Entra em vigor a nova ortografia da Língua Portuguesa. Ratificada em 2008, a nova ortografia da Língua Portuguesa agora é obrigatória.
08/01/2016
A nova regra para a ortografia da Língua Portuguesa, anunciada no ano de 2008, começou a valer desde o início deste ano. O novo padrão, que deixa muitas pessoas com dúvidas, foi assinado com a intenção de padronizar a escrita dos países que possuem a Língua Portuguesa como idioma oficial. Permite o melhor entendimento e intercâmbio entre os países, diminui gastos com a tradução de livros e facilita o acesso à consultas bibliográficas e tecnológicas.
A grande maioria das editoras, veículos de comunicação e o Plano Nacional do Livro Didático (PNLD) já se encontram dentro das novas regras desde 2009. Agora, essa norma será cobrada em concursos públicos, vestibulares e exames em geral, ou seja, até 2015, não se perdia nota pelo uso da escrita antiga, mas hoje serão feitos descontos caso o corretor encontre algum erro.
Jucimara Bora, professora de Língua Portuguesa do Colégio São Pedro e São Paulo e do Colégio Sagrada Família, explica que essa mudança atinge principalmente pessoas já alfabetizadas, que precisam estudar as novas regras para se interarem do assunto. “As regras em Língua Portuguesa são convencionais, mas muitas delas, devido às exceções, acabam confundindo. Quem foi alfabetizado com as regras antigas terá que se acostumar e recorrer à gramática quando tiver dúvidas. Não tem outra alternativa, tem que estudar”, enfatiza.
O acordo foi assinado em 1990 pela Comunidade de Países da Língua Portuguesa (CPLP), que na época era composto por sete países - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe - e hoje, com a participação de Timor Leste, soma-se oito. Cada país ficou responsável pela data de implementação em seu território. No Brasil, a lei foi ratificada em 2008, aplicada em 2009 e se tornaria obrigatória em 2013, o que foi adiado para 2016, dando um espaço de seis anos para o reconhecimento dos brasileiros.
Principais mudanças
No Brasil, a mudança atinge cerca de 0,8% do vocabulário do idioma. Uma das mudanças é a adição das letras “k”, “w” e “y”, que, apesar de apresentarem uso em algumas palavras, como nomes próprios e abreviações de medidas, estavam fora do alfabeto oficial brasileiro.
A acentuação sofreu várias alterações. O acento trema, utilizado na vogal “u” em palavras como linguiça e frequente, foi extinto e agora só é utilizado em nomes próprios. A mudança só atinge a ortografia das palavras, a pronúncia continua a mesma.
Foi retirado o acento circunflexo das terminações “eem”, como os verbos leem, veem, creem. Os ditongos abertos “ei” e “oi” também já não recebem acentuação em palavras paroxítonas (palavras com acento tônico na penúltima sílaba), tornando-se então ideia, plateia e paranoia. Caíram os acentos que diferenciavam palavras como pára/para, pêra/pera, pêlo/pelo, péla/pela e pólo/polo.
Jucimara ensina alguns “macetes” para quem ainda não está atento às mudanças na acentuação de palavras. “As palavras que perderam o acento usado para a diferenciação serão entendidas pelo contexto. As paroxítonas não recebem acento em ei e oi, então é só lembrar que assembleia não tem mais acento, então todas as eias também não terão. O “oi” é só lembrar da sílaba forte de heroico; se equivaler, também não acentua. E para vogais duplas, é só lembrar que o acento caiu”, explica.
O hífen agora deixou de ser usado em dois casos, quando o término da primeira palavra é vogal e o início da segunda também. Por exemplo auto-escola passou a ser autoescola.
Quando a segunda palavra começa com as letras “r” ou “s”, estas letras são duplicadas, como por exemplo “anti-rugas”, que agora é “antirrugas”. Caso a primeira palavra termine em “r” e a próxima inicie com essa letra, prevalece o hífen. Exemplo: super-resistente.
Para o hífen, ela dá uma dica bem simples. “É só lembrar da Física, os opostos se atraem e os iguais se repelem. Ou seja, quando tiver duas letras diferentes há hífen, quando forem iguais elas ficam separadas. Mas tem que tomar cuidado com o H inicial, R inicial que entram em outra regra. Por tanto, recomendo que o hífen seja estudado mais a fundo”, recomenda.