A manhã desta segunda-feira (09) começou com registros de superlotação nos ônibus da linha Terminal Urbano de Campo Largo/Terminal Campina do Siqueira, que faz a ligação entre Campo Largo e Curitiba. Passageiros relataram à reportagem da Folha de Campo Largo dificuldades para embarcar e veículos circulando com lotação acima do habitual.
Segundo os usuários, a situação tem se repetido com frequência nos últimos meses e estaria relacionada principalmente à redução de horários durante o período de férias, que ainda permanece em vigor. De acordo com relatos encaminhados à Redação, muitos ônibus já estariam saindo cheios desde o primeiro ponto do trajeto, a estação-tubo Ferrari.
A reportagem entrou em contato com a Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (AMEP), responsável pela gestão do transporte público intermunicipal na Região Metropolitana de Curitiba, para solicitar esclarecimentos sobre os relatos de superlotação, atrasos e eventuais alterações na tabela de horários: “Em atenção aos relatos recebidos referente às inconsistências na linha JO2 - Campo Largo/Campina do Siqueira, informamos que essa linha vem operando sob regime de tabela de férias e que, para mitigação da lotação apresentada, a partir de amanhã (10/03) a operação irá retornar à grade horária habitual, praticada até 23/12/2025.
Referente à frota, após o ocorrido no dia de hoje (09/03), o que a AMEP considera um grave descumprimento do serviço regular que a operadora é permissionada a prestar, à fiscalização de frota está acompanhando a manutenção dos veículos da linha.
Reiteramos por fim que, para andamento normal da operação, a fiscalização de campo estará presente acompanhando o andamento da linha nesta terça-feira (10/03) pela manhã”, conforme divulgou a Ouvidoria.
A Comunicação da Amep completou o informe dizendo que “notificou a empresa quanto ao cumprimento de horários e quantidade de veículos em operação. Comunicou também o retorno da tabela habitual, para mitigação da lotação. Destacamos que os fiscais da Amep também estarão acompanhando o serviço nesta terça-feira e durante toda semana”.
Horários de férias continuavam em operação
Entre as principais reclamações apontadas pelos passageiros estava a manutenção da chamada tabela de horários de férias, que entrou em vigor em 24 de dezembro de 2025. Mesmo com o retorno das atividades normais após o período de férias escolares e de fim de ano, o modelo de operação ainda estaria sendo aplicado nesta segunda-feira.
Segundo usuários, a mudança reduziu o número de ônibus em circulação, inclusive nos horários de maior movimento. Com isso, o intervalo entre as viagens que saem do Terminal Urbano de Campo Largo passou a ser de cerca de 10 minutos, podendo se estender para intervalos entre 15 e até 25 minutos, dependendo do horário.
A situação gera preocupação entre passageiros que dependem do transporte para chegar ao trabalho ou a outros compromissos. Em um dos relatos enviados à reportagem, um usuário afirma que a retirada de horários acabou concentrando ainda mais passageiros nos mesmos veículos. “Pegava o ligeirinho das 5h30 e esse horário foi retirado. Agora o período de espera vai das 5h25 até 5h40, e quando o ônibus chega, ele já vem completamente lotado. Todo mundo precisa entrar porque tem horário para trabalhar.”
Outro passageiro descreveu a dificuldade de embarque nos primeiros horários da manhã. “Eu embarquei no ônibus das 6h40 e não dava nem para me mexer. Mudar o pé de lugar era impossível. As pessoas vão espremidas dentro do veículo porque não têm outra opção.”
Um leitor também relatou que a situação é recorrente, e na sexta-feira (06), já havia sofrido com a situação para retornar à Campo Largo. Ele entrou em contato e teria recebido retorno da própria AMEP sobre um dos atrasos registrados na linha. Segundo a resposta encaminhada, o atraso de um ônibus teria provocado a supressão de um dos horários, sendo adotada uma saída posterior, às 20h10.
Problemas com veículos também são relatados
Além da superlotação e dos intervalos maiores entre as viagens, passageiros também apontam problemas relacionados à condição dos veículos utilizados na linha. Nas redes sociais da Folha de Campo Largo, diversos comentários mencionam situações envolvendo ônibus com falhas mecânicas ou paradas durante o trajeto.
Um dos leitores afirma que a situação não ocorre de forma isolada. “Não achem que isso é algo atípico. Todos os dias as pessoas vão espremidas dentro de ônibus velhos, ‘caindo aos pedaços’ (sic). Acredito que pelo menos uma vez por semana tem um ônibus quebrado no meio da pista ou que nem consegue sair dos terminais.”
No vídeo postado pela Folha de Campo Largo na manhã desta segunda-feira, mostra o ônibus lotado, com a sanfona – parte que une as duas partes do veículo articulado – quase encostando no chão, devido ao grande número de usuários.
Outro usuário reforça que os atrasos e falhas acabam impactando diretamente a rotina de quem precisa se deslocar diariamente. “Cada dia que passa fica mais complicado vir trabalhar em Curitiba. A passagem é cara, o ônibus atrasa e ninguém dá uma resposta.”
Reclamações também chegam à Câmara Municipal
As dificuldades enfrentadas pelos usuários do transporte público também foram mencionadas durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Campo Largo, realizada nesta segunda-feira. Durante uso da tribuna, o vereador Gustavo Torres afirmou ter recebido diversas mensagens de passageiros relatando problemas no transporte metropolitano.
Segundo ele, as reclamações incluem superlotação, atrasos frequentes e falhas mecânicas em veículos que operam na linha entre Campo Largo e Curitiba. O vereador destacou que o transporte público é um serviço essencial e que situações como essas impactam diretamente a rotina da população.
“Recebi várias mensagens e não se trata de um caso isolado. Muitas pessoas relatam ônibus quebrando na estrada, passageiros tendo que esperar no acostamento e atrasos que fazem trabalhadores perderem compromissos”, afirmou.
Torres também solicitou esclarecimentos à AMEP sobre os critérios de manutenção da frota, definição da tabela de horários e medidas adotadas para evitar falhas mecânicas nos veículos.
Já o vereador Victor Bini afirmou que seu gabinete busca agendar uma reunião com a agência responsável pelo transporte metropolitano para discutir a situação. “Utilizei esse transporte por sete anos e sei das dificuldades enfrentadas pelos usuários. Estamos tentando uma reunião com a AMEP para discutir ajustes de horários e buscar soluções para melhorar o atendimento à população”, declarou.
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