O abuso e exploração sexual de crianças pode ser um tema difícil de ser tratado com os filhos, mas é de extrema importância. Na última sexta-feira (18) foi o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à
O abuso e exploração sexual de crianças pode ser um tema difícil de ser tratado com os filhos, mas é de extrema importância. Na última sexta-feira (18) foi o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil, data dedicada a enfatizar a importância desse assunto em casa. No ano de 2016, o Disque 100 recebeu 15.707 denúncias de abusos sexuais contra crianças e adolescentes. Um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), tendo como base os dados de 2011 do Sistema de Informações de Agravo de Notificação do Ministério da Saúde (Sinan) e divulgados pela BBC Brasil, apontou que 70% das vítimas de estupro no Brasil são crianças e adolescentes.
A psicóloga Carolina Gadens Marchiori, especialista em Psicologia Clínica Cognitivo Comportamental e especialista em Sexualidade Humana, explica que as crianças que sofrem desse tipo de violência podem apresentar sintomas variados e pais e professores devem sempre ficar alerta a comportamentos diferentes. “Crianças e adolescentes que sofreram abuso podem demonstrar de diferentes formas, depende da forma que ocorreu o abuso, da personalidade da criança, do ambiente familiar e da rede de apoio do menor. É importante observar se ocorreu mudanças bruscas no comportamento. No geral, é importante observar os seguintes comportamentos: se a criança está demonstrando um conhecimento sexual inapropriado para a sua idade, se ela procura envolver os colegas em brincadeiras sexuais, dificuldade para dormir, isolamento social, dificuldade para se concentrar, queda no rendimento escolar, dificuldade para confiar em adultos, etc.”
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A forma como o assunto é abordado com a criança também deve ser pensada de acordo com a sua idade e feita de uma forma com que ela se sinta confortável para contar. Por isso, o relacionamento entre pais e filhos deve ser o mais próximo possível, conforme orienta Carolina. “A conversa deve ter um clima acolhedor, para que a criança se sinta mais segura para falar. Quanto maior a idade, mais difícil é para a criança ou adolescente conseguir se expressar. O fato de o abusador ser um membro da família também pode tornar mais difícil a conversa. Como geralmente os abusadores ameaçam e culpam a criança/adolescente pelo abuso para que eles não falem. É necessário perguntar de forma simples e clara e na linguagem que a criança compreenda. Por exemplo: perguntar se alguém ‘tocou’ ou ‘machucou’ ela, assim como o que a pessoa fez? Como fez? O ideal é que o adulto ouça mais e pergunte menos. É muito importante que o adulto valide e não julgue o que a criança/adolescente está falando. O acolhimento e a empatia são fundamentais nesse processo. É importante salientar para eles que eles estão sendo muito corajosos por estarem contando, reconhecer o sofrimento pelos quais passaram e não deixar que a culpa pelo o que ocorreu acabe caindo sobre eles”, instrui.
Sérias consequências
Passar por um evento tão traumático quanto esse pode deixar algumas marcas que podem perdurar por toda a vida da criança ou adolescente, como dificuldades na vivência da sua sexualidade na vida adulta e também baixa autoestima, ansiedade, depressão e outros transtornos psiquiátricos graves.
“É importante que tanto os familiares quanto a criança/adolescente passem por Psicoterapia. O tratamento dos familiares é voltado tanto para o acolhimento de suas emoções quanto para que eles auxiliem seus filhos a expressarem e enfrentarem as dificuldades advindas do abuso. Com relação à vítima, o tratamento deve ser voltado para a expressão da experiência do abuso para permitir a ressignificação do trauma. Isso implica na criança perceber que foi vítima da situação, que ela consiga expressar gradualmente seus sentimentos com relação à experiência e que ela aprenda estratégias de enfrentamento, de autoproteção e habilidades sociais”, explica a psicóloga.
Quem é o abusador?
A psicóloga explica que nem todos os abusadores são considerados pedófilos, mas que em geral possuem transtornos que possuem tratamento, porém não a cura. "Quem comete o abuso sexual é o abusador, mas nem todo abusador é considerado um pedófilo. O pedófilo é aquele que tem o Transtorno de Preferência Sexual ou Parafilia. Pessoas que têm a parafilia direcionam seus impulsos sexuais, fantasias e práticas sexuais para as crianças. Elas se sentem atraídas por crianças. É um transtorno que, se medicado e realizado o acompanhamento psicológico, é possível o controle, mas não a cura. Os abusadores (que não têm o diagnóstico de pedofilia) aparentemente são adequados socialmente e por isso é mais difícil detectar. Os pedófilos tendem a ser pessoas solitárias e com aversão a sexualidade adulta”, diz.
Em casos de identificação de algum abuso ou exploração sexual infantil, a psicóloga orienta afastar e proteger a criança do contato com o abusador, realizar exames médicos e encaminhá-la para Psicoterapia. O abusador deve ser denunciado imediatamente nas Delegacias ou anonimamente por meio do Disque 100.