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Agricultura

18/07/2012

Agricultura conservacionista é tema de congresso de engenharia agrícola

Agricultura

18/07/2012

Fonte:AEN-PR

O plantio direto na palha, uma das ferramentas para alcançar a meta de alimentar bilhões de pessoas em todo o planeta, é um dos temas centrais do 41º Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola e 10º Congreso Latinoamericano y del Caribe de Engenharia Agrícola (CLIA/CONBEA), que se realiza em Londrina, até esta quinta-feira (19/07).

O diretor da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Theodor Friedrich, falou sobre a agricultura de conservação, que tem na tecnologia um dos principais pilares, e defendeu políticas governamentais para garantir a implementação do plantio direto nas lavouras.

O plantio direto, que vem sendo incentivado pela FAO em vários países, traz importantes avanços na produção agrícola. Segundo Friedrich, além do aumento da produção e produtividade, a tecnologia possibilita redução dos custos de produção, diminuição do uso de fertilizantes e agrotóxicos e contribui para a redução de impactos climáticos, como secas e inundações.

“Temos que praticar a agricultura do futuro, que é o futuro da agricultura”, afirmou na palestra do CLIA/CONBEA nesta segunda-feira (16/07). Friedrich afirmou que o plantio direto na palha vem sendo adotado em vários países, destacando a China, Austrália, Cazaquistão, Zâmbia, entre outros.

A FAO estima que, em todo o mundo, 125 milhões de hectares são cultivados pelo sistema de plantio direto na palha, o que corresponde a 9% da área explorada pela agricultura. Friedrich afirma que o ideal é que a tecnologia seja utilizada na totalidade da área.

Esforços nesta direção estão sendo adotados pela FAO, que em 1998 formou um grupo de apoio para a adoção de práticas da agricultura de conservação no mundo. Em 2000, realizou o 1º congresso mundial sobre o tema.

PIONEIRO - Pioneiro no uso do plantio direto, o Brasil tem 60% das lavouras cultivadas com o sistema. Porém, o diretor da FAO afirma que o país tem condições para aumentar o índice, o que exige a implantação de políticas governamentais de incentivo e apoio. “É preciso quebrar a compactação mental”, diz, ao avaliar a carência de políticas para o setor, numa alusão ao dano que práticas inadequadas causam ao solo.

Ele acrescenta que são necessárias ações para a educação, formação, ciência e tecnologia e organização dos agricultores. “A prática pode ser utilizada por todos os agricultores, independentemente do tamanho da propriedade”, afirma.

A engenharia agrícola desempenha papel fundamental para o êxito da tecnologia, segundo Friedrich, uma vez que as condições do solo sofrem os efeitos do trânsito do maquinário. “É preciso usar técnicas que favoreçam a movimentação mínima e redução de danos ao solo”, diz.

O diretor da FAO afirma também que a agricultura de precisão é outro grande aliado para o sucesso da agricultura de conservação. “A aplicação de fertilizantes e agrotóxicos pode ser monitorada e o tráfego de máquinas pode ser controlado por sistemas de posicionamento global”, exemplifica.

CANA-DE-AÇÚCAR - O cultivo de cana-de-açúcar no sistema de plantio direto é capaz de fixar no solo grandes quantidades de CO2, um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa. O tema foi tratado por Newton La Scala Júnior, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp Jaboticabal), que pesquisa os impactos das práticas de preparo e colheita na emissão de CO2 do solo em áreas de produção da cultura.

La Scala explicou que quanto mais se revolve o solo, maior é a perda do CO2 fixado. “A cana-de-açúcar é capaz de fixar três a quatro vezes mais CO2 que a soja, por exemplo. O preparo da terra para o plantio desta cultura necessita revolver a terra profundamente, o que acaba por liberar quantidades significativas deste gás na atmosfera”, diz.

O professor destaca também que as pesquisas sobre o plantio direto na cana-de-açúcar ainda estão no início, mas já há empresas trabalhando no desenvolvimento de maquinário para o sistema nesta cultura. Ele afirma que a rotação de cultura antes da reforma do canavial pode ser realizada com o plantio de leguminosas, como a soja ou o amendoim, que auxiliam na manutenção do gás no solo.

No Brasil há cerca de oito milhões de hectares de área plantada de cana-de-açúcar, principalmente no Estado de São Paulo, responsável por 5,4 milhões de hectares cultivados na safra 2011/12. No Paraná, a área cultivada no mesmo período é de 668.673 hectares.

Os organizadores do CONBEA/CLIA são a Associação Brasileira de Engenharia Agrícola (SBEA), Asociación Latinoamericana y del Caribe de Ingeniería Agrícola (ALIA), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e EMATER. Universidade Estadual Paulista (UNESP) e Londrina Convention & Visitors Bureau são os apoiadores.

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