Saúde

Aos 11 anos, Henrique enfrenta um tumor no quadril e mobiliza corrente de solidariedade em Campo Largo

Aos 11 anos, Henrique enfrenta um tumor no quadril  e mobiliza corrente de solidariedade em Campo Largo

O que começou como uma dor, associada às atividades no futebol e rotina de uma criança saudável, revelou uma mudança profunda na rotina da família de Henrique Rorbacher de Oliveira, de 11 anos. Apaixonado pelo esporte, cercado de amigos e conhecido por ser uma criança ativa e inteligente, ele hoje enfrenta um tratamento delicado contra um tumor ósseo localizado no quadril. A história tem mobilizado familiares, amigos e moradores de Campo Largo, que se uniram para ajudar a família durante esse período.
Segundo a mãe, Camila Rorbacher, os primeiros sintomas surgiram com queixas de dores na região da virilha. Como Henrique pratica futebol regularmente, a família acreditou inicialmente que pudesse ser consequência de alguma pancada durante os treinos ou brincadeiras. “Ele sempre foi muito ativo, gosta de jogar bola, brincar com os amigos. No começo pensamos que fosse apenas algum esforço físico mais intenso.”
Com o passar dos dias, Henrique começou a mancar. Como há histórico de problemas no quadril na família, Camila imaginou que pudesse haver alguma relação genética. Enquanto observava a evolução do quadro, fazia o tratamento da dor em casa, a mãe percebeu que o quadril do filho aparentava estar desalinhado e decidiu procurar atendimento médico.
Os primeiros exames, entre eles raio-X e exames de sangue, apontaram inicialmente um quadro compatível com bursite. No entanto, uma ultrassonografia mostrou uma irregularidade na cabeça do fêmur. Pouco tempo depois surgiram inchaço e nova inflamação, levando o médico a solicitar uma ressonância magnética e o início de sessões de fisioterapia.

O diagnóstico que mudou tudo
A ressonância foi realizada em 18 de junho e o resultado levaria alguns dias para ficar pronto, mas a família recebeu uma ligação orientando que procurasse o médico com urgência. Camila conseguiu uma consulta para o Henrique e recebeu o diagnóstico que mudaria completamente a rotina da família, de que Henrique estava com um osteossarcoma localizado no osso ilíaco, na região do quadril. O tumor já media cerca de 14 centímetros. “Naquele momento, o meu mundo caiu. A gente nunca imagina receber uma notícia dessas sobre um filho e nunca havia passado pela minha cabeça a possibilidade deste tumor”, relembra. 
Sem perder tempo, a mãe procurou a Unidade de Saúde do bairro Águas Claras, onde recebeu encaminhamento imediato para atendimento especializado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 
Henrique foi internado no Hospital de Clínicas, em Curitiba, permanecendo por uma semana para realização de diversos exames que investigaram se havia comprometimento de outras regiões do corpo. A cintilografia não apontou alterações em outros ossos. Os médicos seguem realizando investigação detalhada dos pulmões como parte do protocolo clínico.

Uma nova rotina
Henrique já iniciou o tratamento, realizado em ciclos de quimioterapia a cada 21 dias. O objetivo, explica a família, é enfraquecer o tumor para favorecer a cirurgia de retirada, prevista para acontecer em setembro. A mãe conta que a equipe médica já a deixou ciente que a cirurgia deverá ser longa e bastante complexa, principalmente pela localização do tumor.
Desde o início do tratamento, a rotina da família mudou completamente. Henrique não retornará à escola neste ano letivo e passará a receber acompanhamento pedagógico em casa. As fortes dores exigem o uso de morfina, o que dificulta permanecer sentado por longos períodos. Além disso, o tratamento reduz a imunidade, exigindo cuidados especiais para evitar infecções e a queda dos cabelos também marcou esse processo. “Foi um momento muito difícil. São mudanças que uma criança não espera viver”, completa. 
Para enfrentar todas essas transformações, Henrique, Camila e o irmão mais velho passaram a receber acompanhamento psicológico. “É muita informação em pouco tempo. O apoio psicológico tem sido fundamental para todos nós conseguirmos atravessar esse momento.”

Uma corrente de solidariedade
Em meio às dificuldades, Camila e os seus filhos encontraram apoio na família e comunidade. Uma campanha solidária em benefício de Henrique começou em um grupo de caminhoneiros e rapidamente ganhou força. A divulgação foi compartilhada por centenas de pessoas nas redes sociais, formando uma ampla corrente de solidariedade.
Os recursos arrecadados vêm sendo utilizados para despesas que não são cobertas diretamente pelo tratamento médico, como combustível para os deslocamentos frequentes entre Campo Largo e Curitiba, estacionamento, acompanhamento psicológico do Henrique e outras necessidades que ele apresentar durante esse período.
Camila explica que, após a cirurgia, Henrique deverá passar por um processo de reabilitação que poderá incluir sessões de fisioterapia e, caso seja necessário adquirir medicamentos ou outros itens relacionados à recuperação, os recursos também serão destinados a essas despesas. “A nossa gratidão é imensa. Cada mensagem, cada oração, cada compartilhamento e cada contribuição fazem diferença. Nós nos sentimos abraçados por pessoas que muitas vezes nem conhecemos pessoalmente.”
Ela também aproveita para fazer um apelo à população. “A doação de sangue é um gesto que salva vidas e faz muita diferença para quem está passando por tratamentos como esse. Quem puder doar estará ajudando não só o Henrique, mas muitos outros pacientes que também precisam”, finaliza.
Quem desejar contribuir com a família pode realizar uma doação via PIX, no (41) 99131-6341, em nome de Nilza Rorbacher (avó de Henrique). Segundo a família, toda a arrecadação está sendo destinada exclusivamente às necessidades relacionadas ao tratamento e à recuperação de Henrique.

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