Professores da rede estadual de ensino se concentraram na Praça Getúlio Vargas para protestar contra mudanças do governo e para pedir apoio do deputado estadual Alexandre Guimarães. Na segunda e terça-feira n&atild
06/02/2015 Atualizada às 16h30min
Iniciou por volta de 15h40min desta sexta-feira (06) uma mobilização de professores da rede estadual de ensino, na Praça Getúlio Vargas. Às 16h30min eles saíram em caminhada pelo Calçadão da Rua XV de Novembro, em direção à Igreja Matriz, para protestar.
Os professores já falam em fazer greve na segunda (09) e terça-feira (10) e vão à Assembleia Legislativa do Paraná para pressionar os deputados, principalmente o deputado Alexandre Guimarães, para quem votaram. Durante a mobilização, os professores disseram que contam com o apoio do deputado campo-larguense, que também foi estudante da rede estadual de ensino. Argumentam que votaram nele e querem ser representados na Assembleia. Representantes das escolas estaduais de Campo Largo conversam com Alexandre na próxima terça-feira (10).
De acordo com o APP Sindicato, “o envio pelo governador Beto Richa, das mensagens 01 e 02/2015, na tarde da quarta (04), para a Assembleia Legislativa, aprofundou de vez a crise e o caos que já era generalizada nas escolas. Diante da gravidade dos projetos que atacam direitos que envolvem todos os segmentos de trabalhadores (as) das escolas, o governo não deixa alternativa que não seja a imediata greve geral, para pressionar pela retirada desses projetos. A direção estadual vem construindo a imediata retomada da greve geral - Estamos em Estado de Greve - a ser referendada nos debates no conselho estadual e assembleia geral nesta sexta(6) e sábado(7) em Guarapuava.
Segue nota da Direção Estadual da APP-SINDICATO
Resultado: o mau uso do dinheiro público e a desorganização na gestão do Estado instalaram o caos nas escolas estaduais.
As escolas iniciam o ano letivo com dívidas, pois o Estado não repassou dinheiro nos dois últimos meses de 2014. As escolas estão sem merenda, pois a mesma ainda não foi entregue. E também, sem professores, pois não há previsão de contratação de professores/as temporários antes do início das aulas.
No último dia 31/01 o Governo retirou 10 mil Funcionários/as das escolas e demitirá 30% deles/as. São aqueles que têm o menor salário do Estado. As merendeiras e o pessoal da limpeza, além do administrativo. As escolas não terão como funcionar. É impossível!!
Toda a distribuição de aulas realizada em 2014 foi cancelada, e na semana pedagógica quando os/as professores/as, funcionários/as, direção e equipe pedagógica deveriam estar organizando a escola para o reinício do trabalho estarão novamente a repetir a distribuição de aulas. Os mais atingidos em todo esse processo serão os/as estudantes, crianças, adolescentes, jovens e adultos desse estado.
Os/as estudantes, no dia 09 de fevereiro, deveriam ser recebidos na escola com toda a estrutura necessária. Infelizmente encontrarão a escola sem merenda e sem outros itens básicos por falta de dinheiro. Encontrarão professores/as e funcionários/as desmotivados, pois foram desrespeitados pelo governador Beto Richa que não pagou os/as professores/as que trabalham nas APAES e demais conveniadas desde dezembro. Não pagou o auxílio alimentação dos/as funcionários/as de escolas. Não pagou o 1/3 de férias devido aos/à educadores/as, e ainda, não pagou a rescisão dos contratos de 29 mil professores/as contratados temporariamente (PSS).
PACOTAÇO E DESRESPEITO atinge toda a população - No final de 2014 o Governador Beto Richa enviou à Alep vários projetos de lei que aumentaram os impostos para a maioria da população. Aumentou em 40% o IPVA e a tarifa de ICMS de mais de 95 mil produtos.
Transporte público: o governador cortou o subsídio do transporte integrado de Curitiba e RM o que vai causar mais desembolso aos/às trabalhadores/as.
Aposentados/as: o governador diminuiu em 11% o salário dos/as aposentados/as que contribuíram a vida toda com a previdência retornando a contribuição previdenciária taxando o salário dos mesmos.
Dívidas na Educação:
- 29 mil professores/as sem pagamento: aproximadamente 130 milhões.
- Atrasados na carreira de 2014: aproximadamente 90 milhões.
- 1/3 de férias: aproximadamente 150 milhões.
- Falta do Fundo Rotativo (repasses de recursos às escolas para despesas com materiais de limpeza e diversos), além da falta da Merenda escolar.
