Domingo às 11 de Janeiro de 2026 às 05:55:14
Opinião

A verdadeira liberdade exige cidadania e educação

A verdadeira liberdade exige cidadania e educação

Um final de semana marcado pela reflexão que paira a cabeça dos brasileiros, tanto pela grande data comemorativa da Independência do país, como também por tudo o que se vê e vivencia diariamente. Falando mais especificamente, o Hino da Independência do Brasil, escrito por Evaristo da Veiga e com a canção composta pelo próprio Dom Pedro I, deve estar na memória de cada brasileiro, pois ela é das expressões mais fortes do ideal de liberdade nacional. Seus versos são fortes e convocam à coragem e à união, nos fazendo lembrar que a independência não se restringe ao ato histórico de 1822, mas a um compromisso permanente com a real soberania, a justiça e a dignidade de um povo. Nesse sentido, a letra que fala em “ou ficar a Pátria livre, ou morrer pelo Brasil” deve ser cantada ou lida com o senso de responsabilidade coletiva.

Quando vemos o cenário político atual, torna-se perceptível que esse ideal de independência ainda enfrenta desafios consideráveis. Assim como no passado foi necessário romper com o período colonial, hoje o país precisa se libertar da famosa "velha política". Essa “dependência”, mantida via extremismos de esquerda e direita e compras de votos, por exemplo, atrasa o país, que se vê envolto das redes de corrupção, decisões marcadas por interesses particulares e práticas que minam a confiança da sociedade nas instituições. Os “grilhões” de que fala o hino, que seriam justamente as correntes, permanecem atuais, ainda que em outra forma, impondo obstáculos ao avanço do nosso Brasil.

A independência que se coloca como necessária não está relacionada a gestos simbólicos, mas a uma transformação das relações políticas e sociais. Quando o hino chama “brava gente brasileira” para afastar o “temor servil”, é um chamado à participação consciente e responsável, capaz de garantir que a democracia não seja refém de projetos de poder autoritários ou de práticas políticas ultrapassadas. É preciso compreender que transformação passa pela educação. Somente a conscientização sobre o significado da cidadania, o ensino dos direitos e deveres e a valorização do pensamento crítico podem preparar a população para identificar abusos, rejeitar retrocessos e exigir ética na vida pública. Sem esse alicerce, a sociedade corre o risco de permanecer vulnerável à manipulação e ao populismo.

A independência não é fruto da ação de uma pessoa sozinha, mas de um esforço comum em defesa de um bem maior. Não basta comemorar a liberdade conquistada no século XIX, mas é preciso zelar por ela diariamente, enfrentando com firmeza as ameaças que surgem.