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Casa da Cultura transmite arte, cultura e história para todos os campo-larguenses

Um espaço democrático, que há quase 30 anos abriga os mais variados traços da cultura campo-larguense e de qualquer parte do mundo ela venha. Relembre as principais apresentações da Casa da Cultura, confira as mudanças previstas com a reforma e outras curiosidades

Um espaço democrático, que há quase 30 anos abriga os mais variados traços da cultura campo-larguense e de qualquer parte do mundo ela venha. Assim pode ser facilmente descrita a Casa da Cultura Dr. José Antônio Puppi, que em breve será reinaugurada para os campo-larguenses.

A Casa da Cultura foi fundada em 26 de setembro de 1992, na gestão do prefeito Affonso Portugal Guimarães, com a intenção de reunir e promover o desenvolvimento de movimentos artísticos e culturais campo-larguenses. “Foi um espaço para promover a cultura coletiva e individual, que recebeu projetos musicais, de teatro, palestras da Educação, Saúde e das mais variadas áreas de atuação municipal. Tínhamos as formaturas, desde a Educação Infantil ao Ensino Superior, que eram realizadas sempre ao final do ano pelas mais variadas instituições da cidade”, comenta Lindamir Ivanoski, diretora da Diretoria de Cultura de Campo Largo.

“Não é somente um espaço de Cultura propriamente dito, mas que envolve toda a cidade de Campo Largo nos mais variados aspectos. Dificilmente você vai encontrar um campo-larguense que nunca tenha entrado na Casa da Cultura para participar de algum evento que tenha acontecido ali, justamente por essa imensa variedade que ela abrigou ao longo das décadas”, reforça.

Em 2005, foi palco do lançamento do projeto do Governo Federal “Exporta Cidade”, quando o então ministro Luiz Fernando Furlan, responsável pela pasta de Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, e também o vice governador Orlando Pessutti  estiveram presentes.

Entre apresentações de destaque, pode-se relembrar da passagem de João do Lixo, entre 31/10 a 03/11/2005, quando o artista plástico reconhecido internacionalmente por transformar recicláveis em obras de arte, apresentou seu trabalho na Casa da Cultura.

Quem também passou pelo local foi Lala Schneider. Entre os dia 11 e 12/02/2006 a conhecida rainha do Teatro paranaense dirigiu a peça Calota e Gasolina no espaço.

 

Reformar para garantir segurança de todos

Embora tenha 30 anos, o projeto arquitetônico da Casa da Cultura é bastante moderno, e mudanças radicais no seu exterior não foram necessárias. Uma novidade é que a fonte irá funcionar novamente. Corrimãos foram instalados e deram “um toque especial de contemporaneidade” ao local, conforme diz Lindamir.

É surpreendente entrar na Casa da Cultura, ainda que o cheiro de tinta entregue que o processo de finalização está em andamento.

Cada detalhe da restauração está sendo executado com todo o cuidado e, apesar da nova aparência, a identidade do local se mantém. Ainda é necessário realizar algumas obras como a nova pintura, a manutenção do telhado, troca do piso e troca da madeira do palco.

No auditório, a capacidade será de 238 lugares – que será respeitado rigorosamente pelo administradores. As cadeiras foram trocadas por poltronas azuis, ar condicionados foram instalados, sala operacional com tubulação adequada para melhora do ambiente.

Com acessibilidade para o público e para os artistas que irão se apresentar, a expressão “democratização cultural” ganha ainda mais força. O equipamento público apresenta hoje bilheteria, elevadores, rampas, banheiros e  cadeiras especiais para que todos possam apreciar as apresentações.

Os pontos de acesso para as saídas de emergência foram projetados conforme recomendação do protocolo do Corpo de Bombeiros, com segurança de piso antiderrapante, escadaria de emergência, central de controle de incêndio, detectores de fumaça monitorados e hidrantes.

 

Para cada sala, um nome bem pensado

Não por acaso, cada uma das salas da Casa da Cultura receberam um nome de um campo-larguense ilustre. Cada um deles possuía uma afinidade e uma forma única de se relacionar com a arte.

Dr. José Antônio Puppi

A começar com o nome da Casa da Cultura. Dr José Antônio Puppi, conhecido como Juca Puppi, era dentista e além de ser um “artista dos dentes”, profissão que exerceu por 40 anos, tinha profunda ligação com várias vertentes artísticas. Era um dos sócios do Cine Dom Pedro, que por muitos anos foi o único cinema da cidade, e apreciava a sétima arte. Descendente de italianos, gostava muito das tradições do seu país de origem, especialmente da música, assim como também ouvia música erudita. Era um leitor ávido e gostava de ler, escrever poesias e era professor. Envolvido em causas sociais, foi um dos fundadores do Rotary International na cidade, associação que reúne voluntários para promoção de ações em prol do próximo. Torcedor do Fanático Futebol Clube, Dr. José também fez parte da diretoria do time.

Luiz Emanoel Küster

A sala do acervo tem o nome de Luiz Emanoel Küster, que trabalhou por muitos anos na Casa da Cultura no acervo da história de Campo Largo.

Dr. Lauro Portugal Tavares

O auditório recebe o nome de Dr. Lauro Portugal Tavares, que era um médico conceituado e apreciador de Artes.

João Ferreira Küster

A sala de música recebe o nome de João Ferreira Küster, músico conhecido e participante da família que promoveu a centenária Seresta dos Reis.

Augusto de Paiva Vidal

A sala de oficina de artes é denominada de Augusto de Paiva Vidal, de família tradicional na cidade.

Savino Gadagnin

O salão de exposições tem o nome de Savino Gadagnin, italiano que viveu por longos anos em Campo Largo. Ele foi pintor, escritor tinha uma cultura muito rica.

Dr. Dinarte de Almeida Garrett

A sala usada para ensaio de dança gaúcha recebe o nome do Dr. Dinarte de Almeida Garrett, campo-larguense famoso pelas tradições gauchescas.

 

Cultura em todos os lugares e ao acesso de todos

“Costumo dizer que a ‘Cultura Cura’. A Saúde, a Educação, a Infraestrutura, o Meio Ambiente e todas as outras áreas são meios de expressar a cultura, que tem um sentido mais amplo. Restaurar um patrimônio histórico também é uma forma de resgatar a história de um lugar e permitir que ela continue existindo e sendo escrita. Nossa gestão assumiu em 2017, quando houve uma recomendação do Corpo de Bombeiros e do Ministério Público, nas quais diziam que tanto a Casa da Cultura como a Biblioteca Pública não estavam preparada para situações de incêndio”, conta.

Com as recomendações em mãos, a equipe do Corpo de Bombeiros realizou visitações em Campo Largo e constatou que não havia segurança suficiente para o público. A saída foi fechar o espaço. “Nós procuramos outros meios, para que Campo Largo não ficasse sem as atividades culturais. Procuramos outros espaços, nos mais variados bairros, para que todos pudessem ter acesso à cultura”, diz.

Durante o tempo que está fechada, a Prefeitura procurou outros espaços para realizar as oficinas oferecidas dentro da Casa da Cultura, que já oportunizaram mudança de vida e novo emprego ou renda extra para famílias. Entre esses locais, estão colégios e escolas de diversos bairros, o próprio Museu Histórico de Campo Largo, a Biblioteca Pública Dr. Francisco R. de A. Macedo, Biblioteca Cidadã, Indústria do Conhecimento, Guarda Mirin, praças públicas, parques, Cras, entre outros.

“Criamos o Boletim Informativo da Cultura, emitido pela Prefeitura Municipal, em que todas as atividades a serem desenvolvidas estão descritas ali, com informações e contatos. Nós nunca deixamos a cultura campo-larguense acabar, ela está cada vez mais espalhada e ao acesso do público. Para aqueles que precisarem de mais informações, nossas portas estão sempre abertas”, finaliza.