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Mulheres multitarefas

Psicóloga explica que o acúmulo de tantas funções pode refletir no psicológico e também no físico feminino. Movimento feminista ganha espaço.

Mulheres multitarefas

15/03/2016

Conciliar filhos, cuidados com a casa, estudos, trabalho, relacionamentos amoroso e social, cuidar da saúde e da aparência é um grande desafio adotado pela grande maioria das mulheres neste século. A velha imagem da mulher que fica em casa com o jantar pronto, apenas esperando o marido chegar, dá espaço às mulheres fortes que sabem como se posicionar. Mas, o acúmulo de tantas funções pode refletir no psicológico e também no físico feminino.

A psicóloga Danieli Zuanazzi explica que um dos grandes responsáveis pela mudança das mulheres é o surgimento da pílula anticoncepcional, na década de 1960, que pode dar maior controle da natalidade feminina, dando a ela mais tempo e espaço em questões sociais, políticas, acesso à informação, entre outros. “ O direito ao voto também empoderou a mulher, que pode se sentir mais útil na sociedade. Através desses pequenos passos, a mulher percebeu que poderia dar conta de várias atividades e, a partir de então, não parou mais”, diz.

A especialista ainda conta que a mulher é naturalmente mais frágil que o homem, isso se dá por conta da genética e dos hormônios que possui. Entretanto, fatores sociais também influenciam na forma dela agir. “Se pensarmos nos homens e mulheres primitivos, eram os machos que precisavam ser mais fortes para irem à caça, defenderem seu bando e lutar, caso fosse necessário. Enquanto as mulheres se ocupavam mais em cuidar dos filhos. Com isso, as crenças de que ‘homem não chora’, ‘o homem é mais forte que a mulher’, ‘a mulher é o sexo frágil’ prevalecem há milênios. Portanto, é a soma entre genética e cultura que leva a mulher a ser mais emotiva”, explica.

A atendente administrativo Ivani Góis da Silva conta que sempre trabalhou fora e ainda tinha que conciliar o trabalho de mãe e dona de casa. “Você não pode parar um minuto, a vida vira uma correria, mas no final é muito gratificante. Meu marido foi sempre muito presente e sempre me ajudou, mas ainda assim exige muito da gente”, diz.

A psicóloga conta que a mulher multitarefas tem o lado positivo e também negativo. “Se uma mulher consegue ser multitarefa para ela será algo positivo e, provavelmente, ela se considerará uma pessoa realizada. De outro modo, outra mulher pode exercer as mesmas atividades e sentir-se esgotada, irritada e infeliz, podendo até ter sintomas físicos como dores no corpo, enxaqueca, doenças de pele, entre outros, ocasionadas pelo estresse; bem como doenças psicológicas como depressão, transtorno do pânico e fobias”, esclarece Danieli.

Feminismo em pauta
O feminismo ganhou muito espaço na mídia de alguns tempos para cá. Movimentos que surgiram na internet para defender os direitos da mulher e tentar diminuir atos de violência contra elas ganham cada dia mais seguidoras. É possível encontrar páginas e blogs que promovem fóruns de discussão com milhares de seguidoras.

A estudante universitária Bianca Correa de Mello é uma das adeptas do movimento e diz que a internet dá maior visibilidade ao movimento feminista. “Muitas pessoas ainda não conhecem o real sentido do feminismo, muitos acham que o feminismo prega o ódio, prega a dominação das mulheres sobre os homens, mas não. Nós defendemos a equidade de gênero, o respeito pela mulher e seu corpo, a liberdade da mulher e pelo fim da dominação de um gênero sobre outro”, esclarece.

O movimento enfrenta resistência da população mais conservadora, mas Bianca mostra que o ideal delas é de defesa. “Enfrentamos a resistência porque a sociedade estava acostumada a fechar os olhos para todas as nossas lutas, e hoje lutamos mais do que nunca para que tenhamos o respeito merecido”, alega. “Na Constituição Federal homens e mulheres são iguais perante a lei, mas na prática é totalmente diferente, por exemplo, a cada uma hora 11 mulheres são estupradas, a cada 24 segundos há um espancamento e apenas 35% das violações são notificadas. Precisamos criar essa consciência na mulher, ela precisa do feminismo”, finaliza.

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