Novembro é tradicionalmente um mês de reforço no orçamento dos trabalhadores brasileiros, já que marca o pagamento da primeira parcela do 13º salário. Criado também com a intenção de dar fôlego financeiro às famílias e impulsionar o comércio no fim do ano, o benefício também influencia diretamente a movimentação econômica dos municípios, e Campo Largo sente esse reflexo.
De acordo com a contadora Bruna Kuster, o pagamento do 13º representa um impulso relevante ao comércio local. Com base em dados do IBGE sobre emprego e renda, ela estima que mais de R$ 140 milhões possam circular no município nesta reta final de 2025. Segundo Bruna, Campo Largo possui mais de 40 mil postos de trabalho ativos, com média salarial de 2,4 salários mínimos. “Embora parte desse valor seja usada para amortização de dívidas, estimativas estaduais mostram que entre 35% e 40% da população está negativada. Isso indica que mais da metade desse montante deve, de fato, ser injetado no comércio local”, explica.
De acordo com a contadora, o pagamento do 13º é um dos fatores que explicam a realização dos tradicionais feirões de negociação de dívidas em novembro e dezembro. “O credor sabe que o trabalhador tem maior liquidez nesse período. Mesmo que o 13º não cubra o valor total da dívida, há mais disposição para negociar porque aumenta a chance de receber.”
Para quem não está endividado, Bruna recomenda planejamento, como dividir o valor entre compras de fim de ano, reserva financeira, investimentos e despesas futuras.
O 13º salário também funciona como uma ferramenta de estabilidade para muitas famílias. No entanto, Bruna faz o alerta de que o consumismo excessivo continua sendo um problema. “O juro ‘come’ o salário de forma silenciosa, reduzindo drasticamente o poder de compra. Muitas famílias se endividam contando com o 13º, e quando surge uma emergência, estão no vermelho antes mesmo de receber”, explica.
Ainda assim, ela reforça que, quando bem utilizado, o benefício ajuda a reequilibrar o orçamento doméstico e impulsiona a economia local, gerando um impacto positivo para toda a sociedade.
Primeira e segunda parcela: o que muda
Bruna explica que a primeira parcela corresponde à metade do salário, sem nenhum desconto. Já a segunda, paga até 20 de dezembro, vem com as deduções obrigatórias, sendo o INSS e, conforme o salário, Imposto de Renda. A legislação determina que a primeira parcela pode ser paga entre fevereiro e novembro do ano vigente, porém, na prática, as empresas costumam repassar o valor até 30 de novembro.
Têm direito ao 13º trabalhadores urbanos, rurais, domésticos e avulsos. O benefício pode ser proporcional, como nos casos de contratação durante o ano, pedidos de demissão, rescisão ou suspensão de contrato.
Organização financeira é essencial também para os empresários
Para as empresas, especialmente as pequenas e médias, o pagamento do 13º exige planejamento. Segundo Bruna, o valor deve ser previsto ao longo dos 12 meses. “É fundamental que o empresário conheça o custo real de cada funcionário, incluindo o 13º. O ideal é separar uma conta exclusiva para reservas trabalhistas, onde entram férias, rescisões e o décimo terceiro”, orienta.
Ela reconhece que, no atual cenário econômico, muitos empreendedores têm dificuldade em manter essa reserva. “Por isso, é importante ficar atento ao custo das soluções emergenciais. Começar o ano endividado pode ser perigoso.”
Alerta também para os equívocos mais frequentes cometidos pelas empresas. O principal deles é não considerar que o trabalhador precisa ter pelo menos 15 dias trabalhados no mês para ter direito ao benefício daquele período. “É fundamental conferir todas as verbas que incidem sobre o 13º, além dos descontos de INSS e Imposto de Renda, para evitar problemas trabalhistas e multas”, reforça.
De onde surgiu o 13º salário?
O 13º salário é um direito garantido pela Lei 4.090/1962, sancionada pelo presidente João Goulart. A ideia, porém, começou a ser discutida ainda na década de 1920, dentro das lutas sindicais, até ganhar um projeto formal em 1959 e ser aprovado no Congresso três anos depois.
“Foi um período marcado por uma forte disputa ideológica entre esquerda e direita. A proposta de gratificação natalina foi criada para estimular a economia, movimentar o comércio e ajudar as famílias com as despesas típicas do fim e do início de ano”, finaliza a contadora.
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Novembro marca o pagamento da primeira parcela do 13º salário e movimenta a economia local