20/07/2012
Morre Geraldo Schiavon, o “Feijão”
20/07/2012
Morre Geraldo Schiavon, o “Feijão”
20/07/2012
Na tarde de domingo, 15, por volta das 14h35min, Geraldo Schiavon (62), morreu em casa, rodeado de amigos e familiares. Era pai de Orlando, Eliza e Olívia do primeiro casamento, e de Franciny do atual casamento com Alair. Em 2009 ele descobriu um câncer no esôfago e, desde então, passou por diversos tratamentos, mas sempre com muita fé em sua recuperação.
Ele era sempre muito cuidadoso com a saúde. Em fevereiro de 2009 começou a ter muita tosse, que achou que era alérgica, e o motivou a procurar um médico. Foi quando descobriu o carcinoma. Em março já fez uma cirurgia, que retirou o câncer por completo e ficou bem. Mas, em abril de 2011, começou a metástase, pois o câncer tinha atingido a corrente sanguínea. Os nódulos desenvolveram e então fez o primeiro ciclo de quimioterapia, o que teve um resultado satisfatórios já que os mesmos regrediram de tamanho.
Em janeiro deste ano teve uma reação alérgica após ser picado por uma abelha, e novamente foi ao médico fazer exames. Foi quando descobriu nova metástase e também que havia excesso de líquido no pericárdio e precisou passar por uma cirurgia, ficando durante um mês no hospital para se recuperar, já que outras complicações começaram a aparecer.
Alair conta que quando descobriram a doença em 2009, um oncologista que o atendia não dava nem 15% de chance de sobrevivência. “Mas ele tinha muita fé e falava que ia voltar, tinha muita força, era um guerreiro. Nunca se abalou e nem reclamou, não gostava que falasse sobre o assunto”, conta a esposa. Há um mês, o oncologista disse à filha Franciny que não tinha mais tratamentos que pudessem ser feitos e, para não acabar com a esperança do pai, ela falava que o que ele estava sentindo era apenas efeito da quimioterapia.
No domingo, 15, ele acordou muito agitado, ofegante. Uma das últimas palavras que disse foi ao amigo Gilmar Coltro. Geraldo havia perguntado a ele sobre política e Gilmar o questionou se ele iria apoiar determinado candidato e ele disse “Vou, vou para o céu”. Por volta das 13 horas o padre foi chamado para orar e acalmá-lo. Foi quando então amigos e familiares foram chamados. Alair conta que estavam todos rezando em volta dele, pedindo a Deus para que ele descansasse em paz. “Entrou um raio de luz muito forte no quarto e neste momento ele deu o último suspiro”, lamenta.
Sobre Geraldo
Nasceu em 1950 em Campo Largo. Começou trabalhando com pesquisa de minérios. Herdou do pai a fábrica Primor, que produzia pedra de arear fogão à lenha. Com o avanço para fogão à gás, passou a produzir uma fábrica de tijolos refratários. Em 1996 fechou a empresa e abriu no lugar a danceteria Fábrica Dance, que um ano depois teve o espaço alugado para a Igreja Universal. Ele adorava cozinhar e, tempo depois, no mesmo espaço, esteve à frente do Restaurante Portela, onde também surgiu a Lanchonete Fábrica da Gula. Mais tarde resolveu alugar todos os seus imóveis e passou a ter uma vida mais tranquila
A família conta que ele gostava muito de estar rodeado de amigos, de cozinhar, tomar chimarrão e vinho, mas principalmente falar de política. Brincam que ele gostava desta confusão antes das eleições, estar nos comícios, saber sobre as coligações, etc. Alair e Franciny dizem que até no último dia de vida ele quis saber sobre como estava a política na cidade. Há muitos anos, todos os dias às 17 horas, ele se reunia com os amigos na “casinha” para jogar tranca, tomar chimarrão e jantar.
Ele era conhecido pela sua autenticidade, por ser irreverente, muito leal aos amigos. “Ele viveu intensamente, comeu o que gostava, viajou para onde ele queria estar, esteve sempre rodeado de amigos”, contou a mulher. Franciny completa que ele teve o prazer de ver pessoalmente uma corrida de Fórmula 1, que era uma de suas paixões, além também de lutas de MMA.
O apelido de Feijão era da época de escola. Ele tinha verdadeira adoração por gatos, chegou a ter 21 em uma mesma época. Um deles, chamado de Lauro, tinha um tratamento todo especial; Geraldo saía todos os dias para comprar carne fresca e brincava que o gato só aceitava se fosse carne do Açougue Tico.
Também realizava trabalhos sociais. Durante um tempo, por duas noites na semana, fazia sopa junto com amigos para comunidades carentes. No Natal sempre fez novenas e arrecadava roupas, alimentos e brinquedos para doação. Uma das famílias que ajudou era formada por cinco pessoas, todas surdas-mudas, do Itambezinho – até aprendeu a se comunicar com elas, levava ao médico, dentista, doava comida, entre outros.
Foram muitos momentos marcantes vividos por Geraldo e um jeito todo autêntico que deixará saudades. Toda a família agradece a todos que sempre demonstraram muito carinho, fizeram orações e cuidaram dele, em especial aos médicos Marcus Rivabem Winheski, Valderez Parolin Teixeira e Biázio Guarezi, como também toda a equipe do Hospital Nossa Senhora do Rocio que foi muito atenciosa. A missa de sétimo dia acontece neste sábado, 21, às 17 horas, na Igreja Nossa Senhora da Piedade.