Política

Candidatos ao Senado apresentam propostas para mobilidade e desenvolvimento urbano

Candidatos ao Senado apresentam propostas para mobilidade e desenvolvimento urbano

A mobilidade urbana deixou de ser uma questão restrita aos limites de cada município. Na Região Metropolitana de Curitiba, milhares de pessoas se deslocam diariamente entre cidades para trabalhar, estudar, buscar atendimento de saúde e acessar serviços. Campo Largo, inserida nesse fluxo, enfrenta desafios que dependem não apenas de ações municipais, mas também de planejamento e investimentos em escala regional e federal.

Dando continuidade à série de entrevistas com candidatos ao Senado, a Folha de Campo Largo questionou os concorrentes sobre como pretendem ampliar o acesso do município a recursos e programas federais voltados à mobilidade e ao desenvolvimento urbano. A proposta é entender como cada candidato pretende utilizar o mandato em Brasília para enfrentar problemas que ultrapassam as divisas municipais.

Responderam à pergunta Alexandre Curi (Republicanos), Gleisi Hoffmann (PT), Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL).

 

Alexandre Curi

“A Região Metropolitana de Curitiba é metropolitana na vida real e municipal na hora de buscar dinheiro em Brasília. Quem mora em Campo Largo atravessa a divisa todo dia para trabalhar, estudar, se consultar. A vida da pessoa não para no limite do município. Mas o programa federal para, porque foi desenhado prefeitura por prefeitura. Campo Largo pode ser elegível a praticamente tudo que a União oferece em mobilidade e desenvolvimento urbano. O que falta, muitas vezes, é o projeto. Por isso quero que a União ajude a financiar também a etapa que vem antes da obra. Apoio para captar, para elaborar projeto, para licitar, para prestar contas. A outra frente é o consórcio entre municípios. Aterro sanitário, tratamento de esgoto, uma obra viária que começa numa cidade e termina na outra: sozinha, nenhuma prefeitura da região dá conta disso. Junto, dá. Quero que os programas federais reconheçam e priorizem quem se organiza assim. Hoje o consórcio dá muito trabalho e pouca vantagem na hora de buscar recurso. É essa lógica que precisa melhorar. E tem o pano de fundo, que é o mais difícil de todos. Brasília cria a obrigação e manda a conta para o município. Aprova um piso, cria um serviço, estabelece uma exigência nova, e quem paga é o caixa da prefeitura, que não cresceu junto. Enquanto isso não mudar, o prefeito de Campo Largo vai continuar sofrendo, mesmo fazendo um bom governo. Defendo a revisão do pacto federativo em favor dos municípios, com transferência previsível e uma regra que já devia ser óbvia: obrigação nova só com a fonte de custeio junto.”

Gleisi Hoffmann

“Mobilidade e infraestrutura urbana precisam ser planejadas de forma integrada na Região Metropolitana de Curitiba. O transporte e os deslocamentos entre Campo Largo e os demais municípios não terminam nas divisas de cada cidade e, por isso, precisamos fortalecer projetos metropolitanos e a cooperação entre os municípios. Como senadora, vou articular convênios e trabalhar para que Campo Largo tenha rápido acesso aos projetos e recursos do Ministério das Cidades e dos bancos públicos de fomento destinados à mobilidade e à infraestrutura urbana, como o BNDES. Também vou apoiar o fortalecimento dos consórcios públicos voltados ao transporte e à execução de projetos de interesse comum dos municípios da Região Metropolitana. Importante destacar que o governo federal executou muitas entregas para Campo Largo. A ordem de serviço para a construção do CMEI Gralha Azul, no Campo do Meio, já foi assinada. Também tem recursos para a construção de uma unidade de saúde na região de São Pedro, de um espaço esportivo comunitário no bairro Jardim Bela Vista, um Centro de Esportes Unificado no Jardim Lise, além da renovação da frota do SAMU e ônibus escolares. Como senadora, vou manter o diálogo com o município para identificar as prioridades, articular os recursos federais disponíveis e acompanhar a execução dos investimentos destinados à cidade”.

Deltan Dallagnol

“O problema começa quando Brasília fica com o dinheiro e Campo Largo fica com o trânsito ruim, a falta de saneamento e as obras que nunca saem do papel. A cidade não deveria precisar de padrinho político para receber de volta uma parte do imposto pago por sua população. O Senado tem instrumentos fortes que hoje são pouco usados por falta de coragem. Pode fiscalizar os ministérios, cobrar documentos, convocar ministros, ouvir autoridades, votar e fiscalizar o Orçamento e investigar o uso do dinheiro público. Quero usar essas ferramentas para defender os projetos de Campo Largo e da Região Metropolitana. Cada recurso liberado precisa ter prazo, custo, responsável e resultado público. Se o dinheiro parar no caminho ou a obra travar, alguém terá de explicar. Foi assim que trabalhei no Ministério Público: seguindo o dinheiro, enfrentando quem parecia intocável e fazendo recursos desviados voltarem para a população. No Senado, vou aplicar a mesma lógica para que o dinheiro do Paraná volte em mobilidade, saneamento, moradia e qualidade de vida. Fazer Brasília respeitar o Paraná significa devolver poder e recursos para quem conhece os problemas de perto e proteger o cidadão que trabalha, paga imposto e espera resultado”.

Filipe Barros

“Tenho rodado muito a região de Curitiba e acompanho de perto os problemas que a população enfrenta para ir de casa ao trabalho. Pelo volume de recursos que o Paraná envia a Brasília, temos de cobrar, por exemplo, que o governo federal banque pelo menos parte da passagem de ônibus dos moradores da RMC e das outras regiões metropolitanas do estado”.

 

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