A aprovação no Senado do projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil mensais, nesta quarta-feira (05), representa um avanço importante na busca por uma tributação mais justa no Brasil. A medida, que ainda precisa ser sancionada pela Presidência da República, promete beneficiar cerca de 25 milhões de trabalhadores e é uma das mais aguardadas dos últimos anos. É um passo necessário, mas ainda insuficiente diante do peso da carga tributária nacional e da baixa eficiência no retorno desses recursos à população. Atualmente, o Brasil figura entre os países com maior carga tributária do mundo, sendo o líder na América Latina. O conjunto de impostos representa cerca de 33% do Produto Interno Bruto (PIB), um índice elevado para uma nação que ainda enfrenta desigualdades e graves problemas em áreas como saúde, educação, segurança e infraestrutura. Mas a questão não está apenas em quanto se arrecada, mas em como o Estado gasta.
A ampliação da faixa de isenção do IR de R$ 3.076 para R$ 5 mil mensais é, sem dúvida, um alívio para as famílias de renda média. Contudo, o debate não deve se encerrar aí. Pelo texto aprovado, salários entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 terão redução parcial das alíquotas, enquanto rendas acima disso permanecem sujeitas à tabela progressiva atual. Um trabalhador com salário bruto de R$ 7.500, por exemplo, continuará com desconto superior a mil reais apenas de Imposto de Renda, sem considerar INSS e outros descontos. Uma diferença expressiva, que pesa no orçamento de quem luta mensalmente para equilibrar despesas básicas como moradia, transporte e alimentação, que já trazem em si uma alta carga tributária também.
É verdade que esse valor está acima da média salarial brasileira, estimada entre R$ 3.294 e R$ 3.457, mas ele está longe de representar uma realidade confortável. O custo de vida nas grandes cidades e até mesmo em municípios de médio porte consome rapidamente essa renda. Para quem conquistou tal posição com esforço, estudo e dedicação, é natural desejar que o fruto do trabalho se traduza em qualidade de vida, e não em tributos.
Ampliar a faixa de isenção é um gesto de reconhecimento ao esforço do trabalhador, mas é também um convite para ir além. É preciso revisar periodicamente esses limites, acompanhar o aumento do custo de vida e garantir que o dinheiro permaneça, cada vez mais, nas mãos daqueles que têm o potencial de fazer a economia girar, que são os empresários, os trabalhadores por meio das produções e do consumo. Esse tão aguardado crescimento econômico e até mesmo o incentivo ao consumo passam por fortalecer o poder de compra das famílias.
Não basta apenas corrigir as distorções da tabela do Imposto de Renda. É urgente avançar em uma reforma tributária mais ampla e profunda, que simplifique a cobrança, reduza a burocracia e distribua melhor o peso dos tributos. O Estado deve ser eficiente, transparente e comprometido com o retorno de cada centavo arrecadado.
Opinião
Mais dinheiro nas mãos de quem faz a economia girar