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A fórmula da aprendizagem

A fórmula da aprendizagem

16/11/2012

Na proposta de hoje quero tratar de algo muito importante: como o cérebro aprende. Sim! O cérebro aprende! Vejamos como isso ocorre:    

A aprendizagem se constitui por novas memórias no cérebro humano. Certo? É um processo de formação nem sempre prazeroso, quase sempre demorado, trabalhoso e solitário. Essa última característica faz com que o professor inicie a caminhada com seu aluno, mas o caminho completo a ser traçado será decorrente das atitudes do aprendiz solitariamente. Aí entra a maior dificuldade evidenciada por todos os profissionais da educação: como fazer com que a criança e o adolescente tracem esse caminho sozinhos? Afinal, é evidente que os docentes não possuem tempo hábil de apanhar cada um de seus pupilos pela mão e  carregá-los rumo ao conhecimento, ainda que a palavra Pedagogia tenha significado, na Grécia Antiga, de paidós (criança) e agogé (condução).

Biologicamente a aprendizagem começa no cérebro emocional (hipocampo), que se situa no centro interior do cérebro como um todo. As informações captadas pelo indivíduo são, posteriormente, repassadas ao lobo frontal (esse transporte dos conteúdos é nomeado de acomodação). O processo descrito torna-se um dado valioso aos professores e especialistas da área, uma vez que, se o aprendiz inicia sua cognição na área emocional, significa que temos a fórmula para fixar os conteúdos do currículo escolar, fazendo ligações emocionais dessas informações com a vida dos alunos.

Quem não lembra onde estava no dia do atentado de 11 de setembro? Ou na morte de nosso ilustre Ayrton Senna? Essas lembranças existem por conta da ligação emocional que temos com essas datas – ainda que não sejam boas. Mas será que lembramos o que foi vivido um dia antes ou um dia depois desses acontecimentos? Creio quase que absolutamente que não. Porque nesses dias não houve fortes ligações emocionais com nossa memória. Então, essa é a chave para o ato de memorizar, afinal, arquiva-se na memória de longo prazo os conteúdos que sejam carregados de emoção e que tenham um significado. Neste sentido, somos hoje o que forem nossas memórias!

Fica muito claro o papel da escola nesse contexto. Fazer conexões emocionais com os conteúdos abordados em sala de aula é, nesse ponto de vista, imprescindível aos olhos da educação. Dessa forma, quando da acomodação dos conteúdos, os alunos farão sinapses valiosas com sua vida emocional e não esquecerão o que foi tratado. Assim, quando chega uma informação antiga via sensorial ao Sistema Nervoso Central  (SNC), é gerada uma lembrança e esse procedimento será muito facilitado se tivermos ligações emocionais com essa informação.

Para fazer ligações emocionais valiosas com os conteúdos a serem ensinados, o professor pode e deve utilizar-se da artimanha de relacionar os desejos dos aprendizes (sempre carregadíssimos de emoção!) com os conteúdos do currículo escolar. Afinal, sempre que tentamos alcançar algo na vida, temos emoções ligadas a esses objetivos. Ligar os conteúdos aos desejos, que consequentemente são ligados às emoções dos aprendizes. Talvez essa seja a fórmula da aprendizagem.    



Michelle Klaumann Pedrozo
Pedagoga, Psicopedagoga e Mestre em Educação.
www.psicopedagogiacuritiba.com.br
 

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