A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) precisou reduzir, ainda no dia 11 de junho, a captação de água na Barragem do Rio Verde, que abastece os municípios de Campo Largo e Balsa Nova. O motivo foi o aumento da turbidez da água do manancial. Segundo informações oficiais divulgadas à época, inclusive pela Folha de Campo Largo, uma pesquisa de campo identificou um processo de erosão em uma obra de terraplanagem de um condomínio nas proximidades da barragem, o que teria provocado o carreamento de solo para o rio.
Com isso, a turbidez comprometeu temporariamente a captação e exigiu manobras operacionais por parte da Sanepar, que passou a operar com o auxílio de caminhões-pipa nos bairros mais afetados, tanto em Campo Largo, como também em Balsa Nova. Além da Sanepar, outros órgãos ambientais também acompanharam a situação, inclusive o condomínio responsável pela obra.
A Folha de Campo Largo recebeu denúncias de morador próximo desta região de que essa situação estava sendo causada à medida em que obras do condomínio Alphaville avançavam, chegando a advertir que bastava “andar pela região para verificar o rio de lama que desceu das obras para o Rio Verde”.
A Redação seguia levantando os dados quando, nesta semana, o vereador Gustavo Torres também se manifestou durante sessão na Câmara Municipal. Em pronunciamento e também por meio de suas redes sociais, o vereador reafirmou que o empreendimento Alphaville seria o então responsável pelo problema.
“O rio que abastece nosso município está sendo afetado pela obra do empreendimento Alphaville. O resíduo gerado pelo corte dos terrenos está causando assoreamento e turbidez no Rio Verde, o que dificulta o tratamento da água pela Sanepar e contribui para falhas no abastecimento da região”, declarou. Ele também afirmou ter conversado com engenheiros da obra, que teriam confirmado a presença do Instituto Água e Terra no local, e destacou a necessidade de ações para desassorear o rio.
Apesar de apontar essa situação em específico, dos danos que podem estar sendo causados ao meio ambiente, o vereador Gustavo Torres ressaltou não ser contrário à instalação do condomínio na região. “É um empreendimento que trará desenvolvimento e riquezas para a cidade, mas é fundamental que sejam tomadas medidas rigorosas para mitigar os impactos ambientais durante as obras”, concluiu.
Esclarecimentos
A Folha de Campo Largo buscou esclarecimentos junto à empresa responsável pelo condomínio, às autoridades ambientais e à Sanepar, para entender o que está sendo feito em relação ao problema apontado.
Por meio de nota, a Alphaville afirmou que segue todas as normas de segurança e exigências ambientais, e que as fortes chuvas que aconteceram no mês de junho, acima da média histórica, impactaram diversas áreas da cidade, não apenas a região onde o empreendimento está localizado. “Mesmo diante de um evento climático excepcional, a companhia agiu de forma imediata para conter os efeitos do excesso de água, implementando ações de controle, monitoramento e mitigação dos impactos”, afirmou.
A nota enviada pela empresa responsável informa também que foi apresentado ao Instituto Água e Terra (IAT) um plano de ação e execução, conforme solicitado, e que segue em diálogo com os órgãos competentes, reiterando seu compromisso com “o desenvolvimento sustentável e o absoluto respeito às normas ambientais, valores que norteiam todos os empreendimentos da companhia”.
A Sanepar, também por meio de nota, destacou que realiza monitoramento contínuo da qualidade da água desde o ponto de captação até a distribuição. Segundo a companhia, o último registro de elevação da turbidez do Rio Verde ocorreu em 13 de junho, quando foi constatada erosão próxima à barragem. O IAT, segundo a nota, tomou as medidas cabíveis à ocasião.
“A Sanepar reitera que mantém o abastecimento de água regularmente em Campo Largo, cumprindo todos os padrões de potabilidade estabelecidos pela Portaria 05, do Ministério da Saúde”, concluiu.
Sobre o caso, o Instituto Água e Terra também se pronunciou explicando que foi realizada uma vistoria no local, resultando na notificação dos responsáveis “para que interrompam imediatamente qualquer atividade que contribua para o agravamento do escoamento superficial e carreamento de sedimentos, além de iniciar o processo de mitigação dos danos ambientais”. O IAT esclareceu ainda que o caso segue em investigação por parte da instituição e, se comprovado dano ambiental, haverá punições administrativas de acordo com a legislação em vigor.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, por meio da Prefeitura de Campo Largo: "A Prefeitura de Campo Largo, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA), informa que a equipe de fiscalização da pasta está sim acompanhando, e que depende de diligências no local feitas pelo Instituto Água e Terra (IAT), com vistas a verificar supostas infrações ambientais. Isso porque a obra do Alphaville fica na Ferraria, distrito que é uma APA (Área de Proteção Ambiental). A SMMA aguarda retorno da entidade, cuja área de atuação é o estado do Paraná, sendo atualmente vinculada à Secretaria do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo deste estado".
Geral
Turbidez no Rio Verde e redução na captação de água gera preocupação; envolvidos se posicionam