Estudantes eleitos por colegas de dois colégios estaduais tomaram posse nesta terça-feira (11) e iniciam experiência prática dentro da Câmara Municipal; projeto busca aproximar juventude da democracia, do Poder Legislat
“Não somos apenas jovens esperando o futuro chegar. Nós somos parte do presente.” A frase fez parte do discurso de André Manoel Chaves, eleito presidente do Parlamento Jovem de Campo Largo, durante a posse dos vereadores mirins realizada na tarde desta terça-feira (11), na Câmara Municipal. Em seu primeiro pronunciamento ocupando a cadeira da presidência, o estudante afirmou que o mandato representa mais do que um título e destacou a responsabilidade de representar os colegas.
Eleito pelos próprios estudantes do Colégio Estadual Cívico-Militar 1º Centenário, André defendeu uma participação política baseada no diálogo e na capacidade de ouvir diferentes opiniões. Para ele, a experiência deve mostrar que a política também pode ser construída pela juventude. “Democracia não é apenas para votar. Democracia é ouvir quem pensa diferente, é respeitar opiniões, é ter a liberdade para falar, é ter responsabilidade e entender que ninguém constrói uma cidade melhor sozinho. Eu não recebo apenas um título, recebo uma missão, a de representar, ouvir, aprender e principalmente de fazer com que a nossa voz seja ouvida”, declarou.
A posse marca o início de uma nova etapa do Parlamento Jovem em Campo Largo. Os estudantes eleitos em junho passam agora a acompanhar mais de perto o funcionamento do Legislativo municipal, participando de atividades, reuniões e discussões que fazem parte da rotina dos vereadores.
A escolha dos vereadores mirins ocorreu no início de junho, quando cerca de 900 alunos dos dois colégios participantes foram às urnas. A eleição foi realizada com urnas eletrônicas e contou com a participação da Justiça Eleitoral, das instituições de ensino e da Câmara Municipal. Ao todo, 16 candidatos disputaram as vagas destinadas à próxima legislatura do Parlamento Jovem.
Foram empossados, ao todo, 13 vereadores mirins. São eles: André Manoel, Maria Eduarda Weber, Milena Cesar Barbosa, Ana Carolina de Souza Coraiola e Karolaine Aparecida da Silva Vieira, do Colégio Estadual Cívico-Militar 1º Centenário; e Maria Vitória Pereira de Lima, Letícia Bilinovski, Julia de Souza Dias, Victoria Teixeira Thomaz, Carolina Guimarães Castro, João Guilherme Beninca, Maria Vitória e Gabriel da Rocha da Silva, do Colégio Estadual Cívico-Militar João XXIII.
A eleição reproduziu, dentro das escolas, etapas semelhantes às de um processo eleitoral convencional. Antes da votação, os estudantes apresentaram propostas aos colegas, organizaram campanhas e participaram de debates sobre questões que consideravam importantes para a comunidade.
Entre os novos vereadores mirins está Maria Eduarda Weber, que conta que decidiu colocar o nome à disposição dos colegas por entender que o Parlamento Jovem poderia ser uma oportunidade de contribuir diretamente com a cidade. Com mais de 100 votos recebidos na eleição, Maria Eduarda também destacou a responsabilidade de representar os estudantes que confiaram nela e agradeceu aos colegas que participaram de sua caminhada. A estudante também falou sobre a participação feminina em processos eleitorais e deixou um incentivo para outras meninas que tenham vontade de ocupar espaços de representação. “Se motive, não desista, não se sinta inferior ou envergonhada. Se alguém quer algo, lutar por algo, sempre colocar Deus acima de tudo e seguir em frente e não se deixar ficar de cabeça baixa”, aconselhou.
Para a diretora do Colégio Estadual Cívico-Militar João XXIII, Elizane Sprea, que acompanha o projeto pelo segundo ano, essa experiência permite que os estudantes compreendam na prática conceitos trabalhados em sala de aula. “A adesão dos alunos ao projeto foi muito boa. Eles gostam bastante porque é uma forma de estarem mais próximos do Poder Legislativo, conhecerem a Câmara Municipal e participarem enquanto cidadãos campo-larguenses, representando também as suas comunidades”, explica.
Segundo ela, o trabalho começa dentro da escola, especialmente nas disciplinas relacionadas à cidadania e ao civismo. Os estudantes conhecem as propostas, apresentam suas ideias aos colegas, formam chapas e participam de uma eleição organizada dentro da própria instituição. Depois da eleição, os estudantes escolhidos continuam envolvidos com o projeto durante o ano, passando pela diplomação, posse e pelas atividades desenvolvidas junto à Câmara Municipal.
