.

As vítimas estavam em uma van da empresa JM Transportes, que retornava de São Paulo após a participação em um culto religioso na igreja Congregação Cristã no Brasil (CCB), no bairro do Brás. O veículo foi atingido por um caminhão desgovernado que, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), havia sido roubado momentos antes do acidente. A carreta perdeu o controle, invadiu a pista contrária e tombou sobre a van.

Ao longo das conversas com pessoas participantes da cerimônia fúnebre, foi possível descobrir que Airton era um membro bastante antigo na CCB em Campo Largo, sendo considerado um grande conselheiro pelos fiéis. O casal Idezio e Cleide eram extremamente ativos nas mais diversas atividades propostas pela igreja, com grande atuação dela nas atividades propostas pelas mulheres e também na cozinha durante os eventos e confraternizações. Já Andreia, embora fosse membro da Igreja Assembleia de Deus, era grande amiga de muitos dos membros da CCB e era vista como uma mulher de muita fé e oração.

As idas para São Paulo, até a CCB do Brás, eram consideravelmente frequentes, para assistirem cultos e programações especiais, como batismos, por exemplo, além de conhecer a igreja que é a sede da Congregação no país.

 

Sobrevivência e dor

Em relato emocionante à Folha de Campo Largo, Ana, irmã de Cleide, uma das vítimas fatais, contou que a viagem havia sido tranquila, marcada por alegria e expectativa. Segundo ela, o motorista era cuidadoso e realizou diversas paradas durante o trajeto. Menos de meia hora antes do acidente, ele informou aos passageiros que faltavam menos de 200 quilômetros para a chegada em casa.

“A gente estava cochilando quando tudo aconteceu. Eu não cheguei a dormir completamente, só ouvi um barulho muito forte e, naquele momento, ninguém conseguia entender o que tinha acontecido. Foi um choque muito grande. As pessoas que sobreviveram começaram a se manifestar depois, tentando entender a situação. Eu só pensava em acalmar minha filha, dizendo para ela ficar tranquila”, conta Ana, que estava acompanhada de sua filha de apenas 07 anos, e que não sofreu nenhum ferimento.

Muito emocionada, ela comentou que ficou no local do acidente até o último momento. “Quando consegui sair, percebi que havia pessoas presas dentro da van e que o resgate ainda estava chegando. Foi um momento de muita angústia, porque a gente queria ajudar, mas não tinha como. Algumas vítimas ficaram presas e o atendimento levou um tempo até conseguir retirar todos. Eu permaneci ali até o final, esperando notícias dos meus familiares e dos meus amigos.”

No momento do acidente, a van transportava 20 passageiros, sendo que duas pessoas foram socorridas em estado grave (código 3), duas com ferimentos moderados (código 2) e as outras com ferimentos leves, sendo que entre às vítimas tem dois jovens de 19 e 22 anos. Os feridos foram encaminhados para hospitais da grande Curitiba. Entre os feridos está mais uma das irmãs de Ana, que está na UTI e precisou realizar uma cirurgia na região pélvica. Ana sofreu ferimentos no joelho. No velório, há outros passageiros sobreviventes ao acidente.

Diante da tragédia, a Prefeitura de Campo Largo decretou luto oficial de três dias e manifestou solidariedade às famílias, assim como a Câmara Municipal. A Congregação Cristã do Brasil em Campo Largo também divulgou nota de pesar, pedindo orações e união da comunidade neste momento de dor. O culto fúnebre acontecerá nesta terça-feira (06), às 15h, na Vila Olímpica.

Questionados sobre como é a compreensão da morte na visão dos fiéis da CCB, alguns dos presentes explicaram que enxergam este momento como necessário para alcançar a vida eterna ao lado de Deus. Entendem o período da morte como um sono profundo e aguardam, com esperança, a volta de Jesus, quando Ele virá buscar os Seus filhos que descansam.