28/06/2016
Empregos, aumento da arrecadação dos municípios e novos negócios nos setores de comércio e serviços estão entre os principais impactos gerados pela nova fábrica de celulose e papel que a Klabin instalou em Ortigueira, nos Campos Gerais, e que será inaugurada nesta terça-feira (28). O governador Beto Richa participará da inauguração do empreendimento, que conta com o apoio do Governo do Estado, por meio do programa de incentivo fiscal Paraná Competitivo.
A fábrica em operação em março e tem capacidade para produzir 1,5 milhão de toneladas de celulose. O investimento, de R$ 8,5 bilhões, criou 1,4 mil empregos diretos e indiretos na região. É considerado o maior investimento privado da história do Paraná e consolida o novo ciclo de expansão industrial nos Campos Gerais. Desde 2011, a região já recebeu mais de R$ 10 bilhões em investimentos apoiados pelo Paraná Competitivo, com geração de mais de 15 mil empregos.
APRIMORAMENTO - A nova fábrica impulsionou os negócios de Cosme da Silva Oliveira Brito e da sua mãe Glacinda da Silva Oliveira, donos do restaurante da Glacinda. Durante as obras da Klabin, o estabelecimento chegou a vender 500 marmitas por dia para funcionários de empresas terceirizadas que atuavam no canteiro. Com o aumento dos pedidos, o número de funcionários passou de seis para 17. “Agora, com o fim da obra e o início da produção, o movimento deu uma acalmada, mas graças a esse período poderemos ampliar o negócio, com investimento em melhorias. Vamos aprimorar o cardápio e o ambiente”, diz Brito.
A Agroroque, empresa especializada em serviços de terraplanagem, abertura de estradas e locação de máquinas e equipamentos, sobrevivia de pequenos contratos até fechar negócio com a Klabin na área de reflorestamento. “Nosso trabalho é abrir as estradas para que a empresa possa retirar a madeira da floresta que será usada na fabricação de papel e celulose”, explica Amável Diniz Roque, proprietário da empresa.
De acordo com ele, a empresa cresceu junto com o empreendimento de Ortigueira. “Em 2012, tínhamos meia dúzia de funcionários. Agora temos 154. Mais de 90% dos nossos negócios estão relacionados à Klabin”, conta o empresário.
EMPREGO - Durante anos, Ortigueira sofreu com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e o êxodo da população para outras cidades em busca de novas oportunidades de emprego. A instalação da fábrica de celulose, porém, mudou o perfil de emprego, até então concentrado na atividade agropecuária. Durante o pico das obras, que duraram 24 meses, cerca de 14 mil pessoas chegaram a trabalhar nos canteiros. O número equivale a mais da metade da população do município, de 23 mil habitantes.
O técnico em papel e celulose Antônio Batista Neto, de 22 anos, é um exemplo dessa transição. Ele trabalhava na zona rural desde os 13 anos, como ajudante nas fazendas da região. Depois de ouvir, pelo rádio, o anúncio de que a Klabin ia fazer um teste seletivo na cidade, ele investiu para conseguir uma vaga. “Nunca imaginei chegar onde cheguei. Com uma crise como essa que o país vive, é um privilégio ter um emprego como esse”, diz ele, que já tem plano de fazer um curso superior para poder crescer dentro da empresa.
ATIVIDADES E SALÁRIOS - Em 2012 e 2013, as atividades de alimentação, comércio e agropecuária eram as que mais contratavam com carteira assinada em Ortigueira. “A partir de 2014, com o auge da obra da Klabin, outras atividades passaram a se destacar, ligadas à construção civil e à indústria”, lembra Suelen Glinski Rodrigues dos Santos, economista do Observatório do Trabalho da Secretaria da Justiça, Trabalho e Direitos Humanos. A maior oferta de empregos também teve reflexo nos salários. Em 2012 a faixa com maior saldo de empregos formais em Ortigueira era entre 0,5 e 1,0 salário mínimo. Em 2015, entre 1,51 e 2,0 salários.
A fábrica também trouxe benefícios para a vizinha Telêmaco Borba, de acordo com o prefeito, Luiz Carlos Gibson. “Como a unidade de Ortigueira fica próxima do município, muitos jovens encontraram o primeiro emprego na fábrica de Ortigueira”, diz. A fábrica que a Klabin já possui em Telêmaco Borba é responsável por 40% da geração de impostos do município.
PROJETO - A fábrica da Klabin, que começou a produzir em março, já opera a plena capacidade, de 1,5 milhão de toneladas de celulose. Com esta unidade, que é o maior investimento da história da empresa, a Klabin praticamente dobra de tamanho.
Do total da produção, 1,1 milhão de toneladas será de celulose branqueada de fibra curta (eucalipto) e 400 mil toneladas de celulose branqueada de fibra longa (pinus). De acordo com a empresa, a área florestal que fornece madeira para a nova fábrica está a 72 km, o que garante a competitividade e o baixo custo do transporte de madeira. Em abril, a fábrica fez a sua primeira exportação, de 20 mil toneladas, para a China.