Experiência que ultrapassa os muros da escola
A proposta não se limita a uma eleição simbólica, pois durante o mandato, os vereadores mirins acompanham o trabalho do Legislativo e têm a possibilidade de desenvolver propostas para a cidade. A legislatura anterior, inclusive, conseguiu avançar em uma etapa considerada inédita na trajetória do programa em Campo Largo. Os estudantes elaboraram um projeto de lei que passou a tramitar na Câmara Municipal.
O chefe do Cartório Eleitoral de Campo Largo, Leandro Nogueira, destacou justamente esse resultado ao falar sobre a evolução do programa no município. “Imaginem alunos, estudantes, jovens, conseguirem ter essa iniciativa de apresentar um projeto de lei na Câmara Municipal. Isso foi muito marcante. É um dos poucos municípios aqui do Estado que teve esse sucesso na trajetória dos vereadores mirins”, afirmou.
Segundo Leandro, a Justiça Eleitoral participa do projeto desde 2021, relembrou que pela primeira vez a eleição contou novamente com o uso das urnas eletrônicas dentro das escolas. A estrutura foi preparada pelo Cartório Eleitoral de Campo Largo, com participação de servidores da Justiça Eleitoral, que participaram ativamente do processo. “Desejo sucesso agora aos novos vereadores mirins e que mais uma vez tenhamos esse sucesso. Agradeço também à Câmara Municipal e todo o seu esforço nessa caminhada, junto com as visitas, conhecendo o trabalho dos vereadores e conseguindo apresentar esse projeto”, afirmou.
A juíza eleitoral de Campo Largo, Dra. Vivian Curvacho Faria de Andrade, destacou durante a cerimônia que a participação dos adolescentes no projeto ocorre em um momento em que a própria Justiça Eleitoral tem observado interesse crescente dos jovens pela participação política. Segundo ela, Campo Largo teve uma procura significativa de adolescentes entre 16 e 18 anos pelo primeiro título de eleitor. “Nós tivemos a grata surpresa de termos muitos jovens interessados na participação política. Quando abrimos novos títulos de eleitores, tivemos vários jovens entre 16 e 18 anos buscando esse primeiro título para poder participar ativamente da vida política”, afirmou.
Para a magistrada, o envolvimento dos estudantes demonstra que a juventude não deve ser vista apenas como o futuro da sociedade, mas como parte ativa das decisões que já estão sendo discutidas. “É muito gratificante ver que eles têm essa sensação de cidadania, essa vontade de participação, e o exercício da democracia deles é muito aflorado hoje. Eles não querem apenas apontar o problema. Eles querem participar das respostas, das soluções. Isso é muito bonito de ver, muito gratificante”, pontuou. Aos novos vereadores mirins ela também direcionou um conselho: “A partir de agora vocês passam a entender que a opinião individual abre espaço para o coletivo. A gente deixa de cuidar dos nossos interesses individuais e passa a perceber o que é importante para a sociedade”.
Formação política começa na escola
No Colégio Estadual Cívico-Militar 1º Centenário, a professora Alessandra Ferreira, responsável pela disciplina de Cidadania e Civismo, acompanha o Parlamento Jovem há quatro anos e comenta que o envolvimento dos estudantes aumentou ao longo das edições. “É muito significativo na vida dos nossos alunos, muito importante a participação e a atratividade. Eles gostam muito e aguardam o ano eleitoral do colégio para a movimentação. Este projeto despertou bastante neles a vontade de ver a política, a crítica deles e também a participação dos alunos que são eleitores. Eles cobram os candidatos, dão ideias, então estão sempre presentes”, afirma.
O vice-presidente da Câmara Municipal de Campo Largo, vereador Luiz Scervenski, afirmou que o Parlamento Jovem representa uma oportunidade para aproximar os estudantes do funcionamento do Legislativo e contribuir para a formação de uma nova geração de lideranças. “É um projeto muito importante, de grande relevância para a cidade, para que eles possam fazer a diferença na vida das pessoas, na vida própria deles e de todo o município. Eu costumo dizer que essa nova safra de políticos deixa de ter uma política antiga para uma política nova, de construção, de proatividade da parte deles, e não de competitividade, mas sim de colaboração para que possam fazer a diferença na vida das pessoas”, afirmou.
A partir da posse, os novos vereadores mirins iniciam oficialmente o mandato e passam a acompanhar as atividades da Câmara Municipal. A expectativa é que, assim como ocorreu com a legislatura anterior, os estudantes desenvolvam propostas ao longo do período e possam levá-las para discussão no Legislativo.