É possível começar as aulas com tantos desmandos? É possível algum profissional SEM SALÁRIO TRABALHAR com carinho e dedicação como a educação necessita?
Gastos do Estado:
Está cada vez mais difícil encontrar a transparência nas contas do Estado. Mesmo assim temos levantado junto ao DIEESE- Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos, que assessora os/as Servidores/as do Estado, as principais despesas do governo:
- vários decretos de cortes de custeio; nenhum realizado;
- aumento em processamento de dados em 4.000%, rompendo com a política do software livre;
- gastou em publicidade e propaganda 400 milhões;
- aumentou em mais de 295% os valores dos salários dos cargos comissionados.
Para cumprir compromissos de final de ano antecipou receitas extraordinárias, que depois faltarão:
- vendeu em 2014, 600 milhões em ICMS, antecipando receitas;
- renegociou dívidas (Refis), recolhendo 250 milhões;
- em precatórios renegociou e arrecadou 100 milhões.
Essas medidas já impactam na receita de janeiro. Vários fornecedores e, principalmente, a falta devida de pagamentos aos/às servidores/as. A má gestão dos quatro anos do Governo Beto Richa explode nesse momento. O pacotaço de maldades somente terá efeito a partir de abril. Enquanto isso o Governador aumenta seu próprio salário (o maior do país) e de seus secretários e deixa trabalhadores/as sem salário. ESTADO DE DESRESPEITO. ESTADO DO CALOTE!
A INDIGNAÇÃO é generalizada no Estado. Reuniões de Diretores/as de escolas, professores/as e funcionários/as junto com a APP aconteceram em todo o Estado. Há muita dificuldade de se iniciar o ano com essa situação.
Repudiamos todo o desrespeito com que o governador Beto Richa e sua equipe de governo têm tratado a educação pública do nosso Estado. Chamamos todos e todas a lutar conosco em defesa da qualidade da educação pública para nossos/as estudantes. Pedimos o apoio a toda sociedade para que os/as trabalhadores/as da educação possam ter condições dignas e humanizadas de trabalho, e para que nosso trabalho e nossos direitos sejam respeitados”.
Posicionamento Alexandre Guimarães
Sobre a reivindicação dos professores, o deputado Alexandre Guimarães se posiciou na rede social:
“Os governos têm anunciado medidas porque a situação de crise que o país está vivendo é delicada, tanto no governo federal, como nos estados e nos municípios.
Desde que chegaram as medidas de racionalização administrativa propostas pelo governo do Paraná, tenho recebido mensagens pelo Facebook, ligações e visitas de inúmeros educadores, não só de Campo Largo, mas de Curitiba e de outras cidades da Metropolitana. Recebi e anotei cada reivindicação e cada insatisfação que chegou ao meu gabinete!
Eu sou fruto da educação pública! Eu também fui professor! A educação sempre terá meu respeito.
Todos nós deputados estamos sendo pressionados pelos educadores e quero garantir que, da mesma forma, TAMBÉM ESTAMOS PRESSIONANDO: fui cobrar e ouvir o outro lado – o governo do estado. Pedindo explicações, buscando os “porquês”, SOLICITANDO OUTRAS SOLUÇÕES.
E não estou sozinho nisso! Também participei de diversas reuniões com os outros 11 deputados da bancada do PSC. Somos 12! Conversei ainda com o professor Avanir Mastey e a vereadora Lindamir Ivanosky.
Lembrando que as medidas que afetam os professores FAZEM PARTE DE UMA LISTA DE 13! Todas muito técnicas e que precisam de uma análise crítica e séria, o que tem exigido minha dedicação praticamente exclusiva.
As perguntas que tenho feito são: com essas medidas (pensando em cada uma delas separadamente), o governo do estado REALMENTE CONSEGUE CORTAR GASTOS, QUITAR SEUS DÉBITOS E AINDA RECUPERAR A CAPACIDADE DE INVESTIR? Quais são as OUTRAS POSSIBILIDADES?
Não vou, nem agora nem nunca, decidir sem responsabilidade. Vou pesar cada item, cada reivindicação, PROJETANDO AS CONSEQUÊNCIAS E OS GANHOS FUTUROS. E, na semana que vem, vou anunciar minha posição final.
Como deputado, meu dever é garantir, ao mesmo tempo, a QUALIDADE DE VIDA NA SOCIEDADE e a GOVERNABILIDADE NO ESTADO. Um desafio que me pesa, mas que enfrentarei com muita responsabilidade e coragem.
E vou honrar cada voto recebido, sim! Mas tenho que ter a consciência de que estarei tomando a melhor decisão.
Vamos fazer o Paraná avançar!”