AUTOSSUFICIÊNCIA - A nova fábrica também tem duas das maiores turbinas para geração de energia elétrica já fabricadas no mundo para a indústria de papel e celulose. A unidade tem capacidade de produzir 270 MW, sendo 150 MW excedentes (o suficiente para abastecer uma cidade de 500 mil habitantes), elevando a Klabin à condição de autossuficiência em geração de energia elétrica.
Governo investe para dar suporte ao crescimento gerado pela Klabin
O Governo do Estado faz investimentos para dar suporte ao crescimento da demanda desencadeado pela fábrica de celulose e papel da Klabin, instalada em Ortigueira, nos Campos Gerais, que será inaugurada nesta terça-feira (28). O empreendimento, de R$ 8,5 bilhões, apoiado pelo programa do governo estadual Paraná Competitivo, criou 1,4 mil empregos novos empregos e aumentou o movimento da economia na região.
Em parceria com a empresa, é executado um pacote de obras rodoviárias, que abrange 50,4 quilômetros de novas estradas, além da melhoria de outros 70 quilômetros - com terceiras faixas e ampliação de capacidade. Os investimentos somam R$ 239 milhões. Houve reforço, também, na área da energia, de estrutura de internet, em saúde e atendimento social.
RODOVIAS - Em agosto do ano passado, o governador Beto Richa, o presidente do Conselho de Administração da Klabin, Armando Klabin, e o diretor-geral da empresa, Fábio Schvartsman, inauguraram a obra de pavimentação da nova Estrada da Campina (PR-340), que liga Ortigueira e Telêmaco Borba.
Na mesma Estrada da Campina já foi concluído o alargamento das pontes sobre os rios Arroio Grande e Imbauzinho. Também estão prontas a pavimentação da Estrada Minuano (19 quilômetros), e as melhorias na Estrada Estratégica (21 quilômetros). Estão em andamento as obras de implantação da Estrada Margem Direita e a pavimentação da estrada de acesso à Ortigueira, de 13 quilômetros.
Em Telêmaco Borba, estão prontas a trincheira sob a PR–160 e a terceira faixa desta mesma rodovia. Está em andamento a ampliação da ponte sobre o Rio Tibagi.
Os investimentos da Klabin em melhorias viárias na região de Ortigueira e Telêmaco Borba estão sendo feitos por meio do crédito outorgado. A empresa aporta dinheiro na infraestrutura e, depois, obtém abatimentos sobre os créditos futuros do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviço (ICMS). “Essas parcerias permitem que as empresas invistam na infraestrutura, beneficiando toda a população”, afirma o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho.
LINHAS DE TRANSMISSÃO – A Copel está construindo a linha de transmissão entre as subestações Figueira e Ponta Grossa Norte, um investimento de R$ 67,8 milhões, que irá melhorar o fornecimento de energia para a região de Ponta Grossa. O atual circuito Figueira – Ponta Grossa Norte, que está em operação há quase 50 anos, dará origem a duas novas linhas de transmissão: Figueira – Klabin (46 km) e Klabin – Ponta Grossa Norte (96 km).
“O empreendimento é da Rede Básica de transmissão de energia e vai contribuir para um maior intercâmbio de energia entre as regiões Sul e Sudeste do Brasil, beneficiando o Paraná em época de estiagem no Estado”, diz o presidente da Copel Geração e Transmissão, Sérgio Lamy.
O projeto prevê a instalação dos novos circuitos operando na tensão 230 mil volts (kV) em três etapas distintas. Neste momento está sendo concluído o seccionamento da linha existente para conexão da fábrica de celulose. Num segundo momento, será reconstruído o trecho de linha entre Klabin e Ponta Grossa Norte e em um terceiro momento a reconstrução da rede entre Klabin e Figueira. As reconstruções ocorrerão entre 2016 e 2017.
Também será instalado um novo ponto de conexão na nova fábrica da Klabin Celulose, em Ortigueira. O reforço na rede vai permitir o atendimento adequado à demanda na nova fábrica da Klabin Celulose e favorecer uma das regiões de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado.
INTERNET - A instalação da Klabin levou a Copel Telecom a ampliar sua rede de fibra óptica para a região. Onze municípios da região de Ortigueira receberam a infraestrutura necessária para a oferta de internet residencial em banda larga e transmissão de dados em alta velocidade. A região já é atendida com produtos corporativas da Copel Telecom, que tem a Klabin entre seus clientes.
Segundo o Banco Mundial, cada 10% de rede de banda larga construída promove um crescimento de 1,2% do PIB. O investimento da Copel Telecom na região alcança R$ 3,4 milhões. Já está concluída a instalação em todos os municípios: Ortigueira, Telêmaco Borba, Curiúva, Sapopema, Congonhinhas, Reserva, Cândido de Abreu e Rio Branco do Ivaí, São Jerônimo da Serra, Imbaú, Tibagi.