A indústria é um dos principais motores da economia de Campo Largo, com destaque nacional para o setor de louças e cerâmicas. A atividade, que faz parte da identidade econômica do município, também enfrenta desafios relacionados à concorrência internacional, custos de produção, infraestrutura, tributação, crédito e qualificação profissional.
Na terceira e última parte da série de entrevistas da Folha de Campo Largo com candidatos ao Senado, o foco está justamente na economia local. A Redação questionou os concorrentes sobre quais medidas pretendem defender em Brasília para fortalecer a competitividade das indústrias paranaenses, estimular investimentos e contribuir para a geração de empregos na Região Metropolitana.
Alexandre Curi (Republicanos), Gleisi Hoffmann (PT), Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) apresentaram suas propostas para o setor.
Alexandre Curi
“Campo Largo é a Capital Nacional da Louça. E o que mais ameaça esse setor não está aqui dentro. Está na alfândega e na regra tributária. Começo pela alfândega. Em dezembro do ano passado o governo prorrogou por cinco anos a taxa extra que o Brasil cobra da louça chinesa que entra abaixo do preço, o que o comércio exterior chama de antidumping. Na mesma decisão, cancelou o acordo de preços que existia com os exportadores chineses, porque havia indício de descumprimento repetido. Quer dizer: a regra estava no papel e não estava sendo cumprida. Não adianta ter a medida se ninguém fiscaliza. Vou defender que ela continue e que se olhe de perto para a carga que passa por um terceiro país só para trocar de carimbo e para a nota que chega declarando menos do que a carga vale. Quem concorre com preço e qualidade não pode perder para quem concorre com fraude. Depois vem o Simples Nacional. Os limites estão parados desde 2018, e na prática a empresa que cresce é punida por crescer: passa do teto e cai num regime mais caro e mais complicado, quase sempre sem ter estrutura para isso. O projeto que corrige esses valores saiu do Senado e está na Câmara. Como vem sendo mexido lá, deve retornar ao Senado. Se eu tiver o privilégio de representar o Paraná em Brasília, vou votar pela correção dos limites e por uma regra de atualização automática, para não repetirmos essa novela a cada dez anos. Tem ainda o que o setor produtivo paranaense aponta como o maior gargalo: a falta de gente formada para ocupar as vagas que abrem. Tem empresa que adia investimento porque não encontra quem faça o serviço. E isso pesa mais do que parece, porque empresa nenhuma decide onde investir olhando só o incentivo fiscal. Ela olha onde tem gente preparada. Por isso vou trabalhar por mais recurso federal de qualificação, conectado às profissões que o mercado pede hoje. E vou trabalhar em Brasília pelas condições que fazem o investimento vir para cá: crédito, infraestrutura, energia competitiva. O Paraná vive um bom ciclo. Quero ajudar a prolongar esse ciclo e a fazer com que ele gere vaga qualificada e salário cada vez melhor, não só mais vaga.”
Gleisi Hoffmann
“A indústria de louças e cerâmica de Campo Largo é uma potência e um dos orgulhos do Paraná. Vamos criar mecanismos para que esse polo continue cada vez mais forte e competitivo, investindo em inovação e ampliando a capacidade de produzir e gerar empregos. Vou defender medidas para reduzir os custos produtivos e incentivar a inovação no nosso polo ceramista. Também vou defender a indústria nacional contra práticas de concorrência desleal externa. Quem produz no Paraná precisa ter condições justas para competir. Fortalecer a indústria de Campo Largo significa combinar redução dos custos de produção, inovação e defesa da produção nacional para preservar empregos e abrir novas oportunidades na Região Metropolitana”.
Deltan Dallagnol
“A indústria da louça e da cerâmica faz parte da história de Campo Largo e sustenta muitas famílias e a cidade também tem empresas de outros setores, comércio e serviços. Quem produz enfrenta imposto alto, excesso de papelada, problemas nas estradas, custo de energia e mudanças constantes nas regras. Tudo isso encarece o produto, afasta investimento e dificulta a criação de empregos. No Senado, vou defender impostos mais baixos, regras simples e segurança para quem quer investir. Sou contra criar ou aumentar impostos. O governo precisa cortar desperdícios antes de mandar outra conta para quem trabalha e produz. Também vou acompanhar a implantação do novo sistema de impostos para evitar mais burocracia e aumento de custos durante a mudança. Quero manter um canal direto com as empresas, os trabalhadores e as entidades de Campo Largo para levar ao Senado os problemas reais da região. Questões como energia, transporte, formação de mão de obra, crédito e acesso a novos mercados precisam entrar nas decisões de Brasília. E vou fiscalizar o uso do dinheiro público. Corrupção e desperdício tiram recursos de estradas, escolas, segurança e qualificação profissional. Proteger quem trabalha e faz a coisa certa também significa impedir que o dinheiro do cidadão seja roubado ou jogado fora. Campo Largo precisa de um senador que cobre resultado e enfrente quem se acha acima da lei”.
Filipe Barros
“Já venho apontando ao nosso candidato Sergio Moro que o Paraná precisa de ações sob medida, condizentes com as realidades e os potenciais de cada região. Se a potência é a indústria cerâmica, temos de facilitar o trabalho do empreendedor: desatar nós logísticos, aliviar a carga tributária, quebrar as barreiras de acesso ao crédito, criar mais cursos técnicos gratuitos nos colégios estaduais e trazer para perto as universidades do estado para que trabalhem em soluções para demandas do setor produtivo.