Além de ser uma forma de expressão, a arte também promove acolhimento e transformação e é essa a proposta que a Prefeitura de Campo Largo, por meio das secretarias municipais de Saúde e de Cultura e Turismo, apresenta na Exposição Artes do CAPS II e AD, que estará aberta ao público entre os dias 8 e 18 de junho, na Casa da Cultura Dr. José Antonio Puppi.
Com entrada gratuita e classificação livre, a mostra reúne trabalhos produzidos por pacientes dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ao longo do primeiro semestre de 2026, nas oficinas de string art, scrapbook, painéis de colagem, pintura e escultura em resina e argila. A abertura acontece no dia 8 de junho, às 13h30, com vernissage, apresentação musical do artista Victor Hugo Oliveira Silva e coquetel para os visitantes. A montagem da exposição foi feita por Alecsander Mattos.
“Mais do que uma exposição artística, esse é um convite à comunidade para conhecer histórias de vida, processos de cuidado e trajetórias marcadas pela superação de desafios relacionados à saúde mental. Essa exposição afirma que todos têm direito à expressão, ao pertencimento e à participação cultural”, resume o artesão e oficineiro Vergilio Grilo Borges, responsável pelas oficinas desenvolvidas nos CAPS de Campo Largo há quase três anos.
O professor explica que, nos CAPS, a produção artística vai muito além da técnica, pois o objetivo não é alcançar padrões estéticos ou obras perfeitas, mas criar oportunidades para que os participantes expressem sentimentos, memórias e experiências que muitas vezes não conseguem colocar em palavras. “A arte não é uma questão de feio ou bonito. Primeiramente, ela é expressão e quem vai definir se é bonito ou feio não importa nesse processo. O importante é que a pessoa consiga se comunicar, criar e se reconhecer naquilo que produziu”, explica Grilo.
Segundo ele, os participantes chegam às oficinas com diferentes histórias, diagnósticos e níveis de autonomia. Entre eles estão pessoas com depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, autismo e dependência química, com idades que variam dos 18 aos mais de 80 anos.
“Tem pacientes que chegam muito resistentes, e outros vêm empolgados. Alguns permanecem por anos, outros participam algumas vezes e acabam saindo, mas o mais importante é que todos encontrem um ambiente acolhedor, onde não existe obrigação e cada um pode seguir seu próprio ritmo.”
Esse acolhimento acontece por meio da convivência, das conversas, das dinâmicas em grupo e da liberdade criativa oferecida durante as atividades. O paciente é livre, inclusive, se quiser observar os demais fazendo arte, explica.
Inclusão que vai além das paredes do CAPS
A exposição também representa um importante passo na inclusão social dos participantes, onde para Grilo, ocupar um espaço cultural tradicional da cidade possui um significado que ultrapassa a exibição das obras. “Ao estarem na Casa da Cultura, essas pessoas ocupam também um lugar simbólico na cidade. Elas passam a ser vistas como artistas, como cidadãos que têm algo a dizer e a contribuir.”
Ele frisa também que a iniciativa dialoga diretamente com os princípios da luta antimanicomial, movimento que defende o cuidado em liberdade e a inserção social das pessoas em sofrimento psíquico. “Quando você tira a pessoa do isolamento e oferece espaços de convivência, ela começa a perceber que faz parte da sociedade. Ela entende que pode errar, aprender, criar e ser acolhida como qualquer outra pessoa.”
Embora as oficinas artísticas tenham papel importante no processo terapêutico, Grilo destaca que os resultados observados ao longo dos anos são fruto do trabalho conjunto realizado pelos profissionais dos CAPS, onde psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e oficineiros atuam de forma integrada para atender às necessidades de cada usuário. “Às vezes a medicação funciona melhor para uma pessoa, mas para outra, a oficina tem mais impacto, e em alguns casos é a escuta que faz diferença, mas o que realmente funciona é essa construção coletiva do cuidado”, enfatiza.
Ele relata ter acompanhado pacientes que chegaram extremamente retraídos e que, com o tempo, passaram a demonstrar maior interesse pela vida, pelo convívio social e pelas próprias capacidades.
Cada obra carrega uma história
Entre os trabalhos expostos estarão painéis produzidos a partir de fotografias dos próprios participantes, combinadas com colagens, palavras, recortes de revistas e características que eles reconhecem em si mesmos. A proposta busca fortalecer a autoestima e estimular o autoconhecimento. “Quando a pessoa vê sua foto dentro de um trabalho que ela mesma criou, ela percebe que é capaz. Ela pensa: ‘Fui eu que cortei, colei, imaginei e construí isso’. É um processo muito bonito. Eles trazem suas vivências, suas histórias e seus sentimentos para dentro do trabalho e por isso cada peça é única”, diz.
Para Grilo, o evento representa um reconhecimento público da trajetória de pessoas que frequentemente enfrentam preconceitos e invisibilidade social. “A gente quer mostrar que existe sofrimento, mas existe também potência, criatividade, talento e capacidade de transformação. Essas pessoas merecem ser vistas e valorizadas. Queremos que seja um momento de celebração, uma oportunidade para que a comunidade conheça esses artistas e perceba que a arte pode transformar vidas”, finaliza.
SERVIÇO: Exposição Artes do CAPS II e AD
Data: de 08 a 18 de junho de 2026
Abertura (vernissage): 8 de junho, às 13h30
Local: Casa da Cultura Dr. José Antonio Puppi
Entrada: gratuita Classificação: livre

