Esperar que o jovem chegue à idade adulta para reconhecer sua capacidade de participação é desperdiçar um período fundamental de formação e transformação
Durante muito tempo, repetimos que os jovens são o futuro da sociedade. A frase, embora bem-intencionada, carrega uma ideia que precisa ser revista, sobre a juventude não ser apenas aquilo que virá. Ela já está aqui, vivendo os problemas do presente, formando opiniões, fazendo escolhas, aprendendo, trabalhando, criando e, sobretudo, tendo muito a contribuir para a sociedade. Esperar que o jovem chegue à idade adulta para reconhecer sua capacidade de participação é desperdiçar um período fundamental de formação e transformação.
Em Campo Largo, o Parlamento Jovem acabou sendo um exemplo concreto disso. Na posse dos novos vereadores mirins da Câmara Municipal, o estudante André Manoel Chaves resumiu essa perspectiva ao afirmar que eles não são apenas jovens esperando o futuro chegar, mas são o presente, uma reflexão que deve ser levada para além da cerimônia. Participar da vida pública não significa abandonar a juventude ou assumir responsabilidades que não correspondem à idade, mas compreender que cidadania também se aprende exercendo.
O mais importante no projeto talvez não seja formar futuros vereadores, mas formar cidadãos capazes de ouvir, argumentar, respeitar opiniões diferentes e compreender que decisões coletivas exigem responsabilidade. E isso não se resume apenas aos que foram eleitos e têm agora um cargo, mas a um processo e uma experiência que transformaram conceitos, muitas vezes abstratos, em uma vivência concreta de democracia.
A mesma disposição aparece quando observamos a busca dos jovens por qualificação. Recentemente, um curso gratuito de Sistemas de Automação Industrial com CLP reuniu vários participantes em Campo Largo. Uma sala de aula, em um carreta, que estava carregada de sonhos de carreira e construção de um futuro digno, por meio da educação e do trabalho. Aprender algo novo também significa ampliar possibilidades, desenvolver repertório e estar mais preparado para as oportunidades que ainda nem sabemos quais serão.
Defender uma juventude ativa não significa defender uma juventude permanentemente ocupada, produtiva ou preocupada em construir um currículo perfeito. Existe também valor em viver a própria idade. Fazer amizades, praticar esportes, descobrir interesses, criar, se divertir, errar, mudar de ideia e aproveitar o tempo são partes igualmente importantes dessa fase. A juventude não deve ser transformada em uma corrida antecipada pela vida adulta e o desafio está justamente no equilíbrio. É possível participar de um projeto de cidadania e continuar sendo adolescente. É possível fazer um curso profissionalizante sem precisar decidir imediatamente uma carreira. É possível acompanhar o que acontece na cidade, ter opinião, votar quando chegar a hora, cobrar melhorias e, ao mesmo tempo, aproveitar as experiências, os sonhos e as descobertas próprias dessa fase. Quando damos espaço para que os jovens participem, não estamos apenas preparando o futuro, mas estamos melhorando o presente.