Os campo-larguenses Emanoelle Estevão e Angelo Balsanelli integraram a Seleção Brasileira de Karatê da IKGA Brasil no 8th Karate-Do Goju-Kai Global Championships, realizado entre 08 e 10 de agosto, no Chiba Port Arena, no Japão. A competição reuniu atletas de 24 países e contou com 25 brasileiros, que conquistaram um ouro, três pratas e sete bronzes.
Emanoelle Estevão
Emanoelle, que atualmente mora na Nova Zelândia, subiu ao pódio com a medalha de bronze na categoria kumite por equipes. Ela também disputou as categorias kata sênior (16 a 39 anos) e kumite sênior (18 a 39 anos, acima de 68 kg), enfrentando adversárias da China, Noruega, África do Sul e Japão. Nas disputas individuais, foi derrotada por apenas um ponto no kumite.
“Representar a nossa cidade e nosso país me faz sentir muita felicidade e orgulho, estar entre outras nacionalidades e saber da grandiosidade que é levar o nome do nosso país é muito importante e especial. Cada competição tem sua importância, mas disputar um campeonato mundial é uma experiência única. Os adversários tinham um nível muito avançado, o que elevou ainda mais a exigência das lutas”, afirmou em entrevista à Folha.
A trajetória de Emanoelle no karatê começou aos 07 anos, inspirada pelo pai, João Marcos, fundador do dojo Saikyo, criado em 1999. Ao longo de 26 anos de prática, ela acumulou participações em competições estaduais, nacionais e internacionais, sempre incentivada pelos pais e, mais recentemente, também pelo marido Daniel.
Mesmo longe de Campo Largo, a atleta mantém a rotina de treinos na Nova Zelândia, adaptando-se à ausência de academias do mesmo estilo. Para isso, realiza sessões individuais e, em alguns momentos, treinamentos on-line.
Com o bronze no Japão, Emanoelle comenta que inicia agora um novo ciclo de preparação para o próximo Mundial, que será realizado na Hungria, em 2029. “Quero corrigir as falhas desta competição e continuar evoluindo. Um bom atleta está sempre em busca de atualização”, diz.
Para ela, a viagem representou mais do que um desafio esportivo, mas a realização de um grande sonho. “Ir para o Mundial de Karatê era um sonho antigo, junto com o sonho de conhecer o Japão. Viver os dois momentos foi muito especial. Quero que as pessoas busquem realizar seus sonhos e aproveitem cada momento do início ao fim”, finaliza.
Angelo Balsanelli
Essa foi a primeira participação de Angelo Balsanelli em um Mundial de Karatê. Apesar da experiência em torneios internacionais, como o Sul-Americano, ele destaca que o nível dos atletas em um Mundial é muito mais elevado.
“Ninguém vai lá para brincar, é muito desafiador. Ainda precisei lidar com o fuso horário, que atrapalha o sono e a alimentação. Minha luta, que estava marcada para as 9h, acabou acontecendo apenas às 20h, então gastei muita energia nos aquecimentos. Mas foi uma experiência indescritível participar deste evento”, comenta.
Balsanelli enfrentou um atleta do Canadá, luta da qual saiu vitorioso, e depois competiu contra um representante da África do Sul, em um combate bastante equilibrado. Por apenas um ponto, acabou sendo derrotado. Embora não tenha conquistado medalha, o campo-larguense volta para casa com histórias e, principalmente, aprendizado.
“Minha meta agora é disputar o Sul-Americano, na Colômbia, além do Campeonato Brasileiro. Me sinto orgulhoso do resultado e dessa experiência. Com certeza vou me preparar também para o próximo Mundial, que será realizado na Hungria, em 2029”, afirma. “Foi um prazer representar Campo Largo, o Paraná, o Brasil e, principalmente, a minha academia”, acrescenta.
Angelo iniciou no karatê em 1986, aos sete anos, inspirado por um filme. Seu pai, um dos maiores incentivadores, o fez prometer que não abandonaria o esporte. Em 2000 conquistou a faixa preta; em 2005, o 2º Dan; e, em 2010, o 3º Dan.
“O kimono é a minha segunda pele. Já enfrentei problemas no quadril e precisei de uma cirurgia que me afastou dos treinos por cinco meses, mas, quando voltei, conquistei o título paranaense no mesmo ano. Esse é o amor por esse esporte, que me motiva cada vez mais”, finaliza.