Saúde

Silêncio, o maior inimigo da mulher na menopausa

Falta de informação e de acompanhamento médico ainda fazem com que sintomas sejam naturalizados ou tratados como exagero

Silêncio, o maior inimigo da mulher na menopausa

A menopausa marca o encerramento da fase reprodutiva da mulher e corresponde à última menstruação espontânea. Nesse período, os ovários deixam de produzir, de forma progressiva, hormônios como estrogênio, progesterona e testosterona, provocando uma série de mudanças no organismo.

Embora seja uma etapa natural da vida, a menopausa ainda é cercada por dúvidas, tabus e falta de informação. Segundo uma pesquisa nacional realizada pela Ipsos, no Brasil cerca de 30 milhões de mulheres vivem atualmente o climatério ou a menopausa. Entre aquelas que apresentam sintomas, 44% não realizam nenhum tipo de tratamento.

Especialistas destacam que conhecer as transformações do próprio corpo e procurar orientação profissional são atitudes fundamentais para atravessar essa fase com mais qualidade de vida.

 

Sinais

A menopausa não acontece de forma repentina. Nos anos que antecedem a última menstruação, o organismo já pode apresentar alterações hormonais e sinais físicos e emocionais. Esse período é conhecido como climatério.

Entre os sintomas mais comuns estão ondas de calor, irritabilidade, insônia, alterações na distribuição da gordura corporal, perda de massa óssea e redução da libido. Também há aumento do risco de doenças cardiovasculares ao longo dessa fase.

Essas mudanças podem desencadear outros problemas que interferem diretamente na rotina. Cansaço, sensação de esgotamento e alterações no sono, por exemplo, podem comprometer a disposição e o bem-estar.

Com as mudanças hormonais e metabólicas, o organismo também pode apresentar maior dificuldade para processar açúcares e gorduras, favorecendo alterações no colesterol e contribuindo para o aumento do risco cardiovascular, incluindo infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

A intensidade e a duração dos sintomas variam de mulher para mulher. Enquanto algumas enfrentam alterações por vários anos, outras passam pelo climatério com poucos ou nenhum sintoma significativo.

 

Falta de orientação

Os dados da pesquisa da Ipsos também chamam atenção para a falta de informação. Cerca de 53% das mulheres entrevistadas relataram não ter recebido orientação médica adequada sobre a menopausa.

Além disso, metade das participantes apresentou queixas como insônia, cansaço, depressão, irritabilidade e perda de libido. Em muitos casos, esses sintomas foram desconsiderados ou tratados como “exagero” ou simplesmente como algo “normal” da idade.

Para especialistas, a naturalidade da menopausa não significa que os sintomas devam ser ignorados. A falta de acompanhamento pode fazer com que alterações que poderiam ser avaliadas e tratadas comprometam a qualidade de vida das mulheres.

A deslegitimação das queixas também pode ocorrer dentro de casa e no círculo social, contribuindo para que muitas mulheres permaneçam em silêncio diante das mudanças que estão enfrentando.

 

Informação e diálogo

Diante desse cenário, a Prefeitura de Campo Largo, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, reforça a importância de ampliar o debate sobre a menopausa e incentivar as mulheres a procurarem os serviços de saúde quando perceberem alterações.

A orientação é que sintomas persistentes sejam relatados aos profissionais de saúde. O diálogo é importante para identificar as necessidades de cada paciente e avaliar as possibilidades de acompanhamento e tratamento.

Entre as alternativas disponíveis para o controle dos sintomas está a Terapia de Reposição Hormonal (TRH), considerada uma das opções mais eficazes para determinadas mulheres. A indicação, entretanto, deve ser individualizada e feita por profissional de saúde, levando em conta o histórico e as condições de cada paciente.

Mais do que tratar sintomas, ampliar o acesso à informação e ao atendimento adequado é uma forma de garantir que a menopausa seja encarada como uma etapa natural da vida, mas que merece atenção, acompanhamento e cuidado.

O silêncio não precisa fazer parte dessa fase. Falar sobre menopausa, reconhecer os sinais do corpo e buscar orientação são passos importantes para preservar a saúde e a qualidade de vida.

 

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