De acordo com dados fornecidos pelo sistema Boletim de Acidente de Trânsito Eletrônico Unificado (BATEU), o município de Campo Largo registrou uma redução significativa no número de acidentes de trânsito em maio de 2026, quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Durante o mês, ocorreram 72 acidentes envolvendo veículos automotores, frente às 98 ocorrências registradas em maio de 2025. Isso representa uma expressiva diminuição de 26,53%.
Essa queda reflete diretamente o impacto das ações de fiscalização, prevenção e conscientização promovidas pelo poder público, com destaque para a campanha Maio Amarelo. Durante todo o mês, a Prefeitura de Campo Largo, por meio da Secretaria Municipal de Ordem Pública (SMOP), intensificou as ações educativas e de sensibilização, reforçando que a segurança viária deve ser um compromisso diário de todos os cidadãos.
Os resultados positivos também se estendem ao cenário anual. Em 2025, Campo Largo registrou uma média de 90,5 acidentes por mês. Já nos primeiros cinco meses de 2026, essa média caiu para 80,6 acidentes. Também houve uma diminuição do número de vítimas no trânsito: no ano de 2025 a média mensal foi de 17,83 feridos; em 2026 a média mensal está em 15,4 feridos.
Outro dado importante é a redução de vítimas fatais: em 2025 foram quatro vítimas fatais em acidentes entre automóveis nas ruas fiscalizadas pelo município, portanto, não inclui atropelamentos e acidentes nas vias estaduais e federais; em 2026, nas mesmas circunstâncias analisadas, não houve vítimas fatais.
Os dados de 2026
Contudo, se a redução no número de acidentes deve ser celebrada, os números do BATEU nos primeiros cinco meses deste ano indicam que a atenção e o cuidado ainda são necessários. Segundo o relatório, os dias em que ocorre a maior parte dos acidentes no município são segundas, quintas e sextas-feiras, com 81, 90 e 82 acidentes, respectivamente.
O sistema também demonstra que 18h e 19h são os horários em que acontecem a maioria dos acidentes, 66 e 61, respectivamente. Também merecem destaque as 7h (32 acidentes) e 8h (29), bem como as 13h (38) e 14h (29).
O secretário municipal de Ordem Pública, João Freita, analisa o cenário com base em estudos comportamentais de segurança viária. "A dinâmica dos acidentes em Campo Largo reflete um problema nacional: a falha humana motivada por cansaço, pressa, desrespeito às leis de trânsito, falta de cordialidade, desatenção, a falta de planejamento dos fatos externos", afirma.
"A segunda-feira é marcada pela readaptação ao ritmo intenso da semana (escola dos filhos, trabalho, compromissos, etc.) após o repouso, gerando uma desatenção perigosa”, explica. “Já nas quintas e sextas-feiras, enfrentamos o efeito acumulativo da fadiga física e mental, aliados a demais fatores e compromissos do final de semana. Estudos demonstram que o cansaço reduz os reflexos do motorista de forma semelhante à ingestão de álcool. Quando somamos essa exaustão ao maior volume de veículos nas ruas, à pressa de chegar em casa e, infelizmente, ao consumo de bebidas alcoólicas, criamos o cenário perfeito para tragédias," conclui.
Compreender como os acidentes acontecem é o primeiro passo para evitá-los. Os dados de 2026 mapearam os três principais tipos de colisões em Campo Largo, revelando que a grande maioria poderia ser evitada com atitudes simples de direção defensiva:
Abalroamento lateral (161 casos, ou 32,5%) - Desrespeito à via preferencial, avanço de semáforo vermelho e pressa em cruzamentos;
Colisão traseira (97 casos, ou 19,6%) - Falta de distância segura e distração ao volante (uso de celular, envio de mensagens ou ajuste de rádio);
Colisão frontal (65 casos, ou 13,1%) - Ultrapassagens proibidas ou mal calculadas, excesso de velocidade, fadiga extrema e condução sob efeito de álcool.
Para João Freita, os números exigem uma reflexão profunda da sociedade sobre o papel de cada indivíduo no trânsito.
“No Brasil, a cada 15 minutos uma pessoa perde a vida no trânsito. Em Campo Largo, estamos trabalhando incansavelmente com fiscalização, sinalização e campanhas educativas para proteger nossos cidadãos. Os dados provam que essas políticas públicas funcionam, mas o poder público não pode estar no carro com o motorista", enfatiza. “Mais de 90% dos acidentes são causados por falhas humanas. Um abalroamento lateral não é um 'acidente', é o resultado de alguém que decidiu ignorar as normas de trânsito; uma colisão traseira é o preço que se paga por uma desatenção, uma olhada no celular em vez da rua. O trabalho da Prefeitura não vai parar, mas a verdadeira segurança viária só será alcançada quando cada motorista entender que o veículo é uma responsabilidade social”.
O secretário reforça que “respeitar a sinalização e as leis de trânsito não é apenas evitar multas, é preservar a própria vida e a vida de todos que compartilham o mesmo espaço.”