04/07/2015
Porcelanas Schmidt reduz 20% da jornada e salários por 30 dias
04/07/2015
Porcelanas Schmidt reduz 20% da jornada e salários por 30 dias
04/07/2015
Por:Luis Augusto Cabral
Com estoque de produtos acabados para 60 dias, a Porcelanas Schmidt, maior produtora de louça de mesa do País, acaba de fechar acordo com seus mais de 900 funcionários e reduziu em 20% a jornada de trabalho, com igual redução salarial. A medida vale por 30 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 30, para todos os trabalhadores, nas plantas de Campo Largo e de Pomerode, Santa Catarina e da loja de Mauá, São Paulo.
A partir desta semana, a jornada de trabalho da Schmidt será de segunda a quinta-feira. Na sexta-feira a indústria não funciona, não haverá produção, e os trabalhadores terão a folga semanal ampliada. Roberto Lara, presidente da Schmidt, em entrevista exclusiva à Folha de Campo Largo, adiantou que espera não ser necessário prorrogar a medida e, em duas a três semanas, possa voltar à jornada normal.
Crise
Roberto Lara disse que a Schmidt emergiu da crise de 2010 e que teve um crescimento considerável, nos anos seguintes. “Em 2014 atingimos o ápice de produção e de vendas, retomando uma importante fatia do mercado nacional e internacional, que havíamos perdido com a crise”, explicou ele.
Lara lembra que a louça importada da China dominava 70% do mercado nacional, em 2010 e que essa participação caiu em 2014, ano em que a Schmidt retomou o mercado com força total, crescendo 43% em relação ao ano anterior. “A empresa se modernizou, trocou máquinas, equipamentos, fornos, porque estava 15 anos defasada. A qualidade dos nosso produtos, está entre as melhores do mundo. Por isso conseguimos competir e voltar ao mercado internacional. Voltamos a exportar para os Estados Unidos, México, Chile e Argentina. Europa ainda não, mas temos qualidade e podemos competir lá também”, explicou ele, adiantando que somente a crise econômica internacional interfere nessa competição.
A atual crise nacional, segundo Lara, é mais política do que econômica e tem um importante percentual psicológico, “os lojistas, em vista da queda das vendas, assustados, reduzem os pedidos das indústrias, e estas, com estoques elevados, são obrigadas a reduzir a produção, dar férias coletivas ou demitir. Nós preferimos não demitir, conversamos com os nossos trabalhadores, com os sindicatos, e propusemos esta fórmula, de reduzir a jornada de trabalho e os salários no mesmo percentual, medida que pode ser suspensa a qualquer sinal de melhora nas vendas”.
Para Lara, que se considera um otimista, “os alarmistas acham que a crise vai durar, eu não acredito, acho que será coisa de um, dois meses, e as vendas já serão retomadas, com a cegada do final do ano. No nosso setor, é natural uma queda das vendas, após o Dia das Mães, mas em junho elas já deveriam ter retomado o ritmo normal. Estamos trabalhando junto ao varejo, formando promotores de vendas, investindo forte nesse segmento, nas grandes, médias e pequenas lojas, nossos revendedores”.
Custos
Lara disse que a Schmidt voltou a produzir 1,5 milhão de peças/mês, está com sua matriz energética 100% a gás e, como qualquer indústria está sofrendo com o aumento dos preços dos insumos, gás, energia elétrica impostos. “Como disse, a crise de 2010 ficou para trás, hoje temos mais de 900 funcionários, dos quais 700 em Campo Largo, e não queremos perdê-los, por isso não vamos demitir ninguém”, acrescentou.
Paulo Andrade, presidente do Sindicato dos Trabalhadores, disse que a classe aceitou a proposta da Schmidt, que poderia demitir, mas preferiu reduzir a jornada e os salários, por tempo determinado. “É uma maneira da empresa atravessar a crise, sem problemas, e os trabalhadores manterem seus postos, seus empregos. A gente faz uma economia aqui, outra ali, e consegue passar”, disse ele.
A crise econômica nacional e mundial e a drástica queda nas vendas, não só na indústria de cerâmica, louça e porcelana, é apontada pelo sindicalista como um problema que todos devem enfrentar com coragem e boas idéias. Esta, de redução da jornada, segundo Paulo, é uma solução possível.