Domingo às 11 de Janeiro de 2026 às 12:14:38
Opinião

Qual o último livro que você leu?

Qual o último livro que você leu?

Há alguns dias, a Agência de Notícias do Senado publicou uma matéria especial bastante interessante sobre o hábito de leitura entre os brasileiros — um hábito que está em preocupante queda. Segundo os dados divulgados, em um universo de 200 milhões de habitantes, o número de não leitores representa 53% da população. Ou seja, o Brasil tem cerca de 93,4 milhões de leitores — pessoas que leram ao menos um livro nos três meses anteriores — o que corresponde a 47% da população. Importante frisar o declínio, já que esse índice é 8% menor do que o registrado em 2007.
O mesmo conteúdo aponta ainda para a diminuição da capacidade de concentração e de compreensão leitora, o que pode resultar no avanço do analfabetismo funcional. Pessoas que sabem o que são as letras, reconhecem números, mas não conseguem interpretar textos ou mesmo frases simples. Isso as afeta de maneira profunda, limitando sua participação plena na sociedade.
Para nós, que cultivamos o hábito da leitura e da escrita, torna-se cada vez mais preocupante saber que muitas vezes somos lidos, mas pouco compreendidos — ou compreendidos da maneira errada. Nossa missão é informar de forma isenta, sem pender para um lado. No entanto, sabemos que nem todos os profissionais e veículos seguem os mesmos princípios éticos. Não se trata de apontar A ou B, mas de refletir sobre o universo de possibilidades que se abriu com a internet. Nesse espaço, pessoas que não possuem plena capacidade de entendimento acabam sendo ludibriadas e enganadas, tornando-se alvo fácil das fake news.
Essas notícias falsas não perdoam: isolam cada indivíduo em um universo de mentiras, neste velho “teatro de tesouras”, e impedem o avanço da nação e de seu povo. Além disso, o conforto de ter algo pronto — que não exige esforço mental — aliado à dopamina liberada a cada rolagem de feed, substituiu a ansiedade gostosa de sentir o cheiro de um livro novo, recém-retirado do plástico. Foi trocada, também, a vontade de descobrir novas aventuras, personagens e lugares — experiências que só a leitura proporciona. Ousamos dizer que, infelizmente, algumas pessoas sequer tiveram esse privilégio ao longo da vida, seja por falta de oportunidade ou, é preciso ser sincero, por falta de vontade.
A mesma matéria publicada pela Agência do Senado mostra ainda que a relação com o livro muda conforme a idade. Crianças e adolescentes (de 5 a 13 anos) são os que mais gostam de ler (87%), enquanto a população acima dos 50 anos demonstra menor apreço (57%). Fica a pergunta: onde está o erro? Seria geracional, econômico, falta de hábito, escassez de tempo ou excesso de telas? Infelizmente, a vontade de ficar nas redes sociais costuma vir antes da vontade de ler mais um capítulo do livro que está na cabeceira da cama.
O que nos dá um pouco de esperança é saber que, apesar desse cenário negativo para a leitura atenta, ainda existem pessoas que querem ser informadas, que buscam novas histórias e compartilham bons livros. Para as demais, fica a necessidade de despertar esse interesse o quanto antes. E para todos, a mesma pergunta: qual foi o último livro que você leu?