Domingo às 11 de Janeiro de 2026 às 05:11:57
Opinião

Transparência que só existe quando o cidadão olha e entende

Transparência que só existe quando o cidadão olha e entende

A conquista do selo Diamante pelos dois poderes municipais de Campo Largo coloca o município diante de um marco importante. Prefeitura e Câmara aparecem entre as mais transparentes do Estado, com portais atualizados e avaliados por critérios técnicos rígidos. É um avanço que merece ser registrado, não apenas como prêmio, mas como sinal de avanço democrático municipal. No entanto, de nada adianta a excelência dos portais se a população não fizer uso deles. Transparência só se completa quando há olhar social sobre aquilo que é divulgado.
Nos últimos anos, Campo Largo avançou nos índices oficiais. A Prefeitura saltou da 292ª posição em 2019 para a 38ª em 2025. A Câmara deu um salto ainda mais surpreendente, saindo de 245ª em 2024 para 47ª este ano. Esses números mostram organização administrativa, revisão de processos e um esforço conjunto de equipes técnicas, mas no final, tanto o Executivo, como o Legislativo sabe que o objetivo final da transparência não é bater metas, mas permitir que cada cidadão compreenda, com clareza, como o dinheiro público, que é dinheiro da própria população, arrecadado pelos impostos, está sendo usado.
Para que esse ciclo seja completo, é preciso que os moradores se habilitem ao uso das ferramentas disponíveis. Os portais de transparência de Prefeitura e Câmara não são feitos apenas para especialistas em contas públicas. Qualquer pessoa pode acompanhar despesas, contratos, repasses, salários, obras em andamento, planejamento orçamentário e programas previstos. Não é necessário ser técnico para entender que um recurso foi destinado a determinado projeto, ou para verificar quanto custou um serviço contratado. Basta navegar e, principalmente, se interessar.
Mas sabemos que este ainda é um problema nacional. Muitos acreditam que fiscalizar o uso do dinheiro público é papel apenas de determinados órgãos, porém a responsabilidade é compartilhada. Quanto mais olhos atentos, mais difícil se torna o mau uso dos recursos. Uma população que consulta o portal, questiona, pede explicações e acompanha o orçamento contribui para uma cidade mais justa, equilibrada e eficiente. A transparência é sim um direito, mas também deve ser tratada como hábito. Isso fortalece discussões, qualifica debates em audiências, estimula o interesse por votações e amplia o controle social. Democracia não é apenas depositar um voto a cada quatro anos, mas é acompanhar o caminho do dinheiro que sustenta a máquina pública diariamente.