Um dos pontos de discussão que emergiu durante o talk show com Joanir Zonta, na Semana Empresarial da Acicla, foi além do associativismo. Chegou a um embate comum, tanto para empresas grandes, como pequenas, em que Campo Largo, assim como o restante do país, precisa discutir mais o futuro do trabalho. A dificuldade para encontrar profissionais já não é uma situação pontual enfrentada por determinados setores, mas um problema que atravessa o comércio, os serviços, a indústria e o varejo. Dados publicados pela CNN Brasil, no início de julho, mostram que 80% das empresas brasileiras têm dificuldade para preencher vagas, enquanto no Paraná o índice é de 74%.
É justamente nesse cenário que chama atenção em uma avaliação mais ampla, apresentada inclusive durante o evento da Acicla. Existe hoje um verdadeiro “apagão de mão de obra” e esperar encontrar profissionais prontos para ocupar as vagas deixou de ser uma estratégia viável. O caminho, cada vez mais, é trazer pessoas para dentro das empresas e qualificá-las, transformando a falta de profissionais preparados em uma oportunidade para investir na formação. A citada experiência do Grupo Zonta, com a Universidade Corporativa, mostra que essa mudança já está acontecendo na prática. Em vez de buscar exclusivamente quem já possui experiência, as empresas passam a assumir também parte da responsabilidade pela formação profissional, diante de um mercado que não entrega mão de obra suficiente e qualificada, será preciso desenvolver talentos.
Outro ponto de destaque é que os jovens não devem ser tratados como um "problema a ser corrigido". Eles chegam ao mercado com expectativas diferentes sobre carreira, trabalho, desenvolvimento e relacionamento com as empresas; e são justamente esses jovens que representam o olhar para o futuro, para a inovação e para as novas formas de organização do trabalho. Cabe às empresas entender essa transformação e preparar suas lideranças para lidar com ela. Essa mudança também precisa passar pela diversidade geracional, onde profissionais mais jovens e trabalhadores com mais de 50 anos não deveriam disputar espaço como se um grupo anulasse o outro. Em um cenário de escassez, ampliar a capacidade de acolher, desenvolver e aproveitar diferentes perfis começa a ser uma questão estratégica para a própria sobrevivência dos negócios.
O associativismo, tema que motivou a celebração realizada pela Acicla, pode ter papel importante nesse processo. Uma cidade que reúne empresários, entidades, poder público e instituições de ensino tem mais condições de construir soluções coletivas para problemas que nenhum negócio consegue resolver sozinho. Formação profissional, aproximação com os jovens e criação de oportunidades podem ser fortalecidas justamente por meio dessa união. O município precisa continuar atraindo investimentos e fortalecendo as empresas que já estão instaladas, mas também precisa olhar para a capacidade de formar e reter profissionais. A escassez de mão de obra pode ser encarada como um obstáculo, mas também pode ser um sinal de que o modelo tradicional precisa ser revisto.