Animal foi atropelado na região de São Luiz do Purunã, acabou sendo resgatado pela Via Araucária e recebeu atendimento especializado em clínica de Ponta Grossa
Mais de 10 dias de cuidados veterinários, acompanhamento especializado e uma recuperação que agora permite o retorno à natureza. Essa é a trajetória de uma fêmea de veado-catingueiro (Mazama gouazoubira) que sobreviveu a um atropelamento na BR-277, no km 140, próximo à praça de São Luiz do Purunã.
Com aproximadamente 11 quilos e idade estimada em um pouco mais de um ano de vida, o animal foi resgatado pela Via Araucária no dia 5 de outubro, após sofrer ferimentos graves. Desde então, passou por tratamento especializado e apresentou evolução clínica favorável, até ser considerado apto para a soltura. O retorno ao habitat natural está previsto para a próxima segunda (19), às 10h, em uma área de mata próxima ao local onde foi encontrado, escolhida para favorecer sua reintegração à natureza em condições seguras.
A luta pela sobrevivência teve início quando uma equipe da Via Araucária realizava uma vistoria de rotina na rodovia. Ao identificar a ocorrência, os profissionais adotaram as medidas necessárias para isolar a área e acionaram a equipe especializada no resgate de animais silvestres. “Por se tratar de uma espécie sensível ao estresse, a operação exigiu cuidados específicos para minimizar ruídos, movimentos e estímulos visuais, reduzindo o risco de agravamento do quadro clínico”, disse Naiade Perotto, supervisora de Meio Ambiente da Via Araucária.
Após o resgate, o veado-catingueiro foi encaminhado à clínica, em Ponta Grossa, onde permanece sob os cuidados da médica-veterinária Nahara Aumondes Soares. Exames de raio-X e ultrassom identificaram quatro costelas fraturadas do lado esquerdo, fratura e deslocamento do ombro esquerdo, além de uma lesão pulmonar decorrente do impacto e inchaço abdominal.
Carinho no tratamento
Durante o tratamento, foram administrados medicamentos para controle da dor e da inflamação, além de hidratação e cuidados para aliviar o desconforto abdominal. O acompanhamento também incluiu procedimentos complementares, como a aplicação de tratamento com o próprio sangue do animal nas regiões das fraturas e do ombro, com o objetivo de auxiliar na cicatrização, e sessões de laser para contribuir com o alívio da dor e a recuperação dos movimentos. Além disso, o amor envolvido entre as profissionais ajudou na recuperação com carinho, cobertores e alimentação adequada.
Retorno seguro à natureza
A definição do local de soltura possui características do habitat original busca reduzir a exposição do animal ao tráfego rodoviário, contribuindo para um retorno seguro à vida silvestre, contando com acompanhamento técnico. Segundo Naiade, essa volta do animal para natureza motiva todos os envolvidos desde o resgate na rodovia.
“Sua recuperação evidencia a importância da atuação integrada entre as equipes de atendimento rodoviário e os profissionais especializados no cuidado da fauna silvestre”, reforçou a supervisora de Meio Ambiente da Via Araucária.
O que fazer quando encontrar um animal ferido na rodovia?
De janeiro a agosto de 2026, dez animais silvestres foram resgatados por equipes da Via Araucária. Para acionar o resgate de alguma espécie machucada ou que represente risco ao trânsito, ligue imediatamente para o telefone 0800 277 0 376. A concessionária possui equipes treinadas e veículos específicos para o manejo e resgate seguro.
Adote os seguintes cuidados de segurança:
Sinalize a via: Ligue o pisca-alerta e pare o veículo em um local seguro (como um posto de serviços ou recuo). Nunca pare no meio da pista de rolamento.
Ligue para o 0800 277 0 376: Informe o km aproximado, o sentido da via (ex: Curitiba–Araucária) e um ponto de referência próximo.
Não toque no animal: Animais feridos ficam estressados, assustados e podem atacar para se defender, além de haver risco de transmissão de doenças.
Não tente transportá-lo: Remover ou transportar animais silvestres sem autorização dos órgãos ambientais configura crime ambiental.
Mantenha distância: Evite que outras pessoas ou animais de estimação se aproximem para não estressar ainda mais a vítima.