Segunda-feira às 09 de Marco de 2026 às 02:37:36
Opinião

A força da mulher campo-larguense

A força da mulher campo-larguense

“Abafaram nossa voz, mas se esqueceram de que não estamos sós.” O verso ecoa como um resumo de uma trajetória que não começou agora e que tampouco se limita a uma data no calendário. O Dia Internacional da Mulher, celebrado neste 08 de março, é ocasião de reconhecimento, mas também de reflexão sobre presença, responsabilidade e transformação.
A Folha de Campo Largo é hoje constituída majoritariamente por mulheres. São elas que apuram, escrevem, editam, comercializam, organizam e planejam. Mulheres que levam para o cotidiano do jornal não apenas competência técnica, mas sensibilidade, percepção e responsabilidade diante das histórias que chegam diariamente à Redação.
Essa sensibilidade, porém, não significa fragilidade. Ao contrário. Somos as mesmas que noticiam conquistas e avanços, mas também as que precisam relatar casos de violência, desigualdade e injustiça, muitos deles ocorrendo aqui, na rua ao lado, no bairro vizinho, atingindo conhecidas, amigas e colegas de trabalho. A dor não está distante. Ela tem nome, rosto e endereço.
Campo Largo é uma cidade formada, em sua maioria, por mulheres. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), elas representam 51,5% da população e estão presentes em todos os espaços, tanto nas casas, nas escolas, nas fábricas, nas empresas, nas igrejas e nas ruas. Exercem atividades domésticas, ocupam empregos braçais, como já retratamos em nossas páginas ao contar a história de coletoras de lixo, são professoras, profissionais liberais, empresárias, servidoras públicas, juíza, delegada, secretárias municipais e vice-prefeita. 
É perceptível que a representatividade feminina também avança nos espaços de decisão em Campo Largo. Porém, não é somente desta maneira que se mede a força da mulher campo-larguense, olhando os cargos que ocupa, e sim pela constância com que sustenta múltiplas jornadas. Trabalha fora, administra o lar, cuida dos filhos, estuda, empreende e lidera. E, muitas vezes, enfrenta desafios adicionais simplesmente por ser mulher.
Não se trata de um discurso de confronto, mas de reconhecimento: reconhecimento de que houve silenciamento ao longo da história e de que há, hoje, um movimento firme em direção ao respeito — no ambiente profissional, nas relações pessoais, na vida pública e no convívio cotidiano.
Neste 08 de março, a Folha reafirma seu compromisso com a valorização da mulher campo-larguense. Uma valorização que não se resume a homenagens pontuais, mas que se traduz em espaço, visibilidade e responsabilidade na forma de informar.
Porque, quando uma mulher avança, a comunidade avança com ela. Que a voz feminina siga ocupando todos os cantos, não para sobrepor, mas para somar; não para dividir, mas para fortalecer. Campo Largo é, em sua maioria, feita por mulheres, e é essa presença que, todos os dias, ajuda a construir a cidade que somos e a que ainda queremos ser.