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Pai no rock

O talento e o gosto pelo rock que ultrapassa gerações. Herbert Beraldo fabrica guitarras e baixos artesanalmente e conta da relação com o filho.

Pai no rock

13/08/2016

Por Caroline Paulart com supervisão de Danielli Artigas

Receber a notícia que será pai é uma das melhores sensações que um homem pode ter. A sensação de saber que logo terá um companheiro para a vida toda faz com que os pais realizem planos para o futuro e fiquem ansiosos para dividir aquilo que sabem com suas crianças.

Alegria, essa foi a sensação descrita por Herbert Beraldo ao descobrir que seria pai de Thales Beraldo. “Eu tinha 21 anos na época. Foi uma sensação incrível, indescritível e maravilhosa. E ainda é”, enfatiza. Fã de Rock e Blues, Herbert é músico e também fabrica guitarras e baixos artesanalmente. “Quando eu tinha 11 anos, ganhei meu primeiro violão dos meus pais. Eu tocava músicas que ouvia nas rádios FM, porque no final dos anos 70 e começo dos anos 80 quase não havia discos de bandas estrangeiras à venda. Com mais ou menos 17 anos de idade, escutei pela primeira vez ‘Cocaine’ do Eric Clapton, e aí ‘zerei tudo’ o que eu escutava antes.”

O músico conta que ele foi  fortemente influenciado pelo artista. “Para mim, ainda hoje Clapton é como um deus, é o maior músico e guitarrista de todos os tempos”, diz. Thales, por sua vez, recebeu como herança do pai o talento para tocar violão e guitarra e, assim como o ele, também começou a tocar seus primeiros acordes quando tinha 11 anos. “A iniciativa partiu de minha parte, porém com certeza foi devido à grande admiração que eu tinha por meu pai, que também é guitarrista. Foi ele quem deu as primeiras aulas. Vê-lo tocar e estar em contato com esse universo me influenciou muito. Justamente por ele ser músico, eu sempre tive acesso a instrumentos musicais e ele sempre me incentivou a aprender a tocar o instrumento”, lembra.

Herbert já participou de bandas e teve o prazer de dividir os palcos com o filho. “Já tocamos juntos em bandas e hoje ainda tocamos juntos em estúdio, mas não fazemos mais shows. Tocar com meu filho na mesma banda é sensacional, não poderia haver melhor entrosamento. E quando ele der uma desafinada leva um puxão de orelha”, diz o pai rindo.

“Quando eu tinha cerca de doze anos já estava começando a fazer algumas participações na banda Velhos Insanos, logo depois passei a tocar de verdade junto com eles. Hoje, ainda tocamos juntos e nos divertimos muito”, conta Thales. Entre as bandas mais ouvidas por pai e filho estão Aerosmith, Cream, Deep Purple, Free, Bad Company, Queen, Led Zeppelin.

Eles também dividem gosto por carros, filmes, jogos online, airsoft, entre outros. “Tenho uma relação excelente com o meu pai, sempre fomos mais do que apenas pai e filho, considero-o como um grande amigo. Ele me presenteou com meu primeiro videogame que, indiretamente, também foi um presente para ele mesmo”, declara Thales.

Para ver de perto seus ídolos, Herbert, Thales e seus familiares próximos, frequentam ao longo do ano vários shows de bandas nacionais e internacionais. “Vamos assistir em média de 10 a 15 shows por ano, em todo o Brasil”, diz o pai. “Acredito que um dos primeiros grandes espetáculos que assisti foi o da banda Whitesnake.

Os shows que considero mais marcantes até hoje foram David Gilmour, Queen, Rolling Stones e Kiss”, relembra Thales. Porém, a primeira vez que o Thales viu uma banda tocar, foi a de seu pai na Casa da Cultura em Campo Largo. “O primeiro show que o Thales assistiu foi na Casa da Cultura, ele devia ter uns quatro anos de idade, eu estava tocando com minha banda e havia outras também se apresentando. Lembro que ele gritava bastante”, lembra sorrindo.

Herbert espera que ainda demore um pouco, mas pretende passar para uma terceira geração todo o entusiasmo pela “boa música”, e será um “avô rockeiro”. Thales manda uma mensagem para Herbert e também para tantos outros, que assim como o pai dele, não deixam a cultura do Rock morrer.

“Gostaria de desejar ao meu pai um feliz Dia dos Pais e agradecer por tudo que sempre fez por mim. Sou grato também por ele ser uma grande inspiração em minha vida e me deixar usar todas as guitarras dele (risos). Um feliz Dia dos Pais a todos os pais rockeiros que continuam transmitindo a cultura do rock e mantendo o bom e velho rock n’roll sempre vivo”, finaliza.

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