Saúde

Município adota teleconsultas para reduzir fila de psicologia e psiquiatria

O serviço será destinado a pacientes que já estão na fila de espera e dependerá de encaminhamento e avaliação prévia da equipe de saúde

Município adota teleconsultas para reduzir fila de psicologia e psiquiatria

Moradores de Campo Largo que aguardam consultas com psicólogos e psiquiatras poderão ser atendidos por meio de teleconsultas, em um novo modelo implantado pela Secretaria Municipal da Saúde. O serviço será destinado a pacientes que já estão na fila de espera e dependerá de encaminhamento e avaliação prévia da equipe de saúde. 
A proposta é ampliar as possibilidades de atendimento, com consultas realizadas pelo aplicativo da Prefeitura e a opção de utilizar a estrutura de uma unidade de saúde para quem não tiver acesso à internet ou a um aparelho compatível. Nesta primeira etapa, serão atendidas pessoas que já aguardam consultas de psicologia ou psiquiatria, inicialmente com a faixa etária de até 50 anos, especialmente adolescentes e adultos, que têm maior adesão à esta modalidade de atendimento.
Em reunião realizada com a imprensa de Campo Largo nesta quarta-feira (14), a SMS apresentou como irá funcionar o fluxo de atendimento. Segundo a explicação, os pacientes que atualmente estão na fila por atendimento com psicólogo ou médico psiquiatra serão direcionadas aos equipamentos de saúde, onde receberão orientações sobre o serviço e terão auxílio para realizar o cadastro no aplicativo da Prefeitura. A partir disso, poderão acompanhar os agendamentos.
Reforçam que aplicativo não oferece a opção de autoagendamento. Para ter acesso à teleconsulta, o paciente precisa passar pela atenção primária, receber encaminhamento e entrar na fila de espera. A solicitação é analisada pela equipe de regulação da Secretaria Municipal da Saúde, que avalia o caso e define se o atendimento remoto é adequado.
Segundo a Secretaria, a proposta é priorizar, nesta modalidade, pacientes cujos quadros sejam compatíveis com o atendimento a distância. Casos que demandem avaliação presencial ou apresentem sinais de maior gravidade devem receber o encaminhamento adequado, conforme a avaliação dos profissionais de saúde.
Uma vez agendada a consulta, a pessoa receberá a informação por mensagem e também por notificação no aplicativo da Prefeitura. Os atendimentos poderão ser agendados até as 21h, ampliando a possibilidade de acesso fora do horário comercial. As consultas de psicologia terão duração de até 30 minutos, conforme as recomendações profissionais. Já os atendimentos médicos, incluindo os de psiquiatria, poderão durar até 40 minutos, a depender da necessidade do paciente, seguindo o padrão informado pela Secretaria para os atendimentos presenciais.
É importante que, no momento da consulta on-line, o paciente esteja em um ambiente adequado, com boa iluminação, pouco barulho e condições de privacidade. A equipe também orientará sobre o uso do aplicativo e os cuidados necessários para a realização do atendimento.

Primeira consulta será presencial
A Secretaria Municipal da Saúde estabeleceu um fluxo específico para o início do acompanhamento por teleconsulta. O paciente deverá ter encaminhamento para psicologia ou psiquiatria e estar na fila de espera da especialidade.
Após o agendamento, a primeira consulta será realizada presencialmente em um dos equipamentos de saúde indicados, como o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou o Núcleo Integrado de Saúde (NIS). Nesse momento, o paciente receberá orientações sobre o funcionamento do serviço, o acesso ao aplicativo e as condições necessárias para realizar as sessões seguintes a distância.
A consulta inicial também permite que a equipe verifique se a pessoa consegue utilizar a tecnologia e compreende os procedimentos necessários. O paciente poderá optar por não realizar o atendimento remoto e seguir o fluxo de atendimento presencial.
As sessões seguintes poderão ser agendadas diretamente pelo aplicativo. Quem não tiver acesso à internet, não possuir aparelho compatível ou enfrentar dificuldades tecnológicas poderá realizar as consultas em equipamentos de saúde disponibilizados pelo município.
A Secretaria também informou que o aplicativo está integrado ao sistema municipal de saúde. Os profissionais credenciados recebem capacitação para utilizar a plataforma e registrar a evolução dos atendimentos no prontuário do paciente, permitindo que as informações sejam acompanhadas pela rede de saúde, conforme os protocolos estabelecidos.
Receitas, atestados e outros documentos emitidos durante as consultas ficam disponíveis na área de documentos do aplicativo. As prescrições são realizadas conforme os protocolos de atendimento e as regras aplicáveis, incluindo as orientações sobre medicamentos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Profissionais passam por seleção e capacitação
De acordo com a Secretaria, os profissionais que realizam as teleconsultas passam por um processo de credenciamento, com análise da documentação necessária para habilitação. A avaliação inclui a regularidade profissional e os requisitos específicos de cada especialidade.
Os profissionais também recebem orientações sobre os protocolos municipais, a rede de atendimento disponível e a relação de medicamentos fornecidos pelo município. O objetivo, segundo a administração, é garantir que as consultas tenham continuidade dentro da rede pública e que os encaminhamentos considerem os serviços disponíveis.
A Secretaria destaca que a teleconsulta não substitui o acompanhamento pela unidade básica de saúde. A atenção primária continua sendo a porta de entrada do SUS e responsável por coordenar o cuidado do paciente, inclusive quando há necessidade de acompanhamento especializado.

Histórico do teleatendimento em Campo Largo
Antes da implantação do modelo atual, a Saúde de Campo Largo já utilizava estratégias de atendimento remoto para casos agudos. O serviço começou em 2024, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas, e foi ampliado em 2025 para as Unidades de Saúde Dante Castagnolli, Vila Glória e Ari Fior.
Conforme os dados apresentados pela Secretaria, em 2024 foram realizados 7.822 atendimentos por telemedicina na UPA. Em 2025, com a ampliação do serviço, o número chegou a 8.710 atendimentos, considerando a UPA e as unidades de saúde participantes.
Até o momento da apresentação dos dados de 2026, o município contabilizava 7.149 atendimentos nessa modalidade. A Secretaria informou que o trabalho realizado ao longo dos últimos anos permitiu reunir informações sobre o perfil dos pacientes e aperfeiçoar os protocolos de atendimento.
A administração também explicou que, nos casos agudos, o paciente precisa passar por avaliação inicial de enfermagem e classificação de risco antes de ser direcionado à teleconsulta, quando indicada. A medida busca dar mais segurança ao atendimento e identificar situações que exigem avaliação presencial.
Em 2026, o município concentrou esforços na consolidação do modelo e na capacitação das equipes. Um novo ponto de teleconsulta foi implantado na região do Santa Cruz, e a Secretaria estuda ampliar a estrutura para outras unidades, incluindo a possibilidade de atendimento na região do Itaqui. A expansão depende da avaliação da capacidade física dos locais e da instalação dos equipamentos necessários.
O projeto-piloto de psicologia e psiquiatria começou em setembro. Na apresentação, a equipe informou que 430 pacientes já haviam sido agendados para atendimento, dos quais 33 estavam em acompanhamento ativo naquele momento. O acompanhamento pode incluir ciclos de dez consultas, com possibilidade de solicitação de novas sessões quando o profissional avaliar que há necessidade de continuidade.
O município mantém dois Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que funcionam como portas abertas para acolhimento de pessoas em sofrimento psíquico. O acolhimento inicial permite avaliar a situação e direcionar o paciente para o atendimento necessário, que pode incluir acompanhamento individual, atividades em grupo ou encaminhamento para consulta especializada.
A Secretaria Municipal da Saúde informou que pretende utilizar os resultados e as avaliações dos pacientes para aprimorar o serviço e estudar a inclusão de outras especialidades. Entre as possibilidades mencionadas está a endocrinologia, especialmente para o acompanhamento de pessoas com diabetes descompensada ou outras comorbidades que já recebem atendimento na atenção primária, mas precisam de avaliação especializada.

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