20/07/2012
A Política
Desde os tempos mais remotos da humanidade, filósofos, pensadores e intelectuais já haviam defendido com teses eloquentes que o Homem é, em sua natureza, um ser político. “Formado de alma e corpo, o homem é movido por tal constituição e necessariamente ligado a vínculos sociais”, dizia Aristóteles. Essa natureza faz com que sozinho ele não seja capaz de satisfazer suas mínimas necessidades básicas e aspirações. Essa tendência natural faz com que os indivíduos, homens e mulheres, se organizem em sociedade. Afirma ainda Aristóteles: “É evidente que o Estado é uma criatura da Natureza e que o Homem é por natureza um animal político”. Neste sentido nasce aquilo que nós conhecemos hoje: Nação, Estado e municípios. E nas suas constituições próprias estes poderes intrinsecamente nascem com deveres e obrigações inerentes à sua natureza. Por isso confirma ainda o Estagirita: “O estado nasce para tornar possível a vida e a torná-la feliz”. E a razão maior de qualquer poder político é facilitar o acesso a essa meta a todos.
Com o Cristianismo, a dimensão social e política do homem adquire um horizonte infinitamente maior, mais vasto e profundo, dizia o professor Batista Mondim. Pois ela ultrapassa o plano natural, e entra numa dimensão metafísica e espiritual. Ela ultrapassa os confins do tempo e do espaço e nos projeta na eternidade das coisas, situações, relacionamentos, promoção da vida, bem estar, direitos e deveres. Por isso, o mesmo filosofo e professor diz: “No Cristianismo, a sociabilidade e a política, além de fundada na razão, também tem base na graça. Essa graça estabelece entre nós cristãos uma comunhão de vida, de intenções de amor fraterno e de busca para chegarmos a ser um só corpo, ligados ao corpo místico de Cristo. Formamos assim uma só família, porque somos filhos e um mesmo Deus e Pai. Por isso essa concepção de política e sociabilidade na vida Cristã contribuiu ao longo da historia das civilizações, sobretudo na ocidental, para a superação das instituições e filosofias que agrediam a dignidade da pessoa humana. Por exemplo: A escravidão, as desigualdades sociais entre homem e mulher; entre raça e cor, entre ricos e pobres, letrados e analfabetos e acima de tudo a liberdade das pessoas e a garantia de seus direitos. Neste sentido, a “boa política”, seus legisladores e executores é para o homem e a mulher o braço e as mãos de Deus, sem fazer heresia. Pois disse um dia o grande São Tomás de Aquino: “O estado é uma sociedade perfeita porque tem um fim próprio, o bem comum, e possui os meios suficientes para realizar um regime de vida tal que permita a todos os cidadãos possuir aquilo que é necessário para viver como homens”. Portanto, esclarece Batista Modim: “A sociedade o Estado, os legisladores e executores das leis, estão a serviço das pessoas e não o contrário.
A politicagem
Ao contrario de tudo o que foi visto sobre o nascimento da boa política, vemos a politicagem. Ela nasce também da própria natureza humana. Mas de sua natureza, doentia, egoísta, interesseira, desinteressada, despreocupada, leviana, mercantilista, utilitarista e acima de tudo desumana.
Quando entra no coração humano, a prepotência e o poder do dinheiro e do lucro em detrimento do bem estar de uma coletividade aí nasce a politicagem e os famosos politiqueiros. A politicagem é oriunda de uma sociedade alicerçada nos grandes interesses dos senhores feudais sustentadores e provedores dos impérios e de suas monarquias absolutistas. O rei detém o poder soberano com base num regime de teocracia e de um exército, onde ele é escolhido por “deus” e é o grande provedor dos menos abastados que mendigam migalhas de pão e proteção. Os senhores feudais e os conselheiros do rei, na mesa da tábula redonda em conchavos, elaboraram a politicagem típica dos politiqueiros que são. Fingem estarem ao lado dos menos favorecidos. Montam estratégia para combater a peste negra, mas os honorários dos curandeiros, dos feiticeiros, e dos alquimistas subiram muito e o dinheiro liberado dos cofres do Rei Henrique não foram suficientes e temos que suspender o projeto. Sendo assim a politicagem e os polítiqueiros se arrastam ao longo da história das civilizações. Cumulam, fraudam, roubam, desviam, camuflam, enganam. Prometem e não cumprem. Iniciam e não terminam, embargam, reelaboram. Pedem mais dinheiro, gastam e não prestam conta à população. Fazem conchavo, manipulam, enriquecem e quando denunciados, investigados recorrem à couraça garantida pelo “deus” da imunidade e do corporativismo.
Fiquemos atentos, vigilantes e alertas. Subamos na torre do castelo da nossa inteligência, desçamos nos porões e calabouços de nossa memória para lá de baixo lembrar e lá de cima vislumbrarmos os bons homens da política que estiveram nas eleições passadas e estarão nas próximas eleições que se aproximam. E esqueçamos na masmorra da derrota àqueles nos quais não acreditamos em suas ladainhas.
Padre
Jesus Messias Galieta
Paróquia Nossa Senhora da Piedade de Campo Largo