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Maratona do Paraná reúne 20 mil atletas e tem campo-larguense no topo do pódio

Maratona do Paraná reúne 20 mil atletas e tem campo-larguense no topo do pódio

Guaratuba e Matinhos foram o cenário do atletismo paranaense neste final de semana, ao receberem a Maratona Internacional do Paraná (MIP), que reuniu cerca de 20 mil atletas ao longo de dois dias de competição. As provas contaram com a participação de corredores de elite, atletas com deficiência, amadores e o pelotão da inclusão, com a recém-inaugurada Ponte da Vitória sendo o destaque do percurso.
O evento reuniu atletas de diversas regiões do estado e contou com uma grande participação de corredores de Campo Largo, que marcaram presença tanto na corrida quanto na cerimônia de inauguração da ponte. Entre estes atletas campo-larguenses está Lucimari Perin Miretzki, que conquistou o 1º lugar em sua categoria, na prova de 10 quilômetros, e também garantiu a 8ª colocação geral da prova.
A Folha conversou com Lucimari, que conta que o resultado tem um significado especial, sobretudo por não ter sido fruto de uma preparação específica para a distância. “No dia da prova, nunca sabemos exatamente como o corpo vai reagir, mas uma coisa é certa, de que eu nunca desisti de nenhuma corrida. Sempre cruzo a linha de chegada agradecendo por estar ali.”
A conquista mais recente é apenas mais um capítulo de uma história que começou de forma despretensiosa, em 2015, quando, aos 35 anos, decidiu iniciar caminhadas ao lado do marido com o objetivo de perder peso. A primeira experiência em uma prova oficial aconteceu na Corrida Noturna de Campo Largo, com largada na Vila Olímpica. “Fiquei emocionada com a energia das pessoas. Completei os 5 km alternando caminhada e corrida, com muita força de vontade”, relembra.
O que começou como incentivo à saúde rapidamente se transformou em um estilo de vida. Pouco tempo depois, ela decidiu participar de uma prova sozinha e surpreendeu ao conquistar seu primeiro troféu já na estreia individual, ao cruzar a linha de chegada na 5ª colocação geral. Desde então, Lucimari não parou mais. Ao longo de 11 anos, acumulou participação em mais de 300 corridas de rua, com distâncias que variam entre 5 km e 67 km. A atleta também expandiu seus limites ao se tornar triatleta, aprendendo a nadar e incorporando novos desafios à rotina de treinos.
Entre as provas mais marcantes da carreira está o Desafio Samurai, realizado na Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina, com 67 quilômetros de subida. “Foi um verdadeiro teste físico e mental”, comenta.

Treinos e rotina
Conciliar a rotina esportiva com a vida profissional também faz parte da trajetória. Servidora pública, Lucimari trabalha 40 horas semanais no período noturno e, ainda assim, já completou quatro maratonas, distância considerada uma das mais exigentes do atletismo. “A maratona exige disciplina, foco e renúncia. Quando você decide fazer algo grande, precisa organizar a rotina e cuidar de todos os detalhes”, explica.
Apesar dos resultados expressivos, visto que são mais de 300 troféus ao longo da carreira, a atleta adota uma abordagem menos competitiva e mais pessoal em relação ao esporte. “Nunca corri pensando em troféus, vejo que eles vieram como consequência. A corrida, para mim, é prazer, liberdade e conexão”, afirma.
Atualmente, aos 46 anos, o principal objetivo de Lucimari é baixar o tempo nos 5 quilômetros para menos de 19 minutos em provas oficiais, marca que já alcançou em treinos. “Hoje corro contra o relógio. Com o tempo, você entende que o mais importante não são os troféus, mas a realização pessoal”, diz.
Ela também destaca os desafios fisiológicos que surgem com o passar dos anos, especialmente para mulheres, citando como exemplo a questão hormonal, que influencia bastante, por isso acaba precisando treinar mais para manter o nível. Além da performance, Lucimari se tornou uma incentivadora do esporte, especialmente entre iniciantes e para quem deseja começar, o conselho é simples: dar o primeiro passo. “Comece caminhando, convide alguém para ir junto. Depois, vá evoluindo aos poucos. Aquela sensação de cansaço é o corpo ficando mais forte”, orienta.
A atleta também reforça a importância de não se comparar com outros corredores. “É você contra você todos os dias. Quando você entende isso, a corrida deixa de ser uma obrigação, passa a ser parte da sua vida e o que antes parecia impossível vai ficando mais fácil, porque tudo é treino. Hoje, vejo cada vez mais pessoas correndo, participando de provas. Campo Largo respira esporte”, finaliza. 

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