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Do Parque Newton Puppi ao Acervo Histórico: a vida de Milton Muginoski

Na estreia do projeto Ser Servidor, recém-aposentado relembra sua trajetória e a preservação dos arquivos da cidade

Do Parque Newton Puppi ao Acervo Histórico: a vida de Milton Muginoski

Em 2003, Milton Casemiro Muginoski foi chamado para assumir um cargo ao ser aprovado em concurso público realizado pela Prefeitura de Campo Largo. Pouco mais de 23 anos depois, em setembro de 2026, ele conquistou seu direito à aposentadoria e agora relembra um pouco da sua trajetória como cidadão, servidor público e mantenedor da história do município.

Milton nasceu no dia 26 de agosto de 1959, em um dos principais pontos turísticos de Campo Largo, o Parque Newton Puppi. Na época, sua mãe era professora em uma escola localizada em uma área isolada, em Ribeirão Grande, e, como havia a necessidade da intervenção de um médico, o parto aconteceu na casa de um tio que era eletricista da Subestação de Enologia e morava logo na entrada do parque.

Seu primeiro cargo como funcionário da Prefeitura de Campo Largo foi o de secretário da Escola Municipal Sete de Setembro, onde permaneceu durante aquele ano letivo. Já em 2004, Milton foi transferido para o Museu Histórico e, apenas em 2008, com o adoecimento do Sr. Luiz Emanuel Kister, então responsável pelo Acervo Histórico, foi convidado a ocupar o posto. 

“Assumi e comecei a me inteirar de tudo o que era o acervo, do que o acervo se propunha a ofertar para o município”, conta. “A ideia do Acervo Histórico era realmente ser um espaço que guardasse um pouco da história para facilitar a pesquisa de estudantes, de pessoas interessadas em conhecer a história, e também ser um local onde tivesse fotografias, tivesse material de pesquisa e também fosse um local que as pessoas pudessem contribuir dando seus depoimentos, deixando o seu material ali, sempre relacionado à história do município.”

Milton revelou que, entre todos os materiais com os quais teve contato no Acervo Histórico, um chamou sua atenção por contar também um pouco da história da sua família. 

“Eu me deparei com o primeiro mapa urbano do município, e a filha de quem fez esse mapa me falou: ‘Seu Milton, se você reparar, vai ver que tem alguma coisa com a sua família’”, relembra. “Eu estranhei: ‘Como assim?’ Daí ela disse: ‘Olha essa casa aqui.’ Era a casa da Josefa. Estava marcada a casa da Josefa. Era a Rua Sete de Setembro, que terminava na casa da minha bisavó [Josefa].”

Passado e futuro

Milton defende que a importância do Acervo Histórico está na preservação da memória de Campo Largo, na criação de conhecimento, mas também na maneira como os documentos e materiais guardados lá podem contribuir para o desenvolvimento da cidade. 

“Um dos trabalhos em que contribuí auxiliando nos contatos foi para a tese de doutorado da professora Letícia de Sá Rocha, por volta de 2015. Eu nem imaginaria que mais tarde isso, de certa forma, contribuiria para que Campo Largo fosse reconhecido como Capital Nacional da Louça”, conta.

Para ele, o desenvolvimento pelo qual passou a cidade desde sua entrada no funcionalismo público foi significativo. 

“Houve situações bastante interessantes, principalmente no desenvolvimento dos hospitais, dos postos de saúde; melhorou a segurança com a Guarda Municipal; o atendimento da prefeitura para com o cidadão”, acredita. “Então, teve um progresso em várias áreas e, como o município cresceu em número de habitantes, ele também cresceu na oferta para os cidadãos e também para quem usufrui desses benefícios.” 

“Hoje Campo Largo tem uma oferta enorme de restaurantes, de lazer”, continua. “O Parque Newton Puppi é maravilhoso. Tem lá um espaço que a gente vê que as pessoas podem usufruir. Olha quantos shows foram feitos lá, quanta oferta de lazer para todos aqui do município… Tem o Parque da Lagoa, que foi transformado. Nossa! Campo Largo cresceu de forma mais ampla, abrangendo todas as classes sociais.”

Essa melhora no serviço também tem sido registrada no próprio Acervo Histórico. “Uma das conquistas que tivemos aqui foi com a digitalização [dos materiais]”, diz. “Nós começamos com a hemeroteca, que são os jornais. [Eles] foram digitalizados até 1994, estão no site da Prefeitura, e as pessoas podem consultar [clicando aqui]. Por isso que a gente se empenhou bastante para que ocorresse essa digitalização.”

E, segundo Milton, o trabalho realizado por ele não para por aqui. “Agora vai ter uma segunda etapa, uma continuidade a essa digitalização”, afirma. “Então, através desse acesso, muitas pessoas vão poder fazer pesquisa sem vir até aqui [no Acervo], sem ter que pegar no material, buscar, olhar… Vão poder pesquisar de casa, onde acharem melhor.”

Aposentadoria

Passados esses 23 anos como servidor público, Milton afirma que aquilo que mais o tocou em todo esse tempo foi o contato com o público: poder receber o cidadão, atender suas expectativas e estimular que mais pessoas visitem o Acervo Histórico para realizar pesquisas e divulgar a cultura de Campo Largo. 

Em seu último dia de trabalho, 31 de agosto, Milton recebeu uma emocionante homenagem dos colegas, com um café e uma arte que guarda com carinho. A sensação, ele garante, é a de dever cumprido.

“Pessoalmente, posso dizer que trabalhei numa área que gostei e gosto, contribuí da melhor maneira que pude. Agradeço enormemente o reconhecimento de inúmeras pessoas com a contribuição que eu dei com o meu trabalho e no desempenho das minhas atividades. No serviço público me desenvolvi, me realizei e fui muito feliz”, conclui. 

Servidores

O projeto Ser Servidor nasceu com o intuito de contar histórias de funcionários públicos que se destacaram pela dedicação, carinho e excelência no trabalho prestado à população campo-larguense. 

 

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