Durante o show realizado na 5ª Festa do Agricultor de Campo Largo, no último sábado (1º), a cantora Naiara Azevedo interrompeu a apresentação por alguns instantes para apoiar uma causa. Ao receber um cartaz da plateia, ela divulgou no palco o perfil @maternizando_no_tea, destacando a importância de apoiar a família. O gesto fez com que milhares de pessoas conhecessem a história de Karen Sandrely Martins, mãe de três meninas com autismo, e impulsionou ainda mais a corrente de apoio que ela mantém por meio das redes sociais.
A família deixou Montes Claros, em Minas Gerais, para recomeçar a vida em Campo Largo em busca de atendimento especializado para as filhas e melhores oportunidades de trabalho para o pai. Atualmente, as três meninas realizam acompanhamento no Hospital Infantil Waldemar Monastier, com diferentes terapias e acompanhamento multiprofissional.
Resposta que demorou a chegar
Karen conta que o diagnóstico das filhas só começou a ser esclarecido quando a caçula, Aylla, apresentou importantes atrasos no desenvolvimento. Antes disso, ela buscou ajuda diversas vezes para entender o comportamento das meninas, mas costumava ouvir que “cada criança tem seu tempo” ou que determinadas características faziam parte da personalidade delas. “Eu pesquisava muito, tentava entender o que estava acontecendo, mas muitas vezes sentia que minhas preocupações não eram levadas a sério.”
Maria Alice recebeu o diagnóstico aos seis anos. Depois foi a vez de Ane Katerine, aos quatro anos. Com o nascimento de Aylla, que precisou de UTI neonatal, apresentou convulsões e outros problemas de saúde, Karen voltou a procurar respostas.
Ela lembra que encontrou acolhimento apenas quando uma médica psiquiatra decidiu investigar a história completa da família. “Foi a primeira profissional que realmente me ouviu. O mundo desabou quando recebi os diagnósticos, mas, ao mesmo tempo, foi um alívio. Finalmente eu sabia qual caminho seguir”, relembra
Um novo começo em Campo Largo
Após estudar sobre o transtorno e buscar alternativas de tratamento, a família decidiu se mudar para Campo Largo, onde o marido de Karen conseguiu emprego. Segundo ela, foi na cidade que elas passaram a ter acesso aos encaminhamentos e às terapias que transformaram a rotina da família.
Hoje, Maria Alice, de 08 anos, também faz tratamento para Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD). Ane Katerine segue em investigação neurológica e realiza acompanhamento com diferentes profissionais. Já Aylla, de 03 anos, possui autismo nível 2 de suporte, hipotonia e outras comorbidades, utiliza sonda para alimentação e necessita de cuidados diários.
Apesar do diagnóstico e dos desafios diários, Karen conta que aprendeu a comemorar cada avanço das filhas. Ela se emociona ao lembrar quando Aylla disse “mamãe, te amo”, pediu água pela primeira vez e começou a andar. Também celebra o desenvolvimento escolar de Maria Alice, que hoje reconhece letras, cores e realiza pequenas atividades de Matemática, além da autonomia conquistada por Ane, que passou a realizar sozinha atividades como a própria higiene e se vestir. “Cada microvitória merece ser celebrada. Às vezes parece pequena para quem vê de fora, mas para a nossa família representa uma conquista enorme”, pontua.
Acolher outras famílias
Foi justamente por lembrar das dificuldades que enfrentou no início da jornada que Karen criou o perfil @maternizando_no_tea. O objetivo é orientar outras famílias sobre diagnóstico, tratamentos, terapias e compartilhar a rotina da maternidade atípica.
Além de levar informação e esperança, o perfil também se tornou uma importante fonte de renda por meio de parcerias e aproxima a família de profissionais e clínicas especializadas.
Karen afirma que a divulgação feita por Naiara Azevedo foi um momento marcante. “Foi muito especial. Quanto mais pessoas conhecem a nossa história, mais famílias conseguimos alcançar e ajudar. As famílias atípicas não estão sozinhas e com as minhas redes sociais quero mostrar que nossos filhos evoluem, aprendem e conquistam seus sonhos. Cada criança tem seu tempo, e cada pequena conquista merece ser comemorada”, finaliza.