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Campo Largo celebra Consciência Negra com cerimonial e reflexões sobre igualdade racial

Campo Largo celebra Consciência Negra com cerimonial e reflexões sobre igualdade racial

Em 20 de novembro o Brasil celebra o Dia da Consciência Negra, data que homenageia a morte de Zumbi dos Palmares e simboliza a luta histórica da população negra contra o racismo e a desigualdade, reforçando o importante papel da reflexão sobre a igualdade racial e o combate ao racismo estrutural no país.?

Como reconhecimento à força da cultura afro-brasileira presente na música, na culinária, na fé, no trabalho, nos saberes tradicionais, nas artes e tantas outras áreas da nossa sociedade, na última quarta-feira (19) a Prefeitura de Campo Largo, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e da Mulher, realizou o Cerimonial da Consciência Negra.

O encontro aconteceu no auditório da Prefeitura Municipal, no Bloco 12 da sede administrativa, e contou com a palestra da advogada Michelle Maria Fagundes Machado. Membra relatora da Comissão da Igualdade Racial da OAB-PR e da Comissão da Verdade da Escravização Negra - OAB-PR, ela falou sobre como a conscientização precisa ser incentivada.

“Diante da situação que a gente encontra no Brasil, onde muitos crimes raciais ocorrem a todo o momento, os direitos raciais devem ser tratados todos os dias,” afirmou. “A palestra traz a relação do período escravocrata para poder fazer uma breve análise em relação a tudo o que ocorre dentro do nosso país. Não tem como tratar de direitos raciais sem tratar do período escravocrata em que ocorreram diversos tipos de violações de direitos humanos em relação à população negra.”

Ainda segundo a palestrante, “não são apenas as pessoas brancas que devem estudar direitos raciais, pessoas negras também devem estudar, porque diante do nosso contexto histórico, muitas dessas pessoas não possuem esse conhecimento,” explicou. “Tem pessoas que estão obtendo essa relação de se reconhecer como pessoas negras de forma tardia, então o estudo de direitos raciais é para a população como um todo, não apenas para legitimar somente as pessoas negras, mas toda a sociedade,” concluiu.

A Vice-prefeita Chrystiane Chemin reforçou a importância da data e como o respeito é uma responsabilidade de todos.

 “O Dia da Consciência Negra não é só sobre a memória do passado, é, sobretudo, uma responsabilidade de todos nós com o presente e especialmente com o futuro, porque agora é que vamos construir um futuro para as crianças,” declarou. “Não estamos aqui para repetir o que tantas e tantas vezes foi feito, mas para escutar com mais profundidade o que as pessoas negras têm gritado, sussurrado e construído.”

Durante toda a manhã, o público que compareceu ao cerimonial acompanhou diversas atividades em homenagem à contribuição negra na formação do Brasil, como:

Explicação sobre bonecas abayomi, símbolo de resistência, cultura e poder feminino;

Apresentações das alunas do 3º ano de docentes do Colégio Estadual Sagrada Família;

Desfile de moda afro, por Lurdinha Lima;

Samba de roda, com o contramestre Dendê Mukumbi.

“Sempre falo que a gente não quer igualdade, a gente quer equidade, até porque, não somos todos iguais, temos as nossas especificidades, temos o nosso cabelo, a nossa cor, temos a nossa cultura, que é tão rica e precisa ser conhecida, valorizada,” defendeu a diretora da Mulher, Direito, Defesa e Igualdade Racial, Everli Polinária dos Santos. “A consciência negra é todos os dias e se a gente aprende a odiar, a gente aprende a amar também. Que a gente não seja discriminado pela cor da pele, que a cor da pele não seja um diferencial, que cada vez mais a gente possa plantar o amor.”