A ciência brasileira está no centro do debate público nas últimas semanas com a divulgação dos estudos conduzidos pela professora Tatiana Coelho Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sobre a polilaminina. Trata-se de uma rede de proteínas sintetizada a partir da laminina, capaz de estimular a regeneração de conexões na medula espinhal após lesões graves.
A base da pesquisa é sofisticada, mas o impacto é direto. Conforme divulgações, os traumatismos medulares interrompem a comunicação entre cérebro e corpo, levando à paraplegia ou tetraplegia. A polilaminina atua justamente nesse ponto crítico, favorecendo a recomposição dessa comunicação. Em estudo-piloto com pacientes com lesão medular completa, os resultados indicaram recuperação motora em proporção superior à média descrita na literatura científica. Pessoas que dependiam de cadeira de rodas passaram a ficar em pé com auxílio, outras recuperaram movimentos antes inexistentes, controle de funções básicas e sensibilidade parcial. Não se trata apenas de mobilidade, mas de autonomia, dignidade e reinserção social. Quando a ciência avança nesse nível, ela altera trajetórias de vida.
Porém, o método científico exige etapas rigorosas. A aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para o início das fases clínicas é fundamental para comprovar segurança e eficácia, o que fortalece a relevância da descoberta. Mas, vale ressaltar que o caso da polilaminina evidencia algo ainda maior. Países que investem de forma consistente em pesquisa colhem inovação em saúde, tecnologia e em tantas outras áreas. Laboratórios universitários devem ser considerados o berço de soluções que impactam milhões de pessoas. Apoiar a ciência não é gasto, mas é estratégia de desenvolvimento nacional.
Por isso, a importância de formar novas gerações com mentalidade investigativa e visão global. Programas que ampliam horizontes acadêmicos e culturais são instrumentos concretos para isso. O Ganhando o Mundo, desenvolvido pelo Governo do Paraná, é um exemplo de política pública que conecta estudantes da rede pública a experiências internacionais, ampliando repertório e ambição intelectual. A trajetória do estudante Luiz Fernando Andrade é um exemplo desse potencial. Após participar do intercâmbio na Austrália, ele retornou ao Brasil e intensificou a preparação acadêmica. O resultado foi o primeiro lugar em Medicina na Universidade Estadual do Oeste do Paraná e a aprovação em Medicina na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, o desempenho sinaliza que talento e oportunidade, quando se encontram, produzem excelência.
Um estudante que amplia seu repertório internacional retorna com maior autonomia, domínio de idioma, capacidade de adaptação e disciplina. Esses atributos são essenciais tanto para quem deseja seguir na medicina quanto para quem pretende ingressar na pesquisa científica, na engenharia, na tecnologia ou em qualquer área estratégica. Se queremos mais descobertas como a da polilaminina, precisamos de ambientes que estimulem curiosidade, método e ousadia intelectual desde cedo. Isso envolve financiamento estável às universidades, valorização do professor e políticas que exponham jovens a novas realidades.
Opinião
O desafio de transformar educação em ciência