Alto preço das hortaliças assusta consumidores. Os preços poderão ficar ainda maiores nos próximos meses devido à temporada de chuvas
18/01/2016
Os consumidores levaram um susto ao chegar às casas de frutas e mercados e se depararem com preços tão altos. Consumir hortaliças ficou mais caro em função do mau tempo, marcado pelas chuvas desde o final do ano passado. O consumidor paga mais caro por produtos que, muitas vezes, apresentam qualidade inferior.
Sebastião do Carmo Vieira, proprietário da casa de fruta La Casa de Frutti, relata que nesses últimos seis meses houve aumento no preço das hortaliças. “Está caro e vai ficar pior. A alta chegou a 100 e 120% dos produtos, especialmente aqueles rasteiros como abobrinha, pepino, vagem e também a alface”, conta.
O produtor agrícola José Alvino Ronkoski, da Colônia Figueiredo, diz que a alta dos preços deve-se principalmente ao clima, marcado pelo excesso de chuva e também aumento do preço dos insumos agrícolas, que é diretamente influenciado pela cotação do dólar. “Houve um grande aumento no preço dos produtos por causa do clima. Com muita chuva não tem como preparar a terra, que fica suscetível ao ataque de fungos e pragas e acaba apodrecendo, estragando a plantação. A alta dos insumos agrícolas – como adubo, pesticida, ureia - também influenciou. Devido ao preço do dólar, está mais caro para comprar”, explica.
O cliente já tem sentido essa alta nos preços. A estudante de Odontologia Janaína Lima conta que já vinha sentindo essa mudança e que não tem como fazer substituição. “Do meio do ano passado pra cá, tudo subiu muito. Além do mais, os produtos também estão muito feios e machucados. Eu não consigo substituir os produtos que eu consumo por outros, porque tenho criança pequena, então sempre acabo comprando a mesma coisa em quantidade menor”, conta.
A camareira Irani de Souza Melo acredita que a pechincha é a melhor saída em tempos de crise. “Faço pesquisa e ando bastante, mas ainda assim vejo que está tudo muito caro. Quando não tem saída, eu pechincho mesmo. O tomate, por exemplo, que eu uso muito lá em casa, se eu vejo que tem muita caixa com o produto apodrecendo eu peço pra fazer por menos, quando não fazem eu levo uns três só. É a alternativa nessa época de crise. Eu ganho pouco e tenho o orçamento apertado”, relata.
O tomate vai continuar sendo um dos vilões. Em 2015, chegou a registrar alta de até 114% no preço final e para esse ano não será diferente. O aumento também será percebido na compra do repolho. “O tomate já está caro e vai continuar subindo, porque é muito difícil recuperar a produção, chega a levar seis meses para se erguer. O repolho, que sempre foi um dos itens mais baratos para nós comprarmos, hoje se tornou mosca branca no comércio”, relata Sebastião Vieira.
O produtor José Alvino confirma que os produtos mais sensíveis e propensos à alta são o repolho, tomate e alface. “Esses três produtos são bem sensíveis e, por causa do fungo que contamina a terra, acabam sendo afetados. Não temos como segurar a praga e acabamos perdendo muita coisa. Registramos um prejuízo de aproximadamente cinco a seis mil plantas”, conta.
Continuará aumentando
José revela que essa elevação nos preços está acontecendo há seis meses e existe previsão de alta para fevereiro e março. “Isso só está sendo repassado agora para o consumidor, pois essa produção que está hoje nas casas de frutas foram colhidas quando ainda havia condições para o plantio, porém agora não há como o lavrador preparar a terra, isso dificulta e faz perder muito produto. Acredito que nos próximos dois meses irá subir ainda mais o preço, chegando entre 10 e 11% a mais”, diz.
Sebastião acredita que essa elevação persista por mais tempo ainda, tendo em vista que essa temporada de chuvas que tem atingido o estado se alastrará pelos meses de outono e inverno. Após esse período deve normalizar o preço e a produção dos produtos. “O que se deve levar em conta é que depois que passarem as chuvas, virá a época do inverno, que já prejudica muito a produção e só em setembro ela poderá voltar ao normal. Muitos produtos são plantados em estados como São Paulo e Minas Gerais, então além do prejuízo com a perda da mercadoria, ainda tem que somar os gastos com combustível e pedágio que estão cada vez mais caros”, conta.