Estudar e trabalhar fora do país é o sonho de muitos brasileiros. Apesar da alta do dólar, é possível conseguir bolsas concedidas a estudantes em instituições, onde o investimento é muito baixo. Outra alternativa é viajar pelo Ciência sem Fronteira, do Governo Federal, que permite o aprendizado de idiomas fora do país voltado para alunos de baixa renda do Ensino Médio e Superior.
A Folha conversou com dois campo-larguenses que contaram sobre a experiência de viver por alguns meses no exterior. Eduardo Balsanelli foi a trabalho e Valéria Mendes viajou para estudar, ambos para a Europa.
Trabalhar com pesquisas fora do país
Eduardo Balsanelli é professor substituto do Departamento de Bioquímica da Universidade Federal do Paraná e é formado em Biologia na UFPR, possui mestrado e doutorado em Bioquímica, PhD em Biologia Molecular. Ele viajou para a Inglaterra quando tinha 25 anos, em 2012, e morou um ano na cidade de Norwich. “Consegui financiamento do Ministério da Ciência e Tecnologia através do laboratório de pesquisa da UFPR em que trabalho, para um grande projeto de pesquisa, o qual incluía como objetivo envio de pessoal para capacitação no exterior.”
Eduardo trabalhou no John Innes Centre, um dos maiores centros de pesquisa em agricultura do Reino Unido e da Europa. O principal critério de escolha foi a excelência internacional em pesquisa na área. “A principal diferença que notei no trabalho com pesquisa no exterior é que só temos que nos preocupar com a pesquisa em si, e não perder tempo com burocracias sem fim. Mesmo assim, o nível da pesquisa é semelhante ao desenvolvido pelo grupo de pesquisa que participo na UFPR.”
Outro ponto abordado por Eduardo foi o contato com outras culturas e como foi influenciado positivamente por elas. “Aprender sobre outras culturas e interagir com elas é apaixonante, por isso viajar vicia tanto. A ideia que tenho é extrair o melhor destas diferenças para aplicar na minha vida. No caso específico da Inglaterra, a conhecida pontualidade e cordialidade dos ingleses me influenciaram muito”, conta. Além da Inglaterra, Eduardo conseguiu conhecer países como Alemanha, França, Itália, Holanda e Escócia.
Para diminuir a saudade de casa, ele recorria às redes sociais e também ocupava a cabeça trabalhando, passeando e praticando exercícios físicos para se distrair. “O que senti muita falta materialmente falando foi refrigerante de guaraná, sério! A maioria das outras coisas é possível ter acesso, mas a ideia é justamente mergulhar nas diferentes culturas, tendo várias experiências diferentes das que podemos viver aqui no Brasil.”
O professor diz que a viagem proporcionou a ele muitas mudanças, tanto no profissional como no pessoal. “Profissionalmente me permitiu obter colaborações científicas extremamente proveitosas e produtivas. Pessoalmente, adquiri maturidade em um ano, que levaria décadas. Isso inclui desde facilidade e eficiência para resolver problemas corriqueiros até como lidar com pessoas”, finaliza.
Estudar no exterior
Valéria Mendes é biomédica, formada também pela UFPR, e na época da viagem tinha 20 anos. Ela ficou seis meses estudando na Universidade do Porto, em Portugal, no ano de 2014. “Desde que iniciei o curso de biomedicina, em 2011, vi colegas de faculdade saindo para intercâmbio e sempre tive essa vontade de estudar fora. A oportunidade surgiu quando conheci o programa de Mobilidade Acadêmica da UFPR, em que o aluno é premiado com bolsa de estudos para cursar um semestre em alguma universidade parceira no exterior. Me inscrevi para concorrer a uma bolsa por este programa e fui contemplada.”
Ela escolheu Portugal pela facilidade com o idioma e também porque é um dos países com o menor custo de vida, o que a possibilitaria conforto durante o semestre. A Universidade do Porto é uma das melhores da Europa. Valéria cursou seis matérias lá e viu poucas diferenças com relação às universidades brasileiras. “As diferenças que posso citar são que os laboratórios de aulas práticas são muito bem estruturados e equipados e que a presença não é obrigatória nas aulas teóricas, somente nas aulas práticas”, conta.
A adaptação logo que chegou não foi nada fácil. “Encontrar um lugar para morar, descobrir como me locomover pela cidade e fazer matrícula na faculdade, tudo isso sozinha e em um país desconhecido não foi fácil. Com o tempo as coisas se ajeitaram e só o que pesou depois foi a saudade da família, o que eu tentava amenizar através de ligações e pelo Skype”, relembra.
Dentro do programa que ela participou, estavam inclusos passagens aéreas, seguro de viagem e uma bolsa-auxílio de 600 euros, que cobria a maioria das despesas. “O dinheiro da bolsa que eu recebia mensalmente foi suficiente para cobrir meus gastos e para as viagens que fiz pela Europa”, diz Valéria. Durante a sua temporada na Europa, Valéria conseguiu conhecer países como Espanha, França, Holanda e Bélgica.
Hoje, já formada, Valéria diz que sempre aconselha pessoas a ter experiência fora do país quando é possível. “É uma experiência única e muito enriquecedora que, além de acrescentar ao currículo, acrescenta mais ainda à vida pessoal, porque nos faz sair da zona de conforto e expandir nossos horizontes. Aos que estão se preparando para partir para um intercâmbio, eu aconselho que aproveite muito bem este tempo, que viva tudo o que há para viver com a consciência de que esta pode ser uma oportunidade única”, finaliza.