Quinta-feira | 16 de Setembro de 2021 19:26
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Parada na produção e trabalho em março de 2020 traz impactos à economia atual do país

Consultor financeiro avalia que, embora extremamente necessário por conta da pandemia, reflexos das decisões tomadas no passado geraram grande crise inflacionária no Brasil  
O Brasil atravessa hoje uma grande crise econômica, que vem sendo sentida pelas famílias de todas as regiões. Seja pela alta no preço dos itens básicos de supermercado, gasolina e também em bens de consumo, que já não se encontram a um acesso tão facilitado e principalmente pelo alto número de pessoas desempregadas, que já chega a 14,8 milhões. Embora ações estejam sendo tomadas para conter a situação crítica, ainda levam tempo para um resultado positivo aparecer no país. 
 
A Folha conversou com o Antonio Carlos, planejador financeiro pessoal e consultor de investimentos, que explicou um pouco do cenário brasileiro atual. “Esse aumento da inflação é causado por vários fatores, que vão desde a alta demanda até a falta de produtos no mercado – esse sendo o principal de todos eles, o que provoca uma alta nos custos de produção. Subiu o preço do aço, do petróleo, e outros itens. Isso vai sendo repassado para o consumidor final. A desvalorização da nossa moeda trouxe a alta do dólar e consequentemente a elevação nos preços de insumos para importação, isso vai acumulando no valor final. A oferta também interfere bastante neste quesito.”
 
Antonio usa como exemplo a alta do valor do carro usado. Segundo ele, a indústria de autopeças não tem produção suficiente para suprir a necessidade das montagens de veículos, o que faz com que a entrega de carros novos seja menor e aumente a procura por veículos usados. “Esse foi um exemplo, mas as crises dentro das linhas de produção são grandes e acabam encontrando com a crise sanitária, onde há situações em que inviabiliza a continuidade de determinado setor, por questão do distanciamento. A produção se torna mais lenta. Esses fatores culminaram para o momento que estamos vivendo hoje. Quando as empresas percebem essa alta, reavaliam seus preços e há um momento que não é possível segurar mais o valor e repassa para o cliente”, apresenta. 
 
O grande desafio das equipes econômicas é justamente conter a inflação, conforme explica o consultor financeiro. A saída encontrada foi começar a aumentar os juros – taxa básica da economia – o que consequentemente leva a capacidade de compra, principalmente por meio de financiamentos, a se tornar mais difícil. Isso diminui o consumo e a demanda, o que trará o equilíbrio e conseguirá frear um pouco o índice inflacionário. Entretanto, fatores externos também são considerados no contexto econômico.
 

Quanto tempo mais?

É importante ressaltar que não há um prazo para o resultado aparecer. “A economia é algo dinâmico e muito grande, não há fórmulas mágicas para conseguir resolver uma situação. O resultado pode vir após meses. Se formos retomar março de 2020, quando aconteceu a primeira parada de grande proporção, é preciso ter um motivo tão grandioso quanto. Não é simples parar uma economia em um país tão grande quanto o Brasil, assim como não é possível resolver o cenário com uma ou duas medidas, mas é uma consequência de atos assertivos e bem estudados, para saber se no futuro poderá dar certo”, explica.

Antonio comenta que antes de entrar no período pandêmico a economia brasileira estava caminhando bem e com a expectativa de reajuste fiscal, reformas coerentes, crescimento da base de empregos, entre outros, geraram um otimismo grande para 2020. “Quando a pandemia chegou, trouxe a incerteza, o que é o pior cenário para uma conjuntura financeira. O que as pessoas vão fazer, como o governo vai agir, tudo isso gera grande instabilidade sobre as consequências que virão. Os malefícios dessa parada não virão, já estão refletindo na vida do brasileiro”, diz.

 

Programas sociais e o endividamento do Governo

Para conseguir conter a situação crítica em 2020, foram criados programas que beneficiaram empresas, para que não falissem, e também a população, na figura do trabalhador, trazendo a questão de conseguirem subsistir. Esses benefícios geraram impactos positivos em 2020, na questão de conseguir fazer com que empregos fossem mantidos e a população tivesse meios para se manter, mas por outro lado trouxe uma alta conta a ser paga.

“Do ponto de vista social ele teria que fazer esse programa, sem dúvida alguma, por que uma sociedade que está em nível de subsistência, ela está próxima do caos, e isso gera uma instabilidade social muito intensa. Porém, Governo não tem dinheiro, ele só é um agente administrador dos recursos que ele empresta da sociedade por meio dos impostos. Consequentemente, se ele criou dinheiro para suprir esses programas sociais, para empresas e para trabalhadores, ele vai ter que pagar essa conta. Isso acontece por meio do recolhimento de impostos. O custo fiscal e o endividamento do Estado são os grandes impactos para conseguir fechar esse caixa, então acaba se endividando cada vez mais para suprir isso”, comenta.

 

Reformas para atrair investimentos

Por isso, Antonio aponta que o avanço das propostas de reformas fiscais, administrativas seriam extremamente necessárias para reduzir o tamanho do Estado e torna-lo mais eficiente, fazendo com que o dinheiro arrecadado gerem benefícios para a sociedade e não se construam apenas “impostos para gerir impostos”. “Imposto não é problema, mas é necessário que tenha este retorno”, pontua.

Com as reformas, seria possível aumentar ainda o interesse por investimentos no país, que apresenta uma economia diversificada e com potencial atrativo para multinacionais. “O Brasil é um país relevante, tanto na América do Sul, Latina e no mundo como um todo. Por mais que não estejamos entre as grandes, somos um grande país, com potencial de alcance”, finaliza